A morte do compositor Diego Tavares, aos 37 anos, vítima da Covid-19, na última segunda-feira, abalou o mundo do samba e gerou uma série de reflexões. Entre elas, sobre a realização de eventos durante a pandemia, como as disputas de samba-enredo, e os cuidados tomados na produção destes. A reportagem do site CARNAVALESCO conversou com os também compositores Diego Nicolau e Samir Trindade para ouvir deles o que muda ou não, a partir desta perda.

Para Diego Nicolau, autor de sambas em diversas escolas e cantor principal da Unidos de Padre Miguel, o falecimento do xará fez com que a preocupação com um possível contágio pelo novo coronavírus aumentasse. “O Tavares era muito próximo, meu parceiro de samba e fora dele. Quando os números de mortes passam a ter rosto, por mais que a gente já se cuide, é natural que reforcemos ainda mais esses cuidados”, destacou.

Na prática, o receio de contrair a Covid-19 tem levado Diego Nicolau a dizer não para alguns trabalhos. “Já venho agradecendo mas declinando de convites à lives e deixando de ir a compromissos pessoais que aglomeram pessoas. É triste ter que mudar nossa vida social e ter de abrir mão de tanta coisa, porém, por enquanto, é o que pode ajudar a nos proteger. Que venha a vacina e que até lá possamos nos manter saudáveis”, relatou o compositor e intérprete.

Tal pensamento é similar ao compartilhado por Samir Trindade, responsável pela autoria de diversas obras do carnaval, nas mais variadas agremiações. Ele, que já participou de alguns eventos e disputas ao longo da pandemia, se diz hoje arrependido e crítico a realização.

“Nós, compositores, fazemos tantas letras sobre resistência, sobre luta, sobre história… Sinceramente, embora seja um vício fazer samba, existem coisas mais importantes neste momento. A gente não sabe quando vai ter carnaval, se vai ter carnaval, então é uma coisa sem sentido disputa de samba. Não agrega em nada agora. É uma coisa desnecessária, que realmente pode esperar”, defendeu Samir.

O compositor alega que os protocolos exigidos para evitar o contágio pelo novo coronavírus não são suficientes. “As lives nas quais eu participei o máximo que aconteceu foi medir a temperatura. E isso não é o ideal para saber se a pessoa está com a Covid-19 ou não”, pontua. “Vamos esperar, vamos ser prudentes e vamos ser exemplo. O que aconteceu com o Diego me fez refletir e mudar a minha atitude”, conclui Samir.

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