Por Gabriella Souza

Foi na noite deste sábado e percorrendo toda a madrugada de domingo que o reencontro tão esperado pelo torcedor independente veio abrilhantar o Maracanã do Samba, quadra da Mocidade, na Avenida Brasil. O trunfo da reunião de Elza Soares e Sandra de Sá foi em uma apresentação intimista com a comunidade de Padre Miguel, que aos aplausos, lágrimas e olhos brilhando receberem e selaram o enredo e samba de 2020.

Enredo este sonhado por todos os setores da Mocidade e samba aclamado por torcedores e apreciadores do carnaval. O evento que teve cinco horas de duração contou com um ensaio show da bateria ‘Não Existe Mais Quente’, apresentação completa de Sandra de Sá e banda, participação de Elza Soares e a união das duas cantoras para a celebração do samba escolhido. O ‘Divas In Concert’ foi mais um momento memorável deste 2020 de grandes emoções para o componente da verde e branca da Zona Oeste.

A homenageada em alcunha de ‘Deusa’, Elza fala sobre a emoção de ser enredo na escola em que cresceu e da noite de reencontro com Sandra e sua comunidade.

“O que eu posso sentir a não ser felicidade, alegria e vontade de chorar ali na hora? É muita beleza junto para um ser humano só. E bom, nesse desfile da minha vida é claro que não pode faltar a minha Mocidade, uma das partes principais da minha história. Hoje a gente vai brincar, vai ser uma apresentação para todos nós. Eu nasci aqui, minha casa, minha terra, mais Padre Miguel que eu não tem, me sinto muito feliz”, conta.

Sandra que conduziu a noite e selou o encontro com Elza junto com sua escola, se diz emocionada com o momento.

“Emoção é ruim de falar mas é gostoso de sentir, e, bom, é muita. A importância desse show hoje é magnífica para mim e para todos os nossos parceiros do samba. Eu quero é saber do público, como está sendo esse