A Mangueira fechou a segunda noite de ensaios técnicos do Grupo Especial com chave de ouro. Com enredo e homenagem a Cartola, Jamelão e Delegado, três grandes baluartes da escola, a Verde e Rosa fez uma ótima apresentação, com destaque para a comunidade e a bateria de mestre Wesley. Além da diversidade de roupas e adereços, a agremiação marcou o espaço dos setores. O treino durou 58 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

A apresentação da Mangueira foi marcada por grande chuva, que aumentou ainda mais quando a Verde e Rosa estava na Avenida. No entanto, o mau tempo não foi páreo para o canto e empolgação dos mangueirenses na Sapucaí. Tanto na pista quanto nas arquibancadas era possível ouvir o samba ecoando na Sapucaí. Antes mesmo de começar, o público foi a loucura e a escola se inflamou com as obras antigas da agremiação. Os componentes não pararam de cantar um só minuto.

“Quando se fala de nós mesmos, falar de Cartola, grande poeta, Jamelão, a maior voz dessa passarela e Delegado, o maior bailarino que já passou por aqui, é uma emoção muito grande para nós e por isso fizemos um ensaio tão bom. Se Deus quiser faremos também um ótimo desfile não só por nós da Mangueira, mas sim pelo público. Depois de dois anos sem pisar na passarela, fizemos uma bela apresentação. No dia 22 de abril estaremos aqui para celebrar uma grande festa e disputar o título”, prometeu o presidente Elias Riche.

Harmonia

Ponto forte do ensaio. Desde o primeiro até o último setor a escola cantou e contagiou todo o público. As baianas se destacaram não só pelo canto, mas pela roupa, que na parte de cima, representava uma grande bandeira da Mangueira, aliada a uma saia branca. Todas as alas merecem destaque, mas a ‘Carcará’, no segundo setor brilhou com muita animação e potência na voz. A escola trouxe muitas alas com balões e adereços que aumentaram ainda mais o espetáculo. Com bastante verde e rosa, a agremiação também mostrou alas coreografadas.

“A Estação Primeira de Mangueira fez o papel dela. A comunidade fez o papel dela. Nós trabalhamos muito para trazer esse desfile aqui na Sapucaí. Fomos brindados com os raios e chuvas de Oyá. Aconteceu isso em 2019 e nós levantamos o título. Acho que nossa apresentação foi pra lavar a alma do mangueirense, da comunidade, e pra firmar nosso nome como uma das favoritas ao título. A sensação de pisar na Sapucaí novamente é maravilhosa por tudo que isso aqui representa para o mangueirense, para o samba e para comunidade. É a nossa casa, é o ar que a gente respira e que o sambista respira. O grande final pro sambista é fazer essa apresentação aqui na Marquês, que é a casa do sambista”, comentou Renato Kort, diretor de harmonia da Verde e Rosa. * VÍDEO: VEJA AQUI COMO FOI O ENSAIO TÉCNICO DA MANGUEIRA

Mestre-sala e porta-bandeira

Quem também não ligou para o temporal na Sapucaí foi o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Matheus Olivério e Squel Jorgea fizeram brilhante apresentação no Sambódromo e esbanjaram simpatia, elegância e competência. Em 1m58s de dança, a dupla mostrou sincronia nos movimentos e foi ovacionada pelo público. Em determinado momento, ela teve que arrumar o pavilhão rapidamente, devido ao vento e a chuva, mas nada que atrapalhasse o show do casal. Ele vestia roupa marrom com detalhes em dourado, enquanto ela veio quase toda em dourado.

“Antes do ensaio começar a falamos que precisávamos de dois ensaios, um para extravasar e para valer. Que bom que choveu, lava a alma e é uma nova era, fizemos o nosso ensaio em paz e a nossa parte saiu bem. Essa chuva e esse vento são abençoados, mas para a gente acaba sendo um terror. Fizemos o melhor para a nossa escola, estamos ensinando aqui há um bom tempo e a pista está ótima”, disse o mestre-sala.

“A nossa fantasia é segredo. Não somos comissão de frente, mas é segredo”, comentou a porta-bandeira.

