Por Guilherme Ayupp. Fotos: Allan Duffes

A resposta do mangueirense para a crise institucional da escola (que tem seu presidente preso desde novembro) e à do próprio carnaval (a Prefeitura segue sem contribuir com a subvenção das agremiações) veio em forma de canto nesta quinta-feira no tradicional ensaio de comunidade da Mangueira. A obra foi entoada a plenos pulmões pelos componentes, que prometem deixar a vida na avenida para que a velha Manga conquiste na quarta-feira de cinzas o seu 20º campeonato na história. A reportagem do CARNAVALESCO acompanhou o treino e conta os detalhes.

Evolução e Harmonia

A Mangueira está pronta para desfilar, mesmo com o carnaval acontecendo em março. Antes do início do ensaio a diretoria da escola pediu que os componentes ‘recebessem santos’ e foi justamente o que aconteceu. Incorporados os mangueirenses tiravam o canto do fundo da alma. Uma verdadeira aula de como desenvolver o quesito harmonia. A escola opta por não fazer andamento na quadra, mas e possível constatar que a espontaneidade do componente está no lugar, com coreografias e muita desenvoltura.

“Eu acho esse samba da Mangueira um divisor de águas na história do carnaval. Andamento diferenciado, melodia muito bonita e uma letra poética. Depois que escolhemos a obra sentamos com os compositores para definirmos o melhor andamento e tom, mas é tudo em consenso com o Alemão e o próprio Marquinho Art Samba. Acho que colocamos o samba no lugar certo. Nossa comunidade tem se emocionado bastante a cada ensaio”, comentou Alvaro Luiz Caetano, o Alvinho, membro da comissão de carnaval da escola.

Samba-Enredo

Aos que acreditavam ser uma obra sem o DNA mangueirense ou o funcionamento da mesma não casaria com a bateria ‘Tem Que Respeitar Meu Tamborim’, nada disso vem ocorrendo no Palácio do Samba. Com os ajustes realizados depois da escolha o samba ficou no lugar e seu desempenho tem sido perfeito. São muitos os trechos que propiciam um canto forte, justamente pelo fato de ser uma letra carregada de simbolismos. O componente se identifica com cada frase do samba e isso faz com que cante, muito mais que com a garganta, com o coração.

“A minha expectativa é que o carro de som da Mangueira em 2019 bata um recorde mundial e seja composto por 3 mil pessoas e mais o público da Sapucaí. Agradeço todo dia por ter a honra de dar voz a esse samba magistral. Que ele nos ajude a levar para a avenida um desfile memorável. Nossa comunidade vai deixar o sangue na pista se necessário for para levarmos esse campeonato”, disse o cantor Marquinho Art Samba.

Bateria

Foi possível notar duas paradinhas já bastante ensaiadas pela ‘Tem Que Respeitar Meu Tamborim’. A primeira quando o samba cita a vereadora Marielle Franco, assassinada brutalmente em março deste ano. Nesta hora toda a bateria para e um timbau toca. Em uma segunda paradinha, quando o samba relembra a ditadura militar os ritmistas fazem uma marcha militar com as caixas.

“Esse foi o ensaio que mais gostei desde que começamos a ensaiar com a comunidade. Estamos ainda buscando o ideal entrosamento com o carro de som. Eu estou estreando, assim como Marquinho. Ele tem participado de nossos ensaios de bateria às terças-feiras justamente para encontrarmos o melhor andamento para a escola”, explicou o mestre de bateria.

A Estação Primeira de Mangueira vai em busca de mais um campeonato em 2019 apresentando o enredo ‘Histórias para ninar gente grande’. O carnavalesco da escola pelo quarto ano seguido será Leandro Vieira. A verde e rosa será a sexta a desfilar na segunda-feira de carnaval do Grupo Especial.

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