A X9 Paulistana e a Gaviões da Fiel empataram em 50 pontos (pontuação máxima) na primeira colocação na avaliação feita pelo júri do site CARNAVALESCO para os sambas do Grupo Especial de São Paulo para o Carnaval de 2019. Participaram do corpo de jurados os compositores Júlio Assis, Samir Trindade, Gustavinho Oliveira e Diego Nicolau e o jornalista Antonio Junior.

* LEIA AQUI: LEITORES ESCOLHERAM O SAMBA DO TATUAPÉ

A Gaviões da Fiel levará para Avenida em 2019 a reedição do samba-enredo “A saliva do santo e o veneno da serpente”, composto por Janos Tsukalas (Grego) e Vladimir Moura Leite (Magal), que foi apresentado pela primeira em 1994 e deu o vice-campeonato para a escola da Fiel.

A X9 Paulistana vai homenagear Arlindo Cruz em 2019 com o enredo “Meu lugar é cercado de luta e suor, esperança num mundo melhor! O show tem que continuar!”. O samba-enredo foi composto por Arlindo Neto, André Diniz, Cláudio Russo, Márcio André Filho, Valência e Darlan Alves.

Veja a classificação final do júri do CARNAVALESCO e as notas dos jurados

1 – Gaviões da Fiel e X-9 Paulistana: 50 pontos
3 – Vai-Vai: 49,9 pontos
4 – Tatuapé: 49,8 pontos
5 – Mocidade Alegre e Águia de Ouro: 49,7 pontos
7 – Vila Maria e Colorado do Brás: 49,6 pontos
9 – Império de Casa Verde e Mancha Verde: 49,5 pontos
11 – Tom Maior: 49,3 pontos
12 – Dragões da Real: 49,2 pontos
13 – Tucuruvi: 49,1
14 – Rosas de Ouro: 48,8 pontos

Notas de Julio Assis (Compositor)

Tatuapé: 10
Mocidade Alegre: 9,9 (“Eu sou o Verdadeiro dono dessa terra” pode abrir dúvida para julgamento. Outra abordagem ao tema, seria menos arriscado)
Mancha Verde: 10
Tom Maior: 10
Dragões da Real: 10
Império de Casa Verde: 10
Gaviões da Fiel: 10
Rosas de Ouro: 9,8 (O caminho melódico escolhido não envolve o ouvinte, o que pode prejudicar em evolução)
Vila Maria: 10
Vai-Vai: 10
X9 Paulistana: 10
Águia de Ouro: 10
Colorado do Brás: 10
Tucuruvi: 9,9 (Alguns desencontros de métrica entre letra e melodia, principalmente, na segunda parte da música)

Notas de Antonio Junior (Chefe de reportagem do site SASP)

