O enredo que trazia o multiartista Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil perdeu três décimos, sendo um descartado e levando apenas duas notas dez. Desenvolvido por Alex de Souza o enredo enalteceu os talentos do artista, mas os jurados apontaram problemas como o “alargamento” dos ciganos no desfile e a falta de um espaço maior do lado cantor e compositor do artista.

“Concepção: Enredo original e de grande importância cultural ao homenagear e revelar ao Brasil o multiartista Benjamin de Oliveira, o primeiro palhaço negro do país. A roteirização foi muito acertada e feliz ao lançar mão de uma vasta iconografia relativa aos universos frequentados pelo artista, como o circo, o teatro e a música. No entanto, o setor 2 houve um “alargamento” do subtema “ciganos”, com demasia das simbologias, costumes, crenças e personagens do mundo cigano, sem que fosse inserida ou esclarecida a figura do artista Benjamin nesse contexto. (4.9) Realização: 5,0”, justificou Johnny Soares.

Para Marcelo Antônio Masô, o lado cantor e compositor do artista foi pouco explorado pela escola.

“A tradicional agremiação do bairro da Tijuca escolheu como seu enredo narrar a vida de Benjamin de Oliveira, o notável primeiro palhaço no grupo do Brasil. A justificativa do enredo enaltece os diversos talentos de Benjamin de Oliveira, tais como: a arte de interpretar, a arte de cantar e sua qualidade para compor. Pois bem, a arte de interpretação, inclusive como palhaço, foi desenvolvida com desenvoltura no setor cinco, como exemplo temos as alas 26, 28 e 29 (páginas 173 e 175 do livro abre-alas). Noutro giro, a qualidade singular de Benjamin de Oliveira para criar roteiros e adaptações cênicas, também foi apresentada de forma muito satisfatória no enredo sendo explanada nas alas 20, 21, 22, 23 e 24. Entretanto, a representação de Benjamin de Oliveira como cantor e como compositor de músicas tiveram menções pequenas, ínfimas na roteirização. A figura de Benjamin cantor é mencionada somente na ala 18 do livro “abre-alas”, na página 168, ala intitulada como “o palhaço cantor”. As demais alas, quase todas do setor 3 retratam instrumentos musicais, não sendo claro, patente associar instrumentos aos cantores, mas sim as pessoas que tocam estes instrumentos, os musicistas. Por fim, também não destaca o enredo outro talento importante de Benjamin, digo faz apenas uma menção, aborda pouco sua capacidade para compor músicas, tendo apenas a ala 19, “Benjamin, o cantor”, feito tal fato. Desta forma, em razão da deficiência de abordagem e proporção deste tópico acima explicado, despontuo em 0,1 na concepção o enredo do GRES Acadêmicos do Salgueiro.

“Houve na concepção do enredo a opção de um amplo desenvolvimento de subtendas em detrimento do macrotema Benjamin de Oliveira. Cite-se o setor 2 que desenvolve aspectos da cultura cigana sem relação com o homenageado (alas 08, 09 e 10) e o relacionamento do músico com a música no setor 3, retroativo às alas 18 e 19, enquanto as alas 13 a 17 elencam instrumentos musicais utilizados no subtema (“circo”). Importantes fatos da carreira musical de Benjamin estão concentrados na ala 18. Como contraponto e acerto cito o setor 4 que representou de forma abrangente a carreira de diretor e ator de teatro. Parabéns à escola e aí artista pelo belo visual da escola. Concepção: 4,9 – Realização: 5,0”, explicou Marcelo Filgueira.

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