Fundamental em um desfile de escola de samba o quesito Harmonia ganha uma série especial no site CARNAVALESCO. Semanalmente, vamos ouvir diretores e suas equipes de cordas para conhecermos mais o trabalho da área.

Melhor Harmonia do Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2020, segundo o prêmio Estrela do Carnaval, a Vila Isabel abre a série de matérias. O técnico do time é Marcelinho Emoção. Ele vai para o quarto ano à frente do segmento no bairro de Noel, ao lado do seu centroavante Rafael Prates, diretor musical, com grande bagagem no mundo do
samba e que caminha para o segundo carnaval na escola.

“Os diretores de harmonia possuem liderança com seus componentes. Eles, quando fazem inscrições de alas, escolhem o local que seus diretores estarão alocados. A comunidade da Vila Isabel é muito unida. Isso é algo primordial e essencial para um trabalho ser bem feito”, disse Marcelinho Emoção.

A harmonia é a forma como os integrantes da escola desfilam, considerando se há entrosamento ou não dos mesmos com o ritmo e o canto do samba-enredo. Os componentes devem cantar o samba no mesmo tempo que o intérprete, a voz principal durante o desfile. A totalidade da voz cantada pela escola durante a apresentação também é elemento considerado para a avaliação da harmonia, ou seja, o grupo precisa cantar em uma única voz.

Rafael Prates explica que faz encontros com toda equipe para obter o sucesso: “Reúno a equipe de cordas, intérpretes de apoio e cantor oficial para darmos o pontapé inicial de ensaios, definição melódicas, métricas de letra e arranjo, sempre juntos como uma família”.

Os ensaios de canto na quadra da Vila Isabel são feitos em comum acordo com o diretor de carnaval, Moisés Carvalho.

“Trabalhamos muito o canto e evolução em local parado, sem movimentação, pois dizem que o melhor ensaio de rua, acontece na 28 de setembro. Eu sou apaixonado pela comunidade de Vila Isabel. A escola não é nada sem a comunidade, pois se ela não canta, não evolui. A comunidade canta com o coração”, declarou Marcelinho, que fez questão de elogiar o entrosamento entre o carro de som e o seu grupo.

Na Vila Isabel, o time da harmonia tem Jorge Pitanga à frente da bateria. “Ele é o responsável e tem conhecimento no som para fazer os ajustes necessários com o Rafael Prates. É um trabalho de respeito a cada segmento, sendo o melhor para a escola e a comunidade”, afirmou Marcelinho, que também sugeriu a entrada dos ensaios de canto no Sambódromo, como acontece com comissões de frente e os casais.

“Os ensaios fechados na Sapucaí, dos setores 3 ao 9, não deveria ser limitado somente à comissão de frente e ao casal de mestre-sala e porta-bandeira, mas também às alas de cada agremiação. O nosso projeto é ensaiar o desfile por completo, com as apresentações da comunidade aos jurados”, pontou.

Sobre o julgamento do quesito, Marcelinho aprova a separação entre o canto das alas e o carro de som.

“O trabalho que é feito, não é julgado. Os jurados só despontuam o carro de som”.

O diretor musical, Rafael Prates, deixou uma sugestão para os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

“A exemplo da Liga de São Paulo, o carnaval carioca poderia ter dois ensaios técnicos para fazermos os ajustes necessários. Gostaria muito que tivesse uma mesa digital no carro de som. Assim, todos os carros das escolas teriam suas cenas gravadas para o seu dia oficial, ajudaria nos timbres dos cantores e instrumentos musicais”, ressaltou.

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