O carnavalesco João Vitor Araújo estreou na Paraíso do Tuiuti com um conjunto de alegorias que fez a comunidade de São Cristóvão confiar no retorno da escola entre as campeãs. O jovem artista afirmou que este é o carnaval de sua vida.

Para narrar a ligação entre o monarca Dom Sebastião e o santo padroeiro da cidade do Rio, João Vitor apostou na imponência e grandiosidade, como já se podia ver no abre-alas. A alegoria que abriu o desfile da azul e amarela era composta por três chacis acoplados. Nas cores da escola, o carro intitulado “Sob as Bênçãos do Santo e para a Glória de Portugal: Viva o Rei Desejado” trouxe uma das marcas do trabalho do carnavalesco: as esculturas caprichadas.

Fernando Oliveira, 38 anos, veio de São Paulo para estrear como desfilante no carnaval carioca. Vestido como cavaleiro de Sebastião, o componente contou que tem um carinho especial pela Paraíso do Tuiuti: “É uma escola que sempre chamou a minha atenção e vem crescendo bastante. Achei que era a hora de eu participar dessa história. Vendo a alegoria na concentração, sinto que escolhi o momento certo para a minha estreia na Tuiuti”, disse o paulista.

A segunda alegoria representou o encantamento de Dom Sebastião na Batalha de Alcácer Quiber, e manteve o padrão de qualidade e grandeza do conjunto da escola.

O terceiro carro seguiu a linha definida pelo carnavalesco e apresentou um visual diferenciado das demais alegorias. Em tons de prata, azul e verde, João Vitor criou o palácio marinho de Dom Sebastião. O desenho e o acabamento das esculturas se destacava, deixando as composições orgulhosas. Luís Augusto Martins, de 36 anos, foi convidado para representar uma criatura do fundo do mar.

“Fiquei muito impressionado com a qualidade do material das fantasias e com o acabamento do carro. Com a iluminação especial, tenho certeza de que vai criar um grande impacto na avenida. A escola está luxuosa, volumosa, tem tudo pra surpreender e alcançar as primeiras colocações”, contou.

A alegoria seguinte trouxe um visual sombrio para representar a lenda maranhense do touro negro coroado, que se enfeita com as vestes do Rei. Rosa Tomas, 49 anos, vive no Caribe há 25 anos, mas retornou para desfilar no carro.

“Essa alegoria tem uma relação com o sobrenatural, a magia. Eu digo que é um carro do além, ele mexe muito comigo. Era um sonho pra mim desfilar num carro tão impressionante”, revelou Rosa.

Para fechar o desfile com a mesma grandiosidade apresentada desde o abre-alas, o carnavalesco trouxe uma imponente figura de São Sebastião, o Santo protetor de Dom Sebastião. O carro chamado “O Cortejo vai Subir pra Saudar Sebastião” representou um grande altar onde a cidade do Rio de Janeiro pede proteção. A alegoria trouxe votos de paz e de respeito às diferenças. A questão social estava clara na fantasia de Leonardo Diniz, 46 anos, que interpretou Dom Sebastião dos Pobres. Na capa do destaque havia imagens de crianças que foram vítimas da violência no Rio de Janeiro.

“Quando cheguei à concentração, várias crianças vieram me perguntar o que eram estas fotos, e pude perceber a comoção de cada uma delas. A imagem de São Sebastião neste carro vai provocar uma emoção semelhante em todo o público da Sapucaí”, apostou o figurinista.

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