Por Matheus Mattos. Fotos: Felipe Araújo/Liga-SP

Segunda escola do Grupo Especial a ensaiar na noite de domingo, a Acadêmicos do Tatuapé manteve o alto nível técnico da agremiação anterior. Pontos como casal, bateria e, principalmente, harmonia, foram os destaques positivos. A escola sofreu com a entrada da bateria no recuo, mas nada que afetasse o treino.

O esquenta iniciou com bastante emoção, principalmente, pela presença da Leci Brandão. A cantora aproveitou o momento pra discursar e lembrou da mãe:

“Hoje é dia 26 de Janeiro. Exatamente há seis meses atrás eu tive a Tatuapé no momento mais difícil da minha vida. Ela hoje não está aqui, ela que me acompanhou desde 2012, sempre desfilou aqui nessa escola. Eu fiquei pensando se viria no desfile ou não, mas eu tive que vir hoje. Não podia deixar de vir, abençoar todos os meus afilhados e agradecer por tudo que vocês me deram nesse momento de tristeza”, finalizou a cantora.

Comissão de frente

O quesito trouxe bailarinos com véu wings, que é um acessório muito visto na dança do ventre. Ele tem o mesmo efeito de asa e proporciona um ótimo efeito visual quando sincronizado com mais integrantes. A comissão traz 14 homens com o objeto, e uma mulher como a personagem principal. Comparado ao ano passado, a agremiação decidiu por coreografias mais soltas e passos rápidos, com grande preenchimento da avenida.

Samba-enredo

O desempenho da ala musical, junto ao Celsinho Mody, teve saldo positivo. Primeiro pela postura de valorizar o canto da escola, em pequenos trechos todos os cantores paravam para que a comunidade se destacasse. Segundo pela postura do time de cordas, arranjos eram realizados em frases específicas e com mais cautela em comparação ao último desfile. Os desenhos dos cavacos dentro do apagão também teve ótimo efeito. Outra questão que merece destaque é o início da segunda estrofe. Celsinho canta sozinho cinco versos até o restante retornar ao canto, emendado com abertura de voz.

“Ali do carro de som a gente não tem uma visão de tudo, mas pelo que vi gostei demais, a comunidade está muito feliz. A nossa meta sempre é cantar muito o samba, cantar as frases de forma igual, para que o jurado escute todas as palavras. To muito feliz com o resultado de hoje”, conta o intérprete Celsinho Mody.

Mestre-sala e Porta-bandeira

A dupla oficial Diego e Jussara ensaiou com muita segurança, simpatia e domínio da execução de cada passo. O casal tem um entrosamento notório, ato visto principalmente durante o cortejo. Diego não economiza nas reações do rosto, é como se o próprio olhar traduzisse o passo que executa. Outro ponto de bastante relevância na noite de domingo é a presença do pai da Jussara. Ele acompanhou a filha durante todo o trajeto, cantava o samba com alegria e cumprimentava todos que cruzava o caminho, mesmo não sendo integrante da escola.

“Tudo que nós vínhamos ensaiando e aperfeiçoando, conseguimos colocar em prática. Claro, se a gente falar que estamos 100%, nós não teríamos uma melhoria nunca, e pra gente nunca estamos 100%. A gente sempre procura aperfeiçoar, mesmo sabendo que cumprimos tudo aquilo que planejamos”, afirmou Diego.

Sobre a presença do pai, Jussara revela carinho:

“Ele é o meu amuleto. Foi através dele e da minha tia que entrei pro carnaval, e já são 21 anos que ele desfila comigo. Quando ele não tá, parece que tá alguma coisa errada. Eu chamo ele de meu segurança, mesmo tendo um metro e meio (risos)”.

Bateria

A Bateria Qualidade Especial teve um desempenho correto, sem economizar nas bossas. Percebe-se uma postura estratégica para cada paradinha e arranjo. Na monumental, a batucada usou todo o seu repertório, inclusive o apagão. Destaque para a bossa que entra logo no final da segunda estrofe, quebra o ritmo quando entra, volta com dois compassos só de surdos na cabeça do refrão, pra depois retomar por completo.

“O ensaio de hoje foi bastante positivo, não só pra bateria quanto pra toda escola. Eu gostei bastante”, disse Mestre Higor.

Harmonia

Destaque da escola por anos, o canto mantém a qualidade e a força característico da Tatuapé. Os dois refrões, e o final da segunda estrofe, são os trechos cantados com mais empolgação. É importante frisar que o volume das vozes não oscilou entre setores e manteve o padrão durante o técnico.

Evolução

O quesito não transpareceu erros e teve um bom desempenho. O único ponto a rever para os próximos ensaios é a entrada no recuo. A bateria organiza uma coreografia com a ala da frente. Os componentes entram no recuo antes da bateria, demarcam o local de posicionamento e, quando os ritmistas entram, a ala anda na contramão e preenche o vazio da avenida. Conforme as alas seguintes andam, as fileiras entram no recuo gradativamente. Porém, algumas falhas de comunicação atrapalharam a movimentação. Apesar da situação levantada, o restante do treino foi executado com êxito. A escola passou com 62 minutos e com cerca de 1.700 componentes.

“O primeiro ensaio técnico supriu as nossas expectativas, conseguimos executar tudo que planejamos. Sabemos que tem coisas pra corrigir, podemos melhorar muito, e vamos trabalhar para o próximo ensaio”, revelou Edu Sambista, Diretor de Carnaval.

Outros destaques

Dois destaques do treino da Tatuapé foram notados. O primeiro é o tamanho da separação do abre-alas e da última alegoria. Ambos tem quase a largura da metade da arquibancada monumental. Outra questão positiva foram as baianas. Todas as mulheres esbanjaram simpatia, cantaram o samba interagindo com a plateia e evoluíram com uma rosa branca em mãos.

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