Mestre Ciça é um dos principais responsáveis pela vitoriosa trajetória da Unidos da Viradouro em seu retorno ao Grupo Especial há dois anos. Referência para a maior parte dos mestres de bateria do carnaval carioca, sobretudo, quando o critério é criatividade e ousadia, o comandante da Furacão Vermelho e Branco não desapontou em 2020. Suas bossas inovadoras destacaram o potente canto da escola, enquanto a arriscada intervenção de um elemento alegórico elevou a força e o talento feminino dentre seus quase 300 ritmistas.

O resultado não poderia ser outro: a consagração não aconteceu apenas entre o público, que foi à loucura com a força dos timbales e do ijexá, mas também perante os julgadores. Ao contrário de 2019, quando um dos avaliadores puniu a vermelha e branca por considerar que o andamento acelerado teria prejudicado alguns naipes, dessa vez, com um andamento na casa das 146 batidas por minuto, a bateria gabaritou. Ciça, embora tenha uma longa história na Viradouro, foi finalmente campeão com a escola do Barreto.

Um dos segredos para o sucesso foram os treinos incansáveis. A Viradouro chegou a realizar 15 ensaios de rua.

“Os ensaios foram exaustivos mas valeram a pena. Quem quer corrigir a bateria tem que ensaiar mesmo. Vamos continuar trabalhando muito para o próximo ano, não vamos parar. Hoje a gente está no céu, consagrados, mas pro ano que vem começa o trabalho todo de novo. Pra 2021 a responsabilidade é ainda maior do que foi esse ano”, contou Ciça, que antecipou sobre a principal mudança que pretende impor na Furacão Vermelho e Branco.

“Não vai ser fácil, vai ser muito duro, mas vamos reduzir a bateria. Quero vir pra avenida com 260 ritmistas, essa é a minha meta. Com 300 componentes fica muito mais trabalhoso pra organizar e comandar”, explicou o mestre.

O que com certeza não muda é a complexidade e o nível de dificuldade e ousadia do trabalho desenvolvido à frente da bateria da Viradouro.

“Arriscar está no meu DNA. Mas sempre digo: é arriscar com responsabilidade, sabendo o que está sendo feito, sem exageros. Nesse ano eu tinha a certeza de que daria tudo certo”, reforçou.

Outra característica marcante no comando da vitoriosa bateria de 2020 foi a quantidade de mulheres: eram 45 ritmistas. Ciça aprovou a dedicação e o talento delas.

“As mulheres entram na minha bateria porque têm qualidade pra isso e é o que tem que prevalecer entre os meus ritmistas”, afirmou.

Outra parceria consolidada neste carnaval foi com o intérprete Zé Paulo Sierra.

“O Zé é um cara fantástico, um profissional que trabalha muito pra fazer o melhor, é fácil trabalhar com ele. Nada é improvisado: o diálogo que levamos para avenida entre a bateria e o carro de som é testado muitas vezes pra que nada saia errado”, revelou.

Ciça também falou sobre os arranjos preparados para o desfile campeão, que ressaltaram a força do canto do componente e do famoso “Ensaboa”.

“O som da avenida é muito alto, se a gente não para, ninguém ouve a comunidade cantar. O samba de 2020 tinha nuances que precisavam ser aproveitadas na avenida. O ‘Ensaboa’ é um achado! É uma obra que sofreu algumas críticas, gerou algumas preocupações durante as eliminatórias, mas depois provou o seu valor”, contou.

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