O ex-presidente e atual pré-candidato a presidência Lula (PT) participou na tarde desta quarta-feira de um evento com sambistas, trabalhadores e dirigentes de escolas de samba na quadra da Unidos da Tijuca. Durante o encontro, ao lado de sua esposa, Janja, de seu parceiro de chapa, Geraldo Alckmin, e de algumas lideranças políticas, Lula discursou para uma quadra lotada e inflamada.

Fotos: Luan Costa/Site CARNAVALESCO

O ato foi marcado pela presença de representantes do mundo do samba num manifesto em prol da pré-candidatura de Lula à presidência nas eleições de 2022 e em defesa do carnaval. Estavam presentes no encontro a presidenta de honra da Portela, Tia Surica, o carnavalesco Leandro Vieira, da Imperatriz Leopoldinense, o compositor André Diniz, o intérprete Neguinho da Beija-Flor, o também intérprete Pitty de Menezes, da Imperatriz, Noca da Portela, entre outras figuras do carnaval. Os discursos exaltaram Lula e defenderam a importância da valorização do samba e da cultura em busca de dias melhores. Dentre as falas, destacam-se as seguintes:

Fábio Fabato: “Por favor, acreditemos nos sonhos e nas políticas públicas que moram essencialmente numa escola de samba. Por favor, insiramos o samba e as escolas no orçamento público. Por favor. A gente fundamentalmente precisa que o Carnaval não seja mais paliativo. O Carnaval não é mero festejo, o Carnaval é identidade, é economia pulsante, é tudo aquilo o que com os olhos brilhando o senhor sempre falou e eu acompanho desde guri”.

Pitty de Menezes: “Meu presidente Lula, meu vice-presidente Alckmin, é uma grande honra estar aqui, emocionadíssimo! Eu vejo aqui muitos amigos que estão aqui hoje, cantores, intérpretes, músicos! E eu sou um jovem que comecei na escola mirim, passei pela Intendente Magalhães, passei pela Sapucaí, pelo Carnaval de São Paulo e passamos por muitos momentos difíceis com o prefeito que nós tivemos, que eu costumo dizer que é o nosso prefeito das cavernas, e olhando pro senhor aqui, eu tenho a certeza da esperança de um Carnaval com mais eh com mais visibilidade e com mais respeito. E olhando pro senhor eu digo pra todos, não tenho vergonha, a minha esperança não é verde a minha esperança é vermelha a minha esperança está no senhor Lula está no senhor vice-presidente Geraldo Alckmin”.

Leandro Vieira: “É uma alegria pra mim tá aqui participando da construção pelo menos do pensamento, da construção de um futuro melhor pra todo mundo. Disseram pro senhor que seria seu encontro com o mundo do samba. Mas eu acho que esse encontro é com o mundo do sambista. E eu acho que é bacana o senhor entender quem é o sambista. Muita gente vai falar do samba do Carnaval, da festa, mas é importante falar do sambista, eu acho bacana o senhor olhar pro rostinho de todo mundo aqui pra entender quem é o sambista e o senhor sabe quem é, o sambista é a classe trabalhadora, o sambista, o sambista é essa gente que anda de ônibus e precisa do transporte público, o sambista é a galera da periferia, o sambista é a galera da comunidade, o sambista é a costureira, o sambista é o carpinteiro, o sambista é o ferreiro, o sambista é a galera que borda, o sambista é uma galera que trabalha todo dia pra colocar o Carnaval na rua. A gente escuta a galera demonizar o Carnaval, a gente escuta a galera demonizar a festa que a gente faz porque as pessoas não entenderam ainda que a gente não faz festa porque a gente acha que a vida é boa. Eu falo sempre que o brasileiro faz festa porque a gente acredita que a vida precisa ser boa, não é porque é boa, mas a gente acredita que ela precisa ser boa”.

Lula recebeu o microfone das mãos de Tia Surica, em sua fala, o ex-presidente reforçou os discursos anteriores, exaltou a importância do carnaval para a economia, prometeu recriar o ministério da Cultura e disse que o povo do samba não tem que me mendigar por algo que é deles por direito.

