Por Matheus Matos. Fotos: Felipe Araújo/Liga-SP

A Mocidade Alegre realizou o seu segundo ensaio técnico, na noite desta sexta-feira, no Anhembi, visando o desfile do carnaval de 2020. A chuva ameaçou, mas a agremiação aproveitou o clima seco durante todo o trajeto. Em comparação ao primeiro, a agremiação mostrou uma maturidade maior no quesito de evolução e comissão de frente. Elogiado anteriormente, o canto também se manteve como destaque.

Faltando cinco minutos para o início do treino, a presidente Solange Cruz fez um breve discurso: “Bora fazer acontecer. Extravasa, se liberta, faça tudo com muita alegria e vibração”.

Evolução

O quesito foi um dos pontos que mais cresceu. A separação dos componentes estava mais clara, as camisetas tinham o nome da respectiva ala e facilitaram a identificação, o andar seguiu um padrão e os desfilantes estavam soltos e alegres. A Morada traz diferentes tipos de coreografias dentro das alas, e isso provoca movimentação. A localizada logo atrás do abre-alas exemplifica o argumento de “escola solta”, onde todos coreografavam nos momentos certos, mas reagiam com espontaneidade nos momentos livres.

Outro detalhe positivo é a presença de adereços em praticamente todas as alas, tanto de mão quanto de cabeça, e até em outras partes do corpo. Um ponto observado é que, durante a bossa da bateria que pede palmas, nota-se componentes fora do compasso, fugindo da proposta.

“O primeiro ensaio o foco era o canto, e nesse segundo o foco era o canto e a evolução, e esse ensaio eu me preocupei muito com relógio. Tempo de saída da comissão, tempo do casal se apresentar, tempo de saída da escola. Pelo tamanho que eu tava, foi bem satisfatório. Foi uma boa evolução do primeiro”, explica Júnior Dentista, diretor de carnaval.

Comissão de frente

O quesito apresentou uma coreografia com maior preenchimento de espaços na avenida, bailarinos com mais certezas dos movimentos e poucos detalhes de falta de sincronismo. A presença do tripé contribuiu para uma percepção de desfile, onde contém interação, principalmente, da parte masculina da comissão. No mesmo instante, a parte feminina é responsável por uma coreografia que promete ser um ponto de destaque.

Mestre-sala e porta-bandeira

O casal Uilian Cesário e Karina Zamparolli evoluiu fantasiado, onde o bege e o marrom predominavam, com alguns detalhes branco. Vistos em frente à arquibancada monumental, ambos demonstraram respeito ao público, dançando e interagindo. A dupla traz passos que casam com a letra, de forma sútil e bem executados.

“Essa segunda noite de ensaio foi muito importante. A gente segue corrigindo alguns detalhes que ficaram no primeiro, mas acredito que o saldo é positivo. A gente sai bem feliz com hoje”, disse Uilian Cesário.

“Cada ensaio a gente consegue aprimorar mais a nossa dança. Hoje saímos muito satisfeitos, e espero que no último ensaio a gente já saia com a sensação de estamos prontos para o desfile. Se Deus quiser, rumo à nota máxima”, finalizou Karina Zamparolli.

Harmonia

O canto da escola mantém um bom nível. A letra é escutada com clareza e a diferença de volume entre setores não é claramente perceptível. Os trechos “Ê mulher”, “Lá vem ela” e o refrão principal foram cantados com mais entusiasmo. O argumento apresentado é notado principalmente no terceiro setor, com alas que dominam o samba.

Bateria

A Ritmo Puro ainda mantém a característica de realizar bossas em trechos específicos, como nas cabines de jurados e todas na arquibancada monumental, a maior do Sambódromo do Anhembi. Logo ao cruzar a linha final, o mestre Sombra ainda voltou pra avenida, soltou todas as bossas do repertório de 2020, e após isso encerrou de vez. A rainha Aline Oliveira estava com uma fantasia com uma figura de cobra no braço, escamas do réptil em detalhes na pele e cores trabalhadas com degradê.

“No primeiro ensaio o pessoal tava voltando de férias, ainda um pouco relaxado. Agora voltou no estágio normal, estamos dentro da média”, explicou mestre Sombra.

Samba-Enredo

O hino do ano tem letras que fogem do padrão e melodia ousada. Mesmo com a complexidade, os componentes cantam com bastante clareza e domínio de cada trecho. O intérprete Igor Sorriso valorizou mais a resistência e a sustentação do samba, realizou cacos melódicos e trabalhou aberturas de vozes. O time de cordas tem arranjos dentro do samba e bossas, que causam um efeito positivo.

“A gente está numa constante evolução, o povo está cantando mais, o povo estava mais solto. A tendência é no último ensaio o pessoal vir ainda mais alegre, pra que no desfile venham todos 200%”, ressalta o intérprete Igor Sorriso.

Outros destaques

Um destaque da noite ficou por conta da ala das baianas. Além da alta quantidade e simpatia em praticamente todas, a divisão das cores também foram pensadas. Olhando de frente, as do lado esquerdo trouxeram a cor amarela no saiote, enquanto as do outro lado com vermelho. Cerca de 56 mulheres ensaiaram.

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