Dos cinco julgadores do quesito “Enredo” quatro tiram décimos da Estação Primeira de Mangueira. Apenas Nilton Santos da Silva deu nota 10 para o trabalho de Leandro Vieira. Veja abaixo todas justificativas.

Ao tirar dois décimos da Mangueira, a julgadora Carolina Vieira Thomaz disse: “o vasto universo da vida e das obras dos baluartes foi pouco aprofundado/explorado. Além das homenagens a Cartola e Jamelão terem sido mais trabalhadas do que a homenagem ao Delegado, não sendo abordados aspectos da sua vida pessoal. A repetição de mesmos elementos, como os chapéus das alas 10 e 16 e das alas 5, 14 e 20, dificulta a percepção da mensagem individual de cada uma. Ainda, na na 19, não fica clara a intenção pretendida por sua fantasia”.

O julgador Johnny Soares também tirou 2 décimos e comentou: “Retira-se 0,1 décimo pelo desequilíbrio na narrativa em relação à importância dos 3 homenageados. O setor 3 apresenta a ala 10 abordando a infância de Jamelão, porém o mesmo não ocorre nos setores 2 (Cartola) e 4 (Delegado). A infância e ocupação desempenhadas pelos dois antes da vida artística só é representada na belíssima e criativa comissão de frente. Como a proposta do enredo é conferir o mesmo peso às 3 personalidades a existência de uma ala que reforça um aspecto do homenageado apenas contradiz a promessa original e compromete a coer~encia da roteirização. Retira-se também 0,1 décimo pela falta de um desfecho para o enredo, que termina de forma abrupta com a alegoria 4, sem unir no final a trinca da trindade mangueirense que dá título ao desfile, enfraquecendo a coesão do enredo”.

O julgador Arthur Gomes também penalizou a Verde e Rosa em dois décimos. “Desconta-se 0,1 décimo pela incoerência na roteirização do desfile. A proposta de interligar as trajetórias individuais e artísticas de um poeta, um cantor e um mestre-sala desenvolveu-se de forma irrregular, pela ausência de alas que tratassem da infância de Cartola e Delegado, assim como foi feito em relação a Jamelão, na ala 10. Desconta-se mais 0,1 pela incoesão da narrativa, ao se encerrar de forma repentina o cortejo, sem um fechamento que integrasse os três setores anteriores, fazendo com que a homenagem a eses artistas parecessem quadros independentes, dificultando o entendimento da relação entre o todo e as partes”.

Para Marcelo Figueira, que também tirou 0,2 décimos da Mangueira, “o enredo não foi desenvolvido de forma que deixasse clara a influência dos três baluartes mangueirenses na trajetória de vida de atuais moradores da comunidade da escola. A bela homenagem aos três personagens não demonstra que os seus legados tornem o povo de Mangueira em potências criativas e artísticas. Restou clara a falta de uma conclusão à narrativa que se inicia com a exposição das legítimas tradições mangueirenses, seguidas das três celebrações, para se chegar ao entendimento acima”.

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