Samba

Criticado no pré-Carnaval, o samba da Mangueira foi cantado por todos os componentes e por boa parte da Sapucaí. A composição de Moacyr Luz e companhia rendeu no Sambódromo e mostrou força para o desfile em abril. Marquinho Art Samba também fez ótimo trabalhando e a todo momento impulsionava a escola.  ‘A voz do meu terreiro’, até o fim do refrão foi a parte mais cantada pelos integrantes, enquanto a virada do samba apresentou leve queda.

“Pra mim, foi o andamento de samba ideal para a avenida. Logicamente que ensaio tem sempre algumas coisas para ajustar no dia do desfile. No geral foi bom, muito bom mesmo. Ainda temos um mês pela frente e ainda vamos melhorar muito ainda. Eu acho que pelo pouco que vocês viram, com toda essa chuva e a avenida vazia, deu para perceber o impacto que foi. Nós estamos muito positivos, logicamente com muito pé no chão como sempre, mas vamos fazer mais um grande trabalho. Cantar os três, principalmente Jamelão que é ícone do carnaval é uma responsabilidade muito grande e me sinto extremamente agradecido, primeiramente a Deus, por me dar essa oportunidade. É um presente de Deus e espero retribuir no dia do desfile”, afirmou Marquinho Art Samba.

Um destaque especial também é merecido para a ala da gafieira, que além de muito bem coreografada, estava composta por componentes com o samba na ponta da língua. A escola garantiu um ótimo rendimento, muito também responsável não só pela harmonia, mas também pelo ótimo trabalho do carro de som.

Comissão de frente e bateria

Com linda dança, roupas verde e rosa e chapéu de palha de Delegado, a comissão de frente também brilhou neste domingo. Um dos destaques da noite foi sem dúvida a bateria da Verde e Rosa. Mestre Wesley apresentou trabalho impecável na Sapucaí e levantou as arquibancadas. A paradinha em ‘A voz do meu terreiro’ faz o componente gritar o samba e emenda em uma grande bossa até o o fim do refrão. Exuberante como sempre, a rainha Evelyn Bastos comandou os ritmistas com muito charme e samba no pé.

“Primeiro, a gente precisava mostrar isso porque uns dois, três meses atrás, nossa escola estava sendo muito criticada, como um dos piores sambas e, de um tempo pra cá, a gente foi devagarinho, de degrau em degrau, e hoje, não foi diferente, debaixo dessa tempestade, a gente conseguiu mostrar que a Mangueira é muito forte e foi igual 2019, a gente veio para o ensaio técnico debaixo de chuva e na quarta-feira de cinzas, fomos abençoados com o título e eu espero que em 2022 não seja diferente. Muito feliz com o resultado. Eu costumo dizer para os meus ritmistas e diretores que ninguém faz nada sozinho e eles mostraram que a bateria está muito unida para o carnaval 2022”, explicou mestre Wesley, que levará 250 ritmistas para o desfile.

Evolução

Com alas coordenadas e organizadas, a Mangueira evoluiu muito bem no Sambódromo. Componentes dançavam, brincavam e sambavam durante o ensaio, sem atrapalhar o andamento da escola. Outra característica que chamou atenção foi a quantidade de crianças mangueirenses presentes na apresentação. A Verde e Rosa trouxe uma ala só com mestres-sala e porta-bandeiras mirins, que deram show. Outra ala, a ‘Crianças da Mangueira’, também fez bonito na Sapucaí e mostrou importância da cultura local desde cedo.

Nos primeiros setores, a escola abriu pequenos espaços entre a bateria e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, e Evelyn Bastos preencheu a lacuna. Contudo, nada que prejudicasse a evolução. A escola levou para a avenida tripés que representavam as alegorias, assim fazendo com que a evolução funcionasse previamente como o planejado no desfile oficial.

Outro ponto forte da Mangueira conhecido por todos é a ala de passistas, que mais uma vez deu um show de samba no pé e presença, arrancando olhares admirados do público. O grupo não economizou na perfomance mesmo com tamanha chuva. Fica a expectativa para o desfile da Mangueira, que é a segunda a desfilar no dia 22 de abril, e promete uma grande ode aos gigantes da escola e do samba.

Participaram da cobertura: Leonardo Damico, Luan Costa, Danilo Freitas, Isabelly Luz, José Luiz Moreira, Ingrid Marins e Gabriel Gomes

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