O ex-presidente afirmou que tem priorizado discutir sobre cultura por todos os Estados que têm passado durante a pré-campanha, de acordo com ele, é importante deixar claro que cultura não é tapa-buraco, deve ser pensada em conjunto e valorizada. Ele disse ainda que tem se reunido com segmentos da cultura e que o primeiro ato após tomar posse será a recriação do ministério da cultura, além de criar comitês culturais em cada cidade para que a capacidade cultural do povo seja explorada.

“Cultura é arte. Cultura é emprego. Cultura é trabalho. E a gente precisa tratar com respeito o pessoal da cultura que ficou passando privações por conta da política de destruição que esse atual presidente da república fez com a cultura em nosso país. Eu estava vendo agora um material da prefeitura do Rio de Janeiro dizendo que esse ano no Carnaval do Rio me parece que o carnaval rendeu para os cofres da prefeitura, uma bagatela de quatro bilhões de reais. E havia uma mesma notícia que dizia que antes de terminar o Carnaval por conta da pandemia tinha sido declarado que o Carnaval rendia por volta de oito bilhões de reais”, disse Lula.

Lula ainda fez uma autocrítica, ao lembrar que quando era governante não olhava para o carnaval com a importância que ele merecia ter, segundo ele, erros do passado devem ser reparados em uma possível nova gestão. Ele ainda citou a pandemia ao dizer que o país ficou triste sem carnaval.

“Olha então eu fico imaginando como é que nós que já fomos governantes. Como é que muitas vezes a gente não enxerga as coisas como elas são? Como é que muitas vezes a gente deixa de fazer algo que estava no nosso nariz? Por que o carnaval não está no orçamento do Estado, por que os sambistas têm que mendigar? Se alguém tinha dúvida da importância do carnaval, precisa ver como esse país ficou triste e empobrecido quando não teve carnaval, por conta da pandemia”.

O pré-candidato do PT fez questão de exaltar o trabalhador do carnaval, seja ele o empurrador de carro alegórico ou a costureira, ele acredita que essas pessoas, muitas vezes moradores das periferias, são os que fazem a nação seguir em frente.

“Vendo um desfile de carnaval a gente não se dá conta que todas aquelas coisas maravilhosas que foram feitas alguém fez. E esse alguém que fez são as pessoas mais humildes que às vezes fica empurrando um carro alegórico, mas tem tanta importância quanto aquele que está em cima representando a alegoria daquela história. A gente não se dá conta de quantas mulheres passam tempos e tempos trabalhando dentro da sua casa ou da escola tentando produzir a fantasia que nós achamos maravilhosa e parece que foi importada de um país muito rico. Quando na verdade foi feita pelo povo pobre, trabalhador, da periferia do Rio de Janeiro, das comunidades do Rio de Janeiro que muitas vezes são tratados pela imprensa como se fossem bandidos, que fossem pessoas do mal. A gente não se dá conta. Porque a televisão é uma fantasia. As pessoas são invisíveis, mas são essas pessoas que constroem essa nação”.

Ao final de seu discurso, o ex-presidente disse que o samba é patrimônio imaterial do Brasil e que seus profissionais devem ser tratados com o maior respeito, como uma indústria cultural que tanto produz, o samba não deve mendigar favores, seus orçamentos devem constar na união.

“O que nós vamos precisar fazer é o seguinte: por que que o samba como tantas outras coisas não entra no orçamento da prefeitura, no orçamento do estado e no orçamento da união? Por que as pessoas tem que ficar mendigando ajuda pra um, ajuda pra outro, às vezes recebe um pouco de um, às vezes é até um sentido por causa do dinheiro, não precisa disso. Se é uma indústria capaz de produzir emprego, capaz de produzir profissionalização das pessoas, porque o que você sabe costurando as coisas nessa fantasia não é uma coisa qualquer. É uma demonstração da capacidade cultural de trabalhador das pessoas. Uma profissão. Então, gente, eu quero dizer pra vocês companheiros, o samba é um patrimônio imaterial nesse país. O samba definitivamente faz parte da cultura. Tem algumas coisas conhecidas no Brasil. E uma delas é o samba”, finalizou Lula.

Após o discurso, Lula foi muito aclamado, prometeu voltar à Sapucaí em 2023, tirou fotos com eleitores e caiu no samba ao lado de sua esposa.

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