Fora do desfile das campeãs desde o Carnaval 2016 e sem a conquista de um campeonato há 18 carnavais, a Imperatriz romperá com seu estilo estético clássico este ano para tentar voltar aos seus dias de glória. A agremiação apostou na volta de Mário Monteiro e Kaká Monteiro para desenvolver o enredo ‘Me dá um dinheiro aí’. Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, Mário admite uma estética diferente e que beberá na fonte do maior campeão do carnaval nos últimos anos, Paulo Barros.

“Acho que a grande renovação de dez anos para cá foi o Paulo Barros. Aqui na Imperatriz vou aproveitar esse estilo e criatividade. Os componentes precisam ter participação efetiva no desfile. O Paulo é bastante ousado e chegar no seu nível é preciso muita prática”, confessa.

Para abordar uma estética alinhada com o estilo do atual carnavalesco da Viradouro, a Imperatriz aposta na história do dinheiro e sua relação com a sociedade. Segundo Mário, a ideia surgiu no afã de criar uma temática que converse com a atualidade mas sem necessariamente ser desenvolvida de forma séria e pesada.

“Quando o Luizinho me convidou para criar um enredo imaginei que deveria ser algo muito atual, ainda mais depois dos desfiles de Beija-Flor e Tuiuti. Em pesquisas vi o número de desempregados, dívidas crescendo, isso tudo tem algo em comum no seu cerne: o dinheiro. Dessa forma eu decidi desenvolver essa temática que é falar sobre o dinheiro e a relação das pessoas com ele. A gente vai fazer um carnaval, apesar de teoricamente ser algo pesado pelos problemas econômicos, leve e com espírito carioca. Aqui se faz piada até da própria desgraça. Vamos fazer tudo através de metáfora e ironia. Pedi aos compositores e eles atenderam a minha proposta de ser algo divertido. A Imperatriz é uma escola mais clássica e decidimos fazer algo diferente. Está dando resultado”, aponta.

Para fazer um enredo que fale do dinheiro sem a necessidade de se tornar algo pesado, a Imperatriz criará uma espécie de caricatura da crise econômica e social que assola o país desde a segunda metade desta década, como explica Mário Monteiro.

“Crítica bem-humorada vai ter, como são as charges nos jornais. É algo para rir, não teremos nada pesado, ou sério. O Jaguar diz que é melhor rir para não chorar. A abordagem política tem de estar presente, mas sem citar lado de um ou outro, é algo jocoso e engraçado. Achei a Beija-Flor muito realista ano passado, pegou pesado. O carnaval é para divertir”, opina.

Em suas pesquisas para o desenvolvimento do tema, Mário Monteiro aponta a curiosidade com relação ao surgimento das cédulas de dinheiro, na China.

“Achei curioso o nascimento da primeira nota, algo bastante primitivo. As moedas já existiam e começaram a acabar e as pessoas não tinham troca para dar. Na China começaram a dar um vale, era um pedaço de papel. Daí também nasceu a ideia de criar um banco e dessa forma passar a armazenar o dinheiro para ser utilizado quando as pessoas necessitassem”, lembra.

Mário Monteiro confessa que precisou adaptar o projeto depois de iniciado devido à crise financeira. O artista ressalta que a Imperatriz precisa voltar a frequentar as primeiras colocações para voltar a vencer.

“Tivemos de reinventar bastante. Tenho 60 anos de cenografia. Estamos usando bastante o processo cenográfico, sem materiais muito caros, com alegorias mais leves. É um carnaval diferente daqueles que eu mesmo já fiz. O artista tem de estar alinhado com a diretoria da escola desde o início do projeto. A Imperatriz precisa dar um ‘up’. Através desse enredo acho que estamos conseguindo isso. Carnaval acontece mesmo é na avenida. É preciso entusiasmar o público também, para mim é o grande protagonista do desfile. Se o público te aclamar você está perto do título”, admite.

Conheça o desfile

A Imperatriz vai passar na Marquês de Sapucaí com seis alegorias, dois tripés, 30 alas e 3.200 componentes. Conheça como se dará o desenvolvimento do enredo da agremiação.

SETOR 1 – AS LENDAS
Abrimos o nosso desfile representando 2 lendas importantes que se referem diretamente ao dinheiro: Robin Hood e A Lenda de Midas.

SETOR 2 – A INVENÇÃO DO DINHEIRO
As mais antigas moedas que se conhecem foram feitas no séc. VII no Reino da Lidia (Turquia atual). Feitas de liga de ouro e prata, conhecida na época como “eletro”. Cédulas não passam de pedaços de papel, mas são aceitas como dinheiro. O valor está no que elas representam. Os chineses foram os primeiros a lidar com o dinheiro na forma de documentos de papel.

SETOR 3 – TERRA BRA$ILI$. O DINHEIRO DO BRASIL
A história do dinheiro no Brasil começou de forma insólita logo após o descobrimento, com um fato importante para o meio circulante brasileiro: o primeiro escambo. Ao desembarcar em terra, os portugueses, num gesto amistoso, lançaram à praia um barrete vermelho, uma carapuça e um sombreiro. Os índios, imediatamente, responderam lançando um cocar de penas e um cocar de contas. Nos períodos colonial e imperial até 1888, a economia brasileira sobrevivia através da exploração dos escravos trazidos da África e vendidos como mercadoria. Um dos períodos mais hediondos da nossa história.

SETOR 4 – TEMPOS MODERNOS
Hoje temos à disposição inúmeros meios de guardar e investir dinheiro: depósitos bancários, aplicações financeiras, cheques, cartões de crédito, caixas automáticos, previdência privada e etc.

SETOR 5 – A RODA DA FORTUNA
A roda da fortuna vai falar sobre pessoas de origem humilde que através do talento pessoal ou da sorte conseguiram crescer na vida com sucesso financeiro.

SETOR 6 – O FOLCLORE E O DINHEIRO
Neste setor abordaremos o Tio Patinhas, o cofre do porquinho e também o dinheiro na tele ficção.

SETOR 7 – DINHEIRO E CARNAVAL DO FUTURO
Em relação ao dinheiro podemos anunciar que o futuro já começou através das moedas virtuais. A mais famosa delas é o Bitcoin.

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