A série Harmonia em Jogo chegou na Acadêmicos do Grande Rio. O time é comandado por uma comissão composta por Andrezinho, Cacá, Clayton, Helinho e Jeferson e coordenado por Thiago Monteiro, diretor de carnaval, juntamente com intérprete Evandro Malandro, que atua também como diretor musical. Os trabalhos começam bem antes de todo o espetáculo na Avenida. Para o cantor, o trabalho é em dobro.

“Devido minha formação musical e experiência nesse trabalho a responsabilidade do cargo de diretor musical fica comigo. Dividido com meu violonista 7 Cordas (Davi Costa) e após a escolha do samba, nós analisamos e começamos a ver questões de arranjos, tonalidade e harmonia. Levo aos meus músicos: Andrezinho, Davi Costa, Bráulio e Xandão, para que possamos montar a partitura do samba com todas as divisões, métricas, andamento proposto pelo Fafá (mestre de bateria). A partir daí, começamos a elaborar um arranjo propriamente dito”, disse Evandro.

Quantos aos ensaios, que são o caminho para o título de um agremiação, o diretor de Carnaval afirma que são essenciais.

“Tanto os ensaios de rua como os de quadra são essenciais, mas embora o objetivo seja o mesmo (treinar a escola para fazer um bom desfile) são momentos e situações totalmente diferentes. Nos ensaios de quadra, estamos em um ambiente “controlado” no qual se é possível avaliar e corrigir e avaliar com mais precisão se a resposta dos segmentos ao samba, andamento, proposta de trabalho está acontecendo de forma efetiva. Percebemos se o entrosamento na execução do samba está bom entre bateria, músicos, cantores e demais atores que compõe o departamento musical. Já no ensaio de rua é aplicado de forma efetiva tudo que foi testado e acordado no ensaio de quadra. Na rua, tem a visão global de tudo que está sendo preparado para o desfile. Se na quadra tem a sintonia fina, na rua temos o que se aproxima mais da realidade de desfile. Conversa entre componente e público, execução da evolução e espontaneidade por parte do componentes, comportamento de segmentos”, contou Thiago Monteiro.

A realização de ensaios separados com alas e setores é muito importante para a escola de Caxias. “Costumamos dizer que cada parte do corpo de desfile precisa entender aquilo que estará representando. Quanto mais específica e direta for a transmissão da informação, melhor o entendimento”, completou Thiago Monteiro.

Para Evandro Malandro, na Avenida, qualquer som que venha de fora atrapalha o bom andamento do trabalho. “Na verdade, qualquer som que venha de fora da avenida (drone, helicóptero e outros) atrapalham se estiver muito próximo da bateria ou carro de som, pois, os microfones de captação de bateria e dos cantores propagam esse som pela avenida inteira”, declarou o diretor musical.

Thiago Monteiro se diz favorável para divisão do quesito Harmonia, no Grupo Especial, como já acontece na Série Ouro (antiga Série A), com a efetivação como subquesito o julgamento do carro de som de cada agremiação.

“Sou extremamente favorável, inclusive, quando tive a oportunidade de ser diretor de carnaval da Lierj, fui um dos responsáveis na criação da divisão do quesito Harmonia. Acho importante, pois, na prática, já se julga duas coisas em um quesito. Basta analisar com um olhar mais apurado para a “jurisprudência” do corpo julgador pela análise das justificativas em anos anteriores. Outro fator que acho favorável para essa divisão é se valorizar ainda mais o time de canto e cordas de uma escola. Os intérpretes oficiais, profissionais altamente qualificados, são avaliados dentro de um quesito que traz certa confusão para o grande público”.

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