Logo no começo da pandemia do novo coronavírus no Brasil, e que se fez necessário o isolamento social para preservar vidas, a Grande Rio deu início a uma campanha de arrecadação de alimentos e materiais de higiene para a comunidade caxiense. A agremiação abriu as portas da própria quadra para receber e distribuir donativos, ajudando dessa forma milhares de famílias, principalmente as de maior vulnerabilidade social, a se manterem ao longo do período de calamidade pública.

Passados seis meses do início da iniciativa, o site CARNAVALESCO conversou com o mestre Fafá, comandante da bateria Invocada desde 2019, que foi um dos responsáveis por encabeçar o movimento em favor dos mais carentes. No bate-papo, ele fez um balanço acerca da campanha, contou curiosidades das ações realizadas e destacou a importância do trabalho de ajuda aos segmentos e as comunidades no entorno da escola.

“A Grande Rio, assim que começou a pandemia, decidiu usar o marketing que tem com os artistas e a abertura que tem com algumas empresas para poder fazer uma campanha de arrecadação de alimentos. Por eu ser sempre engajado com essas coisas, o presidente (Milton Perácio, da Grande Rio) pediu para que, juntamente com outros nomes da escola, ficasse de frente e tocasse com isso”, relatou Fafá. “E particularmente, eu vi uma realidade que já não via há muito tempo”, complementou.

Foi então que Fafá recordou uma experiência que viveu com uma das pessoas ajudadas pela iniciativa da escola. “Me comovi com a história de uma menina, que a mãe dela estava acamada, e ela não tinha praticamente nada. Conseguimos várias cestas básicas para ela. A mãe dela tinha um tumor, usava muita fralda geriátrica, mas com o dinheirinho que elas ganhavam, ou se alimentavam, ou compravam a fralda. Eu conversei com a rainha Paola (Oliveira, atriz e rainha de bateria da Grande Rio) e ela nos ajudou”, lembrou o mestre.

Ao todo, as ações atenderam às comunidades do Centenário, Corte Oito, Lixão, Mangueirinha, Sapo e Vila Ideal, além dos componentes da agremiação e da escola mirim Pimpolhos da Grande Rio, que se encontravam em situação de insegurança alimentar. “A gente tentou ajudar o máximo de pessoas que a gente conseguiu. Alguns amigos de outras escolas me mandavam mensagem perguntando se a cesta era restrita ao pessoal da Grande Rio. Eu dizia que não, ajudava quem precisava realmente, e assim ajudei muitas pessoas de outras agremiações, de outros bairros e municípios”, destacou o mestre.

Já outra história que Fafá rememorou, ocorreu dentro da própria tricolor de Caxias. “Tinha um número x de cestas e conseguimos separar umas 170 para bateria. E a bateria da Grande Rio tem entorno de 270 ritmistas. Ou seja, 100 pessoas não iam receber. Então, a gente pediu para galera que tivesse trabalhando e que tivesse ainda condições de se manter, que deixasse essa cesta para alguém que precisasse. Enfim, acabou que boa parte da bateria falou que tava tranquilo, que dava para segurar, e a gente conseguiu ajudar outros setores da escola, já que sobrou bastante cesta. Dessa forma, ajudamos mais baianas, mais passistas, etc..”, pontuou.

O mestre de bateria ainda ressaltou que a ajuda dada pela agremiação foi muito além da distribuição de materiais. “Se eu não tiver enganado, a gente distribuiu algo em torno de umas sete ou oito mil cestas básicas, fora uma parceria que a gente fez com o Outback, que um domingo sim e outro não, a gente dava almoço para todo mundo. Teve também uma campanha de Dia das Mães, que a gente foi na comunidade, e entregamos um almoço feito pelo Outback, com nutricionista e tudo mais, que foi muito bacana”, relembrou.

Na visão de Fafá, toda esta campanha de ajuda ao próximo foi algo gratificante, que não deveria ficar resumindo ao atual cenário caótico. “A gente só está retribuindo um pouco do que as pessoas fazem por nós. Somente as pessoas da escola, o carinho que a pessoas têm, a dedicação de ir lá todo ensaio, de estar presente… Em um momento tão difícil como este, a gente não podia virar as costas! Não só para as pessoas que estão ali próximo à Grande Rio, mas em geral. Acho que esta ação não tem que ficar restrita apenas para pandemia. Pelo menos uma vez por ano, a gente tem que fazer uma ação assim, de arrecadar alimento, distribuir em orfanatos e coisas do tipo”, defendeu. “É muito importante você poder ajudar as pessoas, poder retribuir o carinho que elas têm com você. Isso não tem preço, não tem custo, não tem nada disso. Quando é feito com coração, é de verdade”, concluiu.

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