Um casal de índios clamou ao deus Tupã que lhes realizasse o sonho de terem um filho. O pedido foi atendido e assim nasceu um curumim, cujas qualidades despertaram a inveja de Jurupari, o deus da escuridão. Um dia, enquanto o menino colhia frutos na floresta, Jurupari transformou-se em uma serpente. Trovões foram enviados para alertar do perigo, mas o jovem índio não resistiu ao veneno. Tupã ordenou então que os olhos da criança fossem semeados na terra para que deles brotasse o fruto que serviria como fonte de energia: o guaraná.

A lenda acerca do surgimento do fruto tipicamente brasileiro é a base do enredo “Waranã – A Reexistência vermelha”, que a Unidos da Tijuca levará para Marquês de Sapucaí no próximo Carnaval. Em entrevista a reportagem do site CARNAVALESCO, Jack Vasconcelos, artista estreante na agremiação, relatou como foi o processo de escolha e definição do tema.

“Essa ideia de enredo partiu da própria escola. A direção é que me propões fazer um desenvolvimento em cima da lenda do guaraná. E a gente conversando, achou que renderia um desfile muito bonito, com um bom samba, uma história bacana, com consistência. Afinal, é uma história nossa, das nossas lendas, que nos permite fazer um desfile com belas visões, com imagens interessantes, algo bem brasileiro. Então eu fiquei super animado e a gente fez aí o guaraná, nosso Waranã”, contou Jack.

E apesar do cerne do enredo ser a história oriunda da tribo indigna Sateré-Mawé, o carnavalesco tijucano declarou que o desfile contemplará outras visões sobre o surgimento do guaraná. “Como toda lenda, existem várias versões. Pelo tempo que se tem, foram anexados alguns elementos, como em toda boa história antiga é, então de alguma maneira a gente também vai colocando esses outros elementos que foram sendo contados pelas outras bocas pelo Brasil. Mas o tronco narrativo é a lenda contada pelo povo Sateré-Mawé. A gente vem falando sobre as passagens da lenda, de como surgiu para os homens o guaraná, o nascimento da nação guardiã, que é o povo Sateré-Mawé, além de falar da força dos índios, dos Encantados, dessa parte mística também dos povos da floresta e como eles reexistem hoje na nossa sociedade”, detalhou.

O forte caráter indigenista do enredo remete a carnavais antigos de um dos maiores nomes da história da agremiação do morro do Borel, o carnavalesco Oswaldo Jardim. Questionado se haverá alguma referência a trabalhos do artista já falecido, Jack respondeu: “Acredito que ele (Oswaldo Jardim) nos acompanha neste enredo desde que a ideia apareceu nas reuniões. Posso até dizer que ele, de alguma maneira, fez uma força para gente embarcar nessa história. Eu vejo muito a mão do Oswaldo como conceito, como ideia. Então, para mim, como artista, já é uma homenagem pro Oswaldo desenvolver este enredo na Unidos da Tijuca”.

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