O “Barracão Solidário” realizou uma live, nesse domingo, que reuniu diversos nomes da folia carioca em prol do projeto. O objetivo do evento foi angariar recursos e doações para auxiliar os trabalhadores dos barracões das escolas de samba do Rio, que atualmente se encontram em um cenário de muitas dificuldades, devido a pandemia do novo Coronavírus. O site CARNAVALESCO, parceiro da iniciativa, transmitiu a live, além de acompanhar os bastidores e a repercussão da ação.

Idealizador do “Barracão Solidário”, Wagner Gonçalves conversou com a reportagem após o evento e fez um balanço do trabalho realizado. “Essa live significou a realização de um sonho, pois quando imaginei esse projeto, era pra criar algo possível dentro de um cenário pandêmico. Era um momento em que estávamos com menos flexibilização, as pessoas podiam sair menos, cheias de restrições com a saúde, além de uma maior incerteza quanto a posição do carnaval. Entendi que a galera precisava ficar reunida, se movimentar, manter viva a chama do samba. Reunimos muitos sambistas, artistas de outras áreas, empresas e, assim, vemos o quanto o carnaval é potente. É uma marca que atrai outras marcas, o quanto comercialmente ele é importante e isso pode gerar renda e trabalho para as pessoas. Uma live dessa envergadura, além de todas as doações, gerou emprego. Muitos aqui tiveram seus cachês doados”, destacou.

Acerca do valor arrecadado com a live, Wagner Gonçalves diz não ter ainda um número exato, mas acredita que as expectativas tenham sido alcançadas. “Não sei ao certo o quanto arrecadamos, mas já soube que a Sabrina Sato e a Luma de Oliveira entraram e ajudaram. A vaquinha virtual ficará aberta até o final do mês de outubro, para as doações serem contínuas. Precisamos atender as 350 pessoas cadastradas e tentar abrir mais novas cadastros. Essa é a nossa inspiração”, afirmou.

Wagner ainda aproveitou para agradecer todos os parceiros que tornaram a live possível. “Quem deu credibilidade foram os artistas e profissionais que abraçaram o projeto. Quando esboçamos o ‘Barracão Solidário’, para apresentar as empresas e movimentar uma live dessa, apontando quais os profissionais que estariam, como eu mesmo, o Carlinhos (Eberius, produtor), a Selminha (Sorriso, porta-bandeira da Beija-Flor), o Milton (Cunha, comentarista da TV Globo), a Sabrina (Sato, apresentadora) e tantos outros que encheram os olhos dos patrocinadores. Pessoas sérias que trabalham e militam pela causa do samba. Porém, sempre é muito difícil. Ainda não temos a economia aquecida, é um cenário de muitas incertezas. Mas, conseguimos trazer boas e grandes parcerias”, frisou.

‘Quem trabalha em barracão tem que ser olhado e citado’, diz Milton Cunha

Quem também conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO, logo após o encerramento da live, foram os apresentadores do evento Milton Cunha e Selminha Sorriso. Para Milton, o grande diferencial da ação está na valorização dos funcionários dos barracões.

“É prestar o tributo de existência, de visibilidade para o empregado. É dizer assim: ‘Sem vocês, a escola não vai para Avenida’. Os funcionários são estrelas, junto com todo mundo. Quem trabalha em barracão tem que ser olhado, citado, trabalhado para conseguir cesta básica, porque é uma gente que está no perrengue total. A importância desta causa é dizer ‘obrigado barracão, vocês existem’. E parabéns aos funcionários de barracão que estão no perrengue, mas não deixam a peteca cair”, defendeu Milton.

Para ele, a presença dos carnavalescos das agremiações na transmissão, mesmo que sem conseguir realizar o bate-papo previsto devido a uma falha técnica, foi de extrema importância. “Ainda que eles não tenham conseguido falar, mas eles surgiram na imagem. É importante ver o Alex (de Souza, carnavalesco do Salgueiro), o Leandro (Vieira, carnavalesco da Mangueira e do Império Serrano), o Tarcísio (Zanon, carnavalesco da Viradouro), o Marcos (Ferreira, carnavalesco da Viradouro), o Fabinho (Fábio Ricardo, carnavalesco da Mocidade), o Bora (Leonardo Bora, carnavalesco da Grande Rio), o Gabriel (Haddad, carnavalesco da Grande Rio)… Isso mostra que eles estão trabalhando, fazendo, empreendendo pelos seus funcionários, eles sabem da grandeza desta causa”, avaliou Milton.

Em seu balanço do evento, Selminha também chamou a atenção para a união dos sambistas no atual momento de adversidades. “Mais uma realização, mais uma vitória do samba, que tem se unido e se mostrado solidário uns com os outros. São várias iniciativas de lives para ajudar os nossos irmãos e amigos sambistas em vários segmentos. Hoje foi mais uma demonstração que temos que agradecer pela solidariedade das pessoas que colaboraram, que nos assistiram, pois, foi um número bem considerável de pessoas interagindo conosco. E poder apresentar ao lado do Milton Cunha, e ter sido convidada pelo Wagner, idealizador desse projeto, e os empresários, que ajudaram a realizar essa live solidária, é uma honra poder doar um pouquinho da minha alegria, da minha imagem, que está sendo construída ao longo dos anos pelo samba. É motivo de gratidão. Espero que tudo isso passe logo e que em breve possamos estar juntos, mas, enquanto isso não passar, enquanto não haver vacina, as ações e iniciativas solidárias para com os nossos irmãos valem muito a pena”, declarou.

Intérpretes falam da importância do ‘Barracão Solidário’

E ao longo da live, diversas atrações musicais se apresentaram, incluindo alguns intérpretes das escolas de samba, como Gilsinho (Portela), Marquinho Art’ Samba (Mangueira), Wantuir (Unidos da Tijuca), Emerson Dias (Salgueiro), e Serginho do Porto (Estácio). O site CARNAVALESCO também conversou com eles sobre a relevância da causa do “Barracão Solidário”.

“São milhares e milhares de pessoas que estão em casa, aguardando uma notícia se vai ter carnaval ou não. A gente sabe, mais ou menos, que se sair a vacina vai ter carnaval. Mas, de algum modo, é sempre importante a gente poder participar e ajudar, dar um pouquinho de custo para essas pessoas que estão sem trabalhar, passando dificuldade com toda certeza. E não podia ser diferente: a gente é resistência desde que o samba apareceu, e vai continuar sendo. O nosso samba é a nossa cultura, é isso que nos representa”, opinou Wantuir.

“Pra mim é muito importante! É como diz, ser solidário a essa necessidade, que não só o povo do barracão, como os ritmistas solidários, as vozes do samba também, todos os segmentos do carnaval estão passando um momento muito difícil. E, a gente se uniu, tentando fazer lives para que possamos vir a angariar fundos que consiga tentar dar um pouco de sustância pra todos nós”, disse Serginho do Porto.

Quem também seguiu esta mesma linha de raciocínio foi Emerson Dias, que comanda o carro de som do Salgueiro, ao lado de Quinho, desde 2019. “Eu já fiz lives para vários segmentos. E a gente não tinha pensado ainda no que fica por trás das cortinas: aderecistas, costureiras, artesãos, carpinteiros, ferreiros, carnavalescos, diretores de carnaval, que tanto contribuem para a folia. Eu vou englobar nesse grupo, diretores de harmonia, que são tão importantes também e são esquecidos, são os que chegam primeiro e os últimos a sair. Então, foi uma iniciativa muito boa do Site Carnavalesco, junto com o Wagner, do Barracão Solidário, o Milton Cunha e a Selminha, apresentadores dessa live e a Ingrid, produtora da live, de fazer a oportunidade da gente buscar recursos que possam ajudar essas pessoas que estão em casa, nesse momento tão complicado ainda”, afirmou.

“O samba tem união. Nós estamos unidos em prol de várias pessoas, várias lives que aconteceram, Barracão Solidário, Bateria Solidária, está faltando o Puxador Solidário (risos), daqui a pouco iremos inventar isso. Mas está sendo legal, nós estamos nos unindo cada vez mais. Eu estou aí, a disposição de qualquer live, seja pra quem for, que precise das escolas de samba, estarei sempre dando a minha voz, prestando a minha solidariedade. É um momento legal, muito bacana e que todo mundo está focado em uma coisa só, de conseguirmos nos manter e conseguir manter a chama do nosso carnaval”, declarou Gilsinho.

“É uma satisfação danada poder participar em nome da Estação Primeira de Mangueira. Fico muito lisonjeado pelo convite e espero sempre estar na próxima e próxima por esta causa maravilhosa e de muita importância, ainda mais que as pessoas se encontram sem um salário, sem previsão de voltar ao trabalho, então qualquer ajuda é muito bem-vinda para eles, mas logicamente que não é tudo. Nós sambistas esperamos um futuro mais próspero aí em breve. Isso tudo está acabando e daqui a pouco todo mundo já vai estar podendo voltar para o seu trabalho, levar seu pão de cada dia, inclusive eu”, comentou Marquinhos Art’Samba.

Por Diogo Sampaio e Rennan Laurente

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