A Vila Isabel no carnaval de 2022 homenageou o ícone da escola, Martinho da vila. O enredo ‘Canta, Canta, Minha Gente! A Vila é de Martinho’, levou para Sapucaí a trajetória de vida do poeta, compositor, cantos, sambista e presidente de honra da agremiação. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, formado pelo mestre sala Marcinho Siqueira e a porta-bandeira Cristiane Caldas teve a companhia dos Guardiões da Kizomba na Avenida.

Você não leu errado, os Guardiões da Kizomba estiveram na Marquês de Sapucaí em 2022, mas é claro, não é a famosa comissão de frente de 1988 que fazia a síntese do enredo ‘Kizomba, Festa da Raça”. Tratou-se de uma homenagem para aquela comissão. Os guardiões do primeiro casal levaram o axé de Zambi, Deus supremo, criador e senhor do mundo, para o desfile da Vila Isabel.

O enredo de sucesso no fim dos anos 80 talvez tenha saído do imaginário de algumas pessoas, ou fuja de pessoas mais jovens, mas quem lembra ou conhece ainda se emociona com ele. Lembrando o enredo ou não, o certo é que os componentes responsáveis por fazerem os Guardiões mostraram a equipe do site CARNAVALESCO que o seu autor, Martinho da Vila, é atemporal.

“Lógico que lembro. Foi a festa da raça e eu inclusive desfilei. Esse enredo ajuda a mostrar como o Martinho é uma entidade da nossa cultura, um rei do samba de partido e isso tudo me deixa extremamente feliz”, disse Alex de Oliveira para equipe do site CARNAVALESCO.

“Eu tenho uma memória afetiva muito presente, porque já ouvia bastante na casa dos meus tios e depois veio o enredo que vi na televisão. Poder participar do desfile da Vila esse ano me deixa muito feliz”, informou Henrique Seixas.

Alex e Henrique fazem contraponto a integrantes mais novos, como Gerson Medeiros e Gabi Ribeiro, que não possuem as recordações da ‘Festa da Raça’, mas falam com carinho, respeito e admiração sobre o artista homenageado.

“Eu não tenho lembranças do enredo do Martinho, mas meus pais são fãs dele e eu cresci ouvindo. Martinho é um gênio e estar homenageando ele é para deixar todo mundo feliz, porque é um enredo de muita honra e simboliza resistência, porque o Martinho é um cara preto que superou todas as barreiras e se tornou esse ícone”, contou Gerson Medeiros

“Eu não lembro do desfile da Kizomba, mas o Martinho é um poeta que representa muito. Fiquei muito feliz quando recebi o convite para fazer parte dos guardiões, primeiro por ser a Vila Isabel e depois por ser um ano de Martinho,” comentou Gabi Ribeiro

O enredo proposto por Martinho ajudou a Vila Isabel levantar o seu primeiro título entre as gigantes do carnaval carioca. Em 1987 a Lícia Caniné, esposa de Martinho naquele momento assumiu a presidência da escola e desejava que o enredo de 1988 fosse um símbolo da luta contra o racismo. Martinho acabou sendo autor do enredo que derivou da palavra Kizomba, palavra em kimbundo, de origem angolana. Seu significado é ‘confraternização da raça’.

Sua comissão de frente representava os guerreiros africanos, símbolo da garra e superação do povo preto, mas como a escola estava fraca financeiramente, foi obrigada a realizar a fantasia com materiais baratos, como sisal, tecidos com estampas de inspiração em África e palhas. O resultado foi uma comissão de frente de pouco brilho, mas muita presença. Em 2022, a escola mostrou uma fantasia rica e bem-acabada, com uma segunda pele que parecia uma pintura de tribos de região de origem Banto (hoje a região dos Congos e Angola) remetia a retalhos de tecido inspirados em África, por cima da segunda pele havia uma armadura na cor marrom e um aveludado laranja, essa armadura tinha detalhes em azul, amarelo e búzios brancos. Na parte superior dos corpos, uma ombreira imponente com muita palha e tecido e na cabeça um adereço que acompanha a parte debaixo, mas possui um conjunto de penas branca, cinza e azul no topo. Uma verdadeira festa personificada, ou melhor, uma Kizomba.

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