Colorado do Brás: 10
Império de Casa Verde: 9,9 (O samba da Azul e Branca da Zona Norte teve uma crescente considerável desde sua escolha e conta com uma letra que contribui bastante para o entendimento da obra, e consequentemente, do enredo. Destaque bem positivo para a reta final da segunda parte do samba, replicando o “E a Casa Verde mais uma vez vem deslumbrar a passarela” característico da escola para a levada ao refrão principal)
Mancha Verde: 9,9 (Com um dos sambas mais interessantes dessa safra, a Mancha Verde manteve o bom padrão de sambas-enredo desde que apareceu pela primeira vez no Grupo Especial em 2005. Com letra muito bonita e melodia igualmente de qualidade, a iniciativa da escola na gravação do CD e confirmada na festa de lançamento do álbum de acelerar o andamento acabou, na minha visão, dificultando levemente o desenvolvimento do samba)
Acadêmicos do Tucuruvi: 9,7 (Certamente é a obra mais bem desenvolvida dos últimos anos no Zaca. Porém, o samba que é muito bem escrito, ainda tem dificuldades de “explosão”. Mas, certamente, é uma obra que até o carnaval tem tudo para crescer e fazer bonito neste belo tema apresentado pela agremiação)
Acadêmicos do Tatuapé: 10
X-9 Paulistana: 10
Tom Maior: 9,8 (Mesmo com a dificuldade de um enredo mais abstrato, o que geralmente gera sambas contestáveis, a Tom Maior conseguiu encontrar uma solução criativa: trazer a identificação do componente junto aos versos do samba. Isso pode ser muito bem observado no trecho final da segunda do samba, com “Meu coração disparou/Em Tom Maior meu grande amor”. As mudanças de tonalidade da obra concorrente para a versão final resultou em uma melhora significativa da obra, que ainda pode ser melhor explorada visando o dia do desfile oficial)
Águia de Ouro: 10
Dragões da Real: 9,8 (A obra apresenta leve queda se comparada com os anos anteriores, talvez pela característica do enredo, com pegada menos popular que os anos anteriores. Destaque para a boa condução da obra por parte do intérprete Renê Sobral e para a segunda parte do samba, em especial, para os últimos versos, que sobem o tom e a pegada em comparação ao restante da obra. Mais uma obra que, até pela boa virtude de sua comunidade em cantar todos os sambas, pode ter um desempenho bastante satisfatório na Avenida)
Mocidade Alegre: 10
Vai-Vai: 9,9 (Contando com uma excelente interpretação de Grazzi Brasil, a obra não deixa em nada a desejar ao nível de excelência dos últimos dois anos, por exemplo. Porém, apesar da temática afro, o desenvolvimento do samba tem um leve fator dificultador – justamente o enredo proposto, de abordagem mais difícil que 2017 e 2018. Outro samba que no CD já demonstrou muita força e que com a característica de canto forte da comunidade do Bixiga pode render ainda mais à Alvinegra da Bela Vista)
Rosas de Ouro: 9,8 (Diferente de 2018, quando foi praticamente aclamado como um dos melhores sambas da safra, o hino da Roseira em 2019 tem algumas características que diferem dessa condição. Bem trabalhada junto a comunidade, a obra pode ter, até pela capacidade da comunidade da Brasilândia, rendimento melhorado em relação às primeiras impressões. Com uma proposta de letra e melodia mais simplificada em comparação com 2018 e com algumas obras desta safra, se destaca a segunda parte do samba, em especial o trecho final, convocando a comunidade para o canto forte e a retomada ao refrão)
Vila Maria: 9,9 (O samba da Vila Mais Famosa é aquele que, sem dúvidas, mais se difere do restante da safra por característica e proposta. E o resultado é bastante satisfatório. Apesar da diferença de tom da gravação dos compositores – ainda com Rapha SP – para Wander e a versão oficial, a obra manteve um nível superior ao de anos anteriores e certamente renderá boas notas à Verde, Azul e Branca da Zona Norte)
Gaviões da Fiel: 10

Notas de Samir Trindade (Compositor)

Tatuapé: 10
Mocidade Alegre: 9,9 (Igor Sorriso mostra toda sua categoria nessa faixa bonita da Mocidade Alegre. Meu único senão em relação a obra fica no refrão de cabeça. A repetição da palavra “AMAZONAS” se dá apenas pra preencher um espaço na melodia e a rima final “MEU AMOR” carece de criatividade, o restante da obra cumpre bem seu papel, sem sobressaltos. Um samba que com certeza vai crescer na avenida e facilitar o canto do componente aguerrido da Morada do samba)
Mancha Verde: 9,7 (Com um dos enredos mais bonitos do ano, a Mancha Verde apresenta um bom samba, porém não consegue fugir de alguns clichês afros na letra de seu samba enredo. O samba já começa nas 4 primeiras frases com 2 exaltações soltas há 2 orixás. A letra transcorre com “MAREJOU O OLHAR”, outro clichê afro já usado várias vezes em enredos semelhantes. A melodia não tem a força dos sambas afros que estamos acostumados a ver, é comum , podendo servir a qualquer tema, embora o trecho “Palmares, vi um céu de luz e liberdade” seja uma das mais bonitas passagens melódicas do CD)
Tom Maior: 9,8 (Na bonita faixa da Tom Maior Bruno Ribas prova mais uma vez que é um craque. O samba lembra um pouco às obras que a Unidos da Tijuca apresentava quando Paulo Barros era seu carnavalesco. Descreve a sinopse sem muita poesia, mas com uma melodia alegre que deve facilitar o canto do componente. Não sou muito fã de alguns exageros como: “É impossível viver sem meu pavilhão”, existem outras formas mais poéticas de puxar o brio do componente sem ser tão direto. Mas no geral o samba cumpre seu papel e tem tudo pra conseguir boas notas na apuração)
Dragões da Real: 9,6 (A escola de samba que a cada ano apresenta um carnaval mais bonito e se aproxima cada vez mais do título do samba paulista esse ano traz uma música razoável. Porém pro meu gosto musical um samba comum, não destaco nenhum trecho na melodia e destaco negativamente alguns clichês na letra como a rima manjada “RAIZ/ FELIZ” no refrão central. Deve propiciar uma boa harmonia , pois o samba de certa forma é alegre)
Império de Casa Verde: 9,9 (Sou suspeito pra falar de Carlos Junior grande intérprete. Enquanto os amigos estiverem dando show a gente tem que reverenciar e aplaudir. Mais uma linda interpretação. O samba conseguiu tirar leite de pedra, não que falar da sétima arte seja tarefa difícil, porém no meu modo de ver a sinopse entregue aos poetas do Tigre deixou muito a desejar este ano. Conseguiram excelentes soluções como “Imperiano, que a força esteja com você” ou ” Pode chover que eu vou cantar de alegria” , sacadas que fazem alusão a filmes e puxam o brio do componente com criatividade ao mesmo tempo. A melodia é típica do carnaval paulistano, parece que já ouvi alguns trechos similares em outras oportunidades por aquelas bandas, mas não chega a comprometer esta bonita obra)
Gaviões da Fiel: 10
Rosas de Ouro: 9,5 (O refrão central pede pra respeitar a nossa identidade. Pensei que fosse vir em seguida um samba versando sobre um tema afro, mas surgem versos como ” Viva, hayastan!”. O espectador que estará no Anhembi pra assistir o desfile não estará com a sinopse do enredo , dificilmente entenderá do que se trata. Melodia funcional, alegre, mas que não traz grandes momentos, falta conexão em alguns versos como por exemplo as 2 primeiras linhas do refrão central e as outras 2. Exaltam gratuitamente a escola e no final cita o enredo. Espero que cresça na avenida, mas não me chamou atenção)
Vila Maria: 9,8 (Wander Pires é craque e ponto. Faz a diferença neste bonito samba da Vila Maria. O samba começa com um refrão que me agrada bastante principalmente na repetição “VOAR VOAR VOAR” ,a letra conta o enredo, sem muita poesia, de maneira didática. A melodia da meiuca do samba é o ponto fraco da obra, um espaçamento muito grande entre alguns versos tendem a cansar um pouco. Contudo, na safra é uma obra que consegue obter certo destaque)
Vai-Vai: 10
X9 Paulistana: 10
Águia de Ouro: 9,9 (Laíla acerta mais uma vez numa junção de sambas, o resultado foi uma bonita obra pesada, densa, melodia em tom menor e riquíssima, como é característica das escolas por onde passa. Meu único senão é na linguagem abordada, como o samba é fruto de uma junção fica claro em alguns momentos propostas diferentes em relação ás obras que se juntaram. Essa impressão a meu ver não chega a comprometer o samba, que nesta análise não ganha a nota máximo pelo comparativo direto com às demais obras que conseguiram o 10. Falar de Tinga é chover no molhado. O número 1 da atualidade. Tem que respeitar. A águia tem um time de primeira grandeza pra buscar o título do carnaval de Sampa)
Colorado do Brás: 9,8 (A escola foi a primeira a divulgar os sambas concorrentes pro carnaval 2019. O samba vencedor já havia me chamado atenção desde quando ouvi lá em meados de julho, destacou-se na safra e mereceu a vitória. Refrãos fortes, o de cabeça vai impulsionar a escola sem dúvida alguma. Meu único senão é em relação ao final do samba, quando no verso” A natureza se curvou ao rei” , foi usado um artifício que sempre é usado por esta parceria em outros sambas, é uma característica, mas o recurso já usado muitas vezes, e no verso seguinte há uma “alongada” na nota para encaixar a melodia (outro recurso já utilizado pela parceria), contudo é um samba muito bom e que tem tudo pra gabaritar na apuração, mas no meu comparativo não pode levar a mesma nota que outros sambas que a meu ver se destacam mais)
Tucuruvi: 9,7 (Leonardo Bessa mais uma vez mostra que é um cantor de primeira grandeza. O samba cumpre bem o seu papel e conta o enredo de maneira linear mas sem grande destaque em letra e melodia. Alguns clichês como letras de músicas colocadas na letra , e um refrão central que lembra um lamento negro, mas sem brilho, parece uma meiuca do samba. O refrão central tbm repete o ” VAI ECOAR ” pra preencher um espaço na melodia somente. Ainda sim é um bom samba e superior a algumas outras obras da safra)

Notas de Diego Nicolau (Compositor)

Tatuapé: 10
Mocidade Alegre: 10
Mancha Verde: 9,9 (Do grande enredo da agremiação, confesso que não esperava um samba tão leve assim. O refrão me parece comum demais apesar de me parecer pronto pra dar certo. O samba segue sem muitas novidades mas redondo até um refrão central, este sim, com mais pegada do que se esperava. A partir dele o samba cresce muito melodicamente. O canto firme, afinado e competente do excelente Fredy Vianna ainda consegue dar à melodia, maior emoção)
Tom Maior: 9,9 (O refrão traz recursos já bastante utilizados de letra mas que quase sempre funcionam pro componente. Na primeira do samba letra bem coerente ao enredo que não compromete. O refrão do meio é um bom momento do samba assim como a segunda metade da segunda parte que tem.bom desfecho. Bruno Ribas como sempre dá gosto de ouvir e dá um sentimento a mais à tudo que canta)
Dragões da Real: 9,9 (O refrão traz sentimento logo em seu primeiro verso melódico, aliás todo o curto samba é muito redondo em sua melodia e tem letra bem resolvida e com bons momentos. Talvez esperasse algum momento que surpreendesse mas é um bom samba para os quesitos que defende e muito bem cantado pelo aguerrido Renê Sobral)
Império de Casa Verde: 10
Gaviões da Fiel: 10
Rosas de Ouro: 9,9 (A fórmula do refrão não traz muitas novidades, e só na metade da primeira a melodia parece embalar e convencer. Mas é a segunda parte do samba, o melhor momento do samba da grande Roseira. E que beleza sempre ouvir o mestre Royce cantar, aula sempre)
Vila Maria: 10
Vai-Vai: 10
X9 Paulistana: 10
Águia de Ouro: 10
Colorado do Brás: 9,9 (A alegria de África dá tom ao enredo e o samba valoriza isso. O refrão é diferente mas de qualidade. O samba segue coerente ao enredo apesar de poucas surpresas melódicas. Talvez faltem nuances melódicas como a do refrão durante o samba mas isso não compromete tanto. Destaque para a interpretação do excelente Chitão Martins que dá força à obra)
Tucuruvi: 10

Notas de Gustavinho Oliveira (compositor)

Tatuapé: 9,8 (Celsinho voando. Porém, letra e melodia da primeira e do refrão do meio destoam um pouco da segunda. Mas sabemos que a comunidade vai cantar forte)
Mocidade Alegre: 9,9 (Mais uma bela letra, mas melodia da primeira parte achei um pouco confusa)
Tom Maior: 9,8 (Boa Interpretação do Bruno. Refrão forte , mas o restante da letra com muitos clichês. Melodia também não me arrebatou)
Mancha Verde: 10
Império de Casa Verde: 9,7 (Talvez, a sinopse ou o tema proposto não tenha ajudado tanto a letra dos compositores, melodia me leva a caminhos já explorados)
Gaviões da Fiel: 10
Dragões da Real: 9,9 (Melodia uniforme. Gostosa de ouvir, já a letra pouco inspirada)
Rosas de Ouro: 9,8 (Mais uma letra pouco inspirada, talvez, o enredo não tenha ajudado. Melodia pouco cativante. Já ouvi em algum lugar)
Vai-Vai: 10
Vila Maria: 9,9 (Letra conta bem o enredo. Exemplifica a sinopse. Melodia boa, mas não vejo momentos de força, de explosão)
Águia de Ouro: 9,9 (Letra bonita e de forte poesia. Me incomoda a entrega pro refrão principal na segunda parte. Um bis em minha opinião na parte “E o povo na rua, revestido de coragem, lava a alma de esperança pra acabar com a sacanagem” cairia perfeitamente. Faltou isso pro 10)
Colorado do Brás: 9,9 (Letra conta toda a sinopse e a proposta do enredo. A melodia achei um pouco trepada em algumas partes. Talvez, o andamento muito acelerado possa atrapalhar)
X-9 Paulistana: 10
Tucuruvi: 9,8 (Letra muito bem construída, bem dentro do que a sinopse se propõe, porém o andamento acelerado pode atrapalhar. Melodia não me cativou)

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