A festa de lançamento do CD de São Paulo deixa embasbacado qualquer sambista. São mini-desfiles de 20 minutos para cada agremiação apresentar não apenas a sua obra, mas também seus casais, sua comunidade e a bateria. O modelo encantou até a figura mais importante do samba atualmente, o diretor de carnaval Laíla. O experiente dirigente volta ao carnaval de São Paulo no Águia de Ouro, elogia o evento da Liga SP e diz que o Rio precisa seguir o mesmo modelo.

“Temos que seguir esse modelo lá. Eu gostaria de lembrar quando fui ao Festival de Parintins e falei na ocasião ao Capitão Guimarães que os trabalhadores de lá eram fantásticos. E até hoje eles contribuem com as nossas escolas de samba. Aqui tem muita coisa boa, tem de haver esse intercâmbio. O crescimento de São Paulo tem tudo para fazer bem ao Rio de Janeiro”.

Laíla não se furta a dar opiniões. Segundo ele, a crise profunda, a mais grave da história das escolas cariocas, precisa ser vista como uma forma de as agremiações voltarem a dar mais valor aos sambistas.

“Precisamos centrar no que queremos para o futuro de nossos desfiles. O carnaval carioca se tornou o maior espetáculo da terra nos últimos 30 anos. Mas quem sabe não é hora de olharmos um pouco para dentro das comunidades e deixar de lado essa ânsia de gigantismo e voltarmos a fazer escola de samba. É o que estou me propondo na Unidos da Tijuca”.

O dirigente recebeu todo o carinho dos sambistas de São Paulo que lhe pediram fotos, lembrou da experiência que viveu na Unidos do Peruche nos anos 80 e revelou que o convite do Águia de Ouro foi o primeiro que recebeu após anunciar a saída da Beija-Flor.

“A gente colabora com o carnaval. Em 1989 trabalhei com a Peruche, fomos vice-campeões, saímos da avenida com o povo cantando campeã. Implantamos na época as alegorias maiores que acabaram se tornando uma marca da folia em São Paulo. Fica o meu agradecimento a isso que vivi hoje. Hoje chego eu recebo o carinho de todos. É uma felicidade pois eu sou sambista e devo tudo ao carnaval. Quando tomei a decisão de deixar a Beija-Flor, o presidente Sidney foi o primeiro a me procurar. Foi ao Rio conversar comigo e de imediato aceitei. Assim como na Tijuca a minha vontade de acertar é muito grande”, disse.

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