Por Gabriel Leal

Sob forte chuva, a Alegria da Zona Sul levou para avenida o enredo “Saravá, Umbanda” nesta sexta-feira de carnaval, sendo a segunda escola a escola a desfilar. Na missão de exaltar a única religião fundada no Brasil, a Alegria convidou líderes religiosos e praticantes não só da Umbanda, como também do Candomblé, para integrar o desfile em seus carros, alas e composições.

Com uma abertura abençoada pela linhagem dos Pretos Velhos, a escola trouxe em seu abre-alas a simplicidade e o aconchego de um “Congá”, uma casa de Umbanda, o popular terreiro. Uma grande escultura de um preto velho e esculturas de jarros de porcelana davam o tom do Congá azul e branco do carro. A escola embarcou na proposta como manda o figurino, trazendo os componentes de pés descalços e trajando a cor oficial da religião: o branco.

Por conta da opção estética de recriar uma casa de Umbanda, o carro abre-alas apresentava uma grande área baixa, na qual os componentes desfilaram livres para evoluir na alegoria. Um dos convidados para correr a gira da Alegria da Zona Sul foi o Pai de Santo Marcelo do Caboclo Tanaju, dirigente de um terreiro de Umbanda em Realengo. Ele convidou todos os filhos de santo de seu centro, que o acompanharam no desfile.

“É uma festa grande. Somos uma família, nada mais justo do que a gente comemorar junto. Eu acho muito importante você ter, hoje, o sincretismo da nossa religião sendo representado na própria avenida. Trabalhamos por este reconhecimento há anos. Não temos que ter briga, ter preconceito, temos que nos unir e formar uma comunhão só. Porque sofremos uma discriminação constante nas ruas, e isso tem que acabar”, protestou o líder religioso estreante na Sapucaí.

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