O site CARNAVALESCO dá sequência à série de entrevistas com os candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro. O candidato do PSL, Luiz Lima conversou com a nossa reportagem acerca de suas ideias e propostas para o carnaval do município nos próximos quatro anos, caso seja eleito. Luiz Lima é carioca e foi nadador antes de ingressar na política. Suas conquistas mais importantes foram uma medalha de ouro e uma de prata nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg em 1999 e duas de prata no Pan de Mar Del Plata, em 1995.

Luiz Lima ingressou na política em 2016 ao aceitar o cargo de Secretário Nacional de Esportes de Alto Rendimento. Ele foi o primeiro professor de educação física a assumir o cargo. Em 2018 foi eleito Deputado federal pelo PSL no estado do Rio de Janeiro com 115.119 votos, sendo o oitavo mais votado no estado. Ele recebeu votos nos 92 municípios do Rio de Janeiro.

Confira a entrevista com o candidato Luiz Lima (PSL) à Prefeitura do Rio:

– A atual gestão comandou uma cruzada contra o carnaval e as escolas de samba? A sua gestão vai dar apoio institucional e financeiro à festa?

Luiz Lima: “Temos 12 escolas no Grupo Especial, 15 na Série A e outras dezenas nos grupos de acesso da Intendente Magalhães. A maioria tem projetos sociais, culturais e esportivos com suas comunidades, e é muito bacana ver essa contrapartida das escolas. O samba é um grande investimento para o município. Por isso, entendemos que é fundamental que Prefeitura do Rio incentive e subsidie o desfile das escolas, apresentando um cronograma transparente de liberação de recursos. São muitas pessoas empregadas pelas agremiações. E cada real investido, seja da iniciativa privada, seja da prefeitura, vira cinco para o município, através dos gastos em serviços de cariocas e turistas durante a folia. Temos que entender a importância do turista que vem para o Rio no carnaval, pois parte do que ele gasta vai para a saúde, para a educação, para infraestrutura, para segurança. Além de valorizar a cultura, a gente está valorizando o bolso e o bem-estar dos cariocas. Nosso plano de governo também prevê o projeto ‘Samba pelo Rio’, com representantes das escolas em pontos turísticos e representativos da cidade, nos meses de janeiro e fevereiro, anualmente, realizando shows e contando histórias do carnaval, em parceria com a iniciativa privada. Além disso, vamos fazer o Sambódromo funcionar o ano inteiro, assim como a Cidade do Samba, melhorando seu entorno e resgatando o projeto inicial deste equipamento com oficinas e visitação. Tem muita gente que mora no Rio e que nunca foi à Cidade do Samba. Poxa, aquele patrimônio é nosso! Seria um atrativo a mais para o Porto. Uma importante proposta nossa também é o projeto ‘Samba nas escolas municipais’, em que levaríamos a cultura do samba-enredo para nossos alunos, através de oficinas e eventos com as agremiações do entorno de cada escola da rede, conectando Cultura e Educação.”

– As escolas da Série A tem cada vez mais dificuldades em construir o seu desfile sem barracões. Qual a sua opinião sobre a Cidade do Samba 2?

Luiz Lima: “A Cidade do Samba 2 é fundamental para o carnaval. É um compromisso que está em nosso plano de governo. As escolas da Série A precisam de um lugar decente e com infraestrutura para preparar suas alegorias e fantasias. Nossa ideia é construir um espaço ou adaptar alguma área já existente na Avenida Brasil. São escolas tradicionais como Império Serrano, Estácio de Sá, Império da Tijuca, Em Cima da Hora e muitas outras, que precisam de condições dignas, pois há anos estão em locais insalubres, improvisados, sem telhado e sem estrutura. Temos que acabar com aquelas cenas recorrentes de incêndios em barracões ou mesmo de destruição de alegorias por causa de chuvas fortes. O mesmo vale para as escolas que desfilam na Estrada Intendente Magalhães, que estão num galpão improvisado em Oswaldo Cruz. A Prefeitura do Rio também precisa investir e apoiar o carnaval daquelas escolas.”

– Como a prefeitura pode fomentar o carnaval de rua e os blocos, que trazem milhares de turistas para a cidade no período de carnaval?

Luiz Lima: “O carnaval de rua também será incentivado em nosso governo, através de políticas culturais e parcerias com a iniciativa privada. Afinal, os desfiles de blocos, bandas e cordões são um capítulo à parte do nosso carnaval. O carioca ama o carnaval de rua e não vive sem ele. É nossa obrigação incentivar e trabalhar efetivamente, com a Ordem Pública e as secretarias de Saúde e Transporte, para garantir a melhor organização possível destes desfiles. Queremos os blocos tradicionais, como Bola Preta, Cacique de Ramos e a banda de Ipanema, por exemplo, fortes e conectados com a Prefeitura do Rio. Os mais novos e temáticos também farão parte de uma programação especial feita pela Riotur. Precisamos fortalecer também o carnaval de rua na Zona Norte e na Zona Oeste. Outro desafio será resgatar a tradição dos palcos e coretos de bairros. Sempre houve programação nos quatro dias de folia em bairros como Vila Isabel, Méier, Tijuca, Engenho de Dentro, Bangu, Ilha do Governador… Mas isso acabou no governo Crivella.”

– O que você considera que deva ser feito com o Sambódromo? Passar ao governo estadual ou manter com a prefeitura?

Luiz Lima: “O Sambódromo é um patrimônio do carnaval carioca, por isso merece ser cuidado com carinho e atenção do poder público. Defendo que a Prefeitura do Rio continue à frente do Sambódromo, mas quero implementar parcerias público-privadas (PPP’s) voltadas para shows o ano todo, instalação de restaurante temático, área para recepção de turistas, loja de souvenirs e outras melhorias. É vergonhoso ver as vans de turistas que chegam para visitar o Sambódromo paradas ali portão do Setor 3, sem estrutura alguma de estacionamento e alimentação. Não tem nem lugar para comprar água, só com vendedores ambulantes. O único atrativo é tirar fotos das arquibancadas de concreto. Temos que mudar isso! O turista precisa ter uma opção de lugar para conhecer um pouco da história do carnaval. Um caminho pode ser a reabertura do Museu do Carnaval, que fica na Praça da Apoteose, e há anos está subutilizado. Os grandes shows de rock, MPB e outros estilos, na Apoteose, precisam voltar também. Outra meta nossa é incentivar os ensaios técnicos no Sambódromo, como uma atividade de verão, de forma gratuita, aproveitando ao máximo o calendário de verão a partir de dezembro, ocupando todos os sábados e domingos. Mini-desfiles e carnavais fora de época também estão nos nossos planos.”

– Como a sua candidatura enxerga a importância do carnaval para a arrecadação da cidade do Rio de Janeiro?

Luiz Lima: “Já desfilei na Mocidade, na Imperatriz, na Rocinha, na Tradição e em outras escolas, e sei como o carnaval é uma coisa fantástica. A importância cultural é gigantesca e está ligada com a história da cidade. E além de gostar muito de escola de samba e de samba-enredo, eu, com cidadão, reconheço que em cada real gasto pelo turista no carnaval traz outros cinco de retorno para a cidade. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostrou que o Carnaval de 2019 movimentou quase R$ 4 bilhões na economia. Mexe com turismo, serviços e diversos outros setores. Cada escola de samba gera 200 empregos, o ano todo. Temos que fazer parcerias com as escolas e ter como contrapartida os projetos sociais e culturais que elas já desempenham nas suas comunidades, como no caso da Mangueira, da Portela, do Salgueiro, da Beija-Flor e outras. Então como é que o prefeito do Rio pode não gostar de carnaval? Veja o caso do Rock in Rio, em 2021, que vai movimentar 700 mil pessoas. Uma das saídas para o Rio no período pós-pandemia é realização de grandes eventos. Quando alguém fala em tirar recurso do carnaval, será que eu tenho que desenhar? Ora bolas, isso traz recurso para a cidade. O dinheiro que o turista gasta na cidade vai ajudar a financiar o salário do servidor, por exemplo, os 850 reais por mês que custa uma criança na escola… A função da Riotur é promover o Rio como destino e caminhar lado a lado com as instituições que atuam nesse setor. No entanto, o comportamento da atual administração em relação ao réveillon e aos três últimos carnavais – o de 2020, por exemplo, não contou com nenhum centavo da prefeitura às escolas de samba – revela uma absoluta incompreensão sobre a diferença entre gasto e investimento.”

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