Já amanhecendo, a Império de Casa Verde, realizou seu desfile no carnaval de 2020. A exibição foi marcada pelo imponente abre-alas que a agremiação prometeu colocar na avenida. As fantasias luxuosas foram outro destaque, recheada de plumas e objetos que dão efeitos especiais. O intérprete Carlos Júnior teve outro ano de brilho no Anhembi, e até pela longevidade e demais qualidades, pode ser considerado um dos melhores puxadores de samba paulistano. A harmonia da escola foi um ponto negativo, alas de setor 2 e 4 respectivamente, não mostraram entrosamento com o samba. A previsão para o carnaval de São Paulo era de chuva a noite inteira, mas não ocorreu, só foi chover quando a bateria da Império estava saindo do recuo, entretanto não interferiu negativamente no desfile, já que a comissão de frente e o casal que mais sofreriam com isso, já tinham se apresentado. A agremiação levou para a avenida o enredo “Marhaba Lubnãn”, uma homenagem ao Líbano, e fechou o desfile com 62 minutos.

Comissão de frente

A comissão da escola representou na avenida alguns guardiões da ancestralidade, sendo eles que simbolizaram seis personagens, como os fenícios. Outros personagens representaram algumas almas que fazem parte da mitologia libanesa, como os assírios, abássido e mais outros dois representantes, todos eles guardiões da terra prometida. Esses guardiões levavam uma caixa, onde no meio da apresentação, os personagens que representavam os cidadãos libaneses tiravam algumas iguarias de dentro dela, além de coreografarem a letra do samba anteriormente. As fantasias de todos eram capas longas com adereços na cabeça, de cores variadas.

Mestre-sala e porta-bandeira

Rodrigo Antonio e Jéssica Gioz, vestiam uma fantasia que predominava a cor púrpura, que era bastante extraída dos mares do Líbano. O casal apresentou sua coreografia nas torres, intercalando com dança rápida, mostrando o pavilhão para as cabines. A dupla realizou todos os movimentos sincronizados e não houve nenhum tipo de desencontro na apresentação para os jurados.

Harmonia

A harmonia da escola foi bem irregular. O primeiro setor, terceiro e o último, cantaram forte e com clareza. Já no segundo e o quarto, era notório que o samba não se casou com os componentes, as alas cantavam pouco, sendo assim, a avaliação de sincronismo com carro de som e bateria, fica impossibilitada.

Enredo

A proposta da escola foi mostrar tudo que há no país do Líbano, tendo uma abertura com a comissão de frente simbolizando alguns dos povos que por lá passaram e um abre-alas gigante simbolizando o mar mediterrâneo, que era muito usado pelos fenícios para a navegação. Outro ponto importante que a agremiação quis colocar na avenida, é a união entre Líbano e Brasil, e mostrar como o libanês é um povo receptivo. Tais fatos, foram bem aproveitados pela escola quando se fala em alegorias e fantasias, que era de fácil leitura, dava para ver de fato a proposta da escola, mesmo o Líbano sendo um país pouco falado e conhecido pelos brasileiros

Evolução

A escola evoluiu de forma eficaz. Havia uma expectativa no quesito pelo tamanho do abre-alas, mas passaram corretamente, as alas ficaram alinhadas e sincronizadas, todos os componentes dançavam, apesar da dificuldade com a letra em algumas alas. Os harmonias trabalharam demais, todos os integrantes do departamento se movimentavam de um lado para o outro instruindo as alas a evoluírem de forma plena.

Samba-enredo

É um samba que se destaca por sua letra e explica muito bem o que é a proposta do enredo, mas não deu certo por completo na comunidade, apesar da boa interpretação de Carlos Júnior, em que mais um ano o puxador teve boa atuação na avenida, interagindo bem com a bateria e fazendo arranjos vocais dentro do samba. Falando da obra, somente os refrões dá para notar os componentes cantando com clareza, mas o resto do samba, nem todas as alas cantam de forma correta.

Fantasias

Foi o quesito destaque do desfile. As fantasias representaram em sua maioria a mitologia que se encontra no Líbano, como os deuses que existe para cada elemento, como a agricultura, saúde e vitalidade. As vestimentas também simbolizaram alguns povos que fizeram parte da história libanesa, como os macedônios, assírios e persas. Também foi representado alguns elementos culturais que que existem ou existiam no país, como a esfiha, kibe, e uma cor que surgiu por lá, que foi a púrpura, essa que representa a fantasia do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Vale ressaltar que as vestimentas vieram bastante luxuosas, cheias de plumas e materiais que dão efeito e visual especial.

Alegorias

Chama atenção o abre-alas da agremiação, que veio acoplado. Tamanho imponente em altura, comprimento e largura, simbolizando o mar mediterrâneo. Outro detalhe do carro são os efeitos em LED, em uma espécie de telão, com animações de peixes se mexendo, representando o fundo do mar, além de esculturas de animais marinhos e personagens simbólicos dos mares. A segunda alegoria representava a louvação aos deuses e tinha o dourado predominante, com esculturas de gavião e componentes fazendo encenações teatrais. A terceira alegoria foi uma readaptação do castelo antigo de Beaufort, e o carnavalesco Flavio Campello o recriou na cor cinza e colocou cavalos e guardiões com armadura em volta. A quarta alegoria tinha a cor roxa predominante, com a escultura de um rei no topo e a presença de muitos componentes fazendo encenações. A quinta e última alegoria simbolizava a união entre Libano e Brasil, com a presença do famoso tigre que sempre vem nas alegorias da Impérios, mas dessa vez ele estava família, com um tigre, uma tigresa e dois filhos. O conjunto alegórico da escola foi satisfatório, claro que os demais carros não foram do nível do abre-alas, mas em geral, explicaram bem os setores e nenhum foi comprometido.

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