O homenageado da Grande Rio, Joãozinho da Gomeia, é considerado o ‘Rei do Candomblé”, no entanto, o babalorixá foi também uma das personalidades mais midiáticas dos anos 50 e 60, inclusive por desfilar em diversas escolas de samba do Rio de Janeiro. Em 1969, João encarnou o personagem Ganga Zumba, que é tio de Zumbi e foi o primeiro grande líder do Quilombo de Palmares no desfile do Império Serrano, esse feito foi representado na ala 18 da escola, intitulada “Ganga Zumba – Império Serrano, “Hérois da Liberdade”.

Além do Império Serrano, Joãozinho desfilou em três agremiações com cores verde e branco, representado no costeiro da fantasia da ala 18. Essas escolas foram Império Serrano, Império da Tijuca e Imperatriz. A fantasia em sua estrutura seguiu a proposta estética dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora para a escola inteira, com materiais alternativos e mais artesanais do que os convencionais.

Em toda a sua extensão foi estruturada com listras brancas com um tecido leve, no entanto, a fantasia é pesada pelas sobreposições de texturas com as palhas. O costeiro é de qualidade com o desenho de triângulos que mesclam entre as cores verde e preta em um fundo branco e envolto por uma listra dourada e outra verde. O chapéu grande seguiu a mesma estética do costeiro em sua base e com as listras brancas em sua ponta e apontadas para o alto, com inspiração nos elementos decorativos que Fernando Pamplona na decoração do baile do Theatro Municipal em 1959, com a temática “afro”.

A parte inferior da fantasia era dourada e com círculos brancos e dourados e palha na borda para representar fielmente os materiais que eram usados nos desfiles daquela época, uma mistura de ráfia, palha e etaflon. Além dessa composição, a fantasia apresentou um escudo afro estilizado com qualidade de detalhes entre triângulos crescentes e uma haste dourada em forma de tridente para ser levantada.

Edson Jesus, 33 anos, esteve em seu sexto desfile pela escola caxiense e disse ter gostado do enredo, da fantasia e declarou seu amor à Grande Rio.

“Eu gostei do enredo e também da proposta desta ala, muito interessante, bem diferente de todos os anos em que eu já desfile. A fantasia está boa, não achei 100% porque está machucando um pouco, mas por amor à escola a gente faz de tudo. Estou amando, de coração, é meu sexto ano. A nossa escola deu uma ‘mudada’ esse ano e estamos felizes com isso. Mesmo com todas a dificuldades de conseguir verbas, por conta do nosso prefeito, ninguém pode falar que a Grande Rio está feia, porque a escola está muito linda e fico feliz em ver isso” declarou.

Cláudio Fagundes, 40 anos está em seu sétimo desfile pela escola caxiense. Contou ter gostado da fantasia, pontuou o chapéu grande mas revelou estar feliz com o enredo da escola.

“É uma fantasia bem bonita, gostei bastante. A única questão mesmo que eu poderia pontuar dela é a cabeça, achei muito grande. Mas no geral, tudo bem. Nosso enredo está bonito, falando muito bem da cultura do Joãozinho da Gomeia, a ala também. É uma fantasia grande, mas pelo menos não está quente aqui dentro”. declarou.

Comentários