Os integrantes da comissão de frente da Beija-Flor estarão mais bem vestidos do que o esperado quando pisarem na Sapucaí ao fim da Segunda-feira de Carnaval. Os figurinos do grupo de dança são assinados por Francisco Costa, renomado estilista brasileiro, natural de Minas Gerais, conhecido pelo trabalho junto a marcas da moda mundial, como a Calvin Klein, onde foi diretor criativo de moda feminina por 14 anos.

O convite para integrar o projeto — aceito gratuitamente por Costa — partiu do coreógrafo Marcelo Misailidis, que encanta a abertura dos desfiles da Beija-Flor pelo sétimo ano consecutivo. Os dois artistas se conheceram por intermédio da mulher de Misailidis, a empresária Danielle Uhebe, que tinha laços com o estilista desde a infância na região de Guarani, no interior mineiro. Era lá que Costa morava antes de se mudar para os Estados Unidos, onde construiu a prestigiada carreira. Agora, de volta ao país natal, o ícone do mundo fashion está lançando uma marca própria: a Costa Brasil.

— (Costa) É um dos grandes estilistas da atualidade e foi um dos responsáveis por alavancar o crescimento da Calvin Klein. Ele trabalhou com grandes nomes da moda e desenha roupas para grandes estrelas de Hollywood em ocasiões importantes, como o Oscar, por exemplo — afirma Misailidis, que explica o convite: — Estávamos procurando alguém que trouxesse um aspecto contemporâneo à temática da comissão de frente e decidi ligar para ele, que se encantou com o projeto e decidiu fazê-lo de graça.

Além do estilista, a comissão também recebeu apoio da Colcci, uma das maiores produtoras de jeans do mundo, que forneceu matéria-prima como base para a adaptação e customização dos figurinos.

Mistura de tendências

Os modelitos desenhados por Francisco Costa para a Beija-Flor estão inseridos em dois movimentos intimamente ligados com as ruas — é sobre elas que fala o enredo “Se essa rua fosse minha”, dos carnavalescos Alexandre Louzada e Cid Carvalho. Há referências ao movimento de contracultura do Hip-Hop estadunidense, criado na década de 1960 em meio ao Bronx, um dos bairros de Nova York.

Durante a expansão urbana, a criação de uma avenida atrapalhou a vida de moradores e fez o local entrar em colapso: surgiram, então, os movimentos de gangue. Eles estarão representados na comissão de frente da Beija-Flor por terem sido importantes para criar referências culturais relevantes que se espalharam pelas ruas do mundo todo, incluindo as do Brasil. Esses símbolos passam pelas vestimentas e a moda, a música e a arte — incluindo o grafite. Apesar de serem referências com 60 anos de história, elas serão inseridas no desfile com uma estética futurista.

O segundo movimento contemplado pelo trabalho de Misailidis é o das religiões afro-brasileiras, que entendem o orixá Exu como “o verdadeiro dono da rua”. Ele é mencionado no refrão do samba-enredo da escola e também será exaltado na abertura do desfile.

— Faremos um paralelo do que há hoje nas ruas com tudo aquilo que vem regendo elas, assim como a vida nas cidades, de forma atemporal — adianta Misailidis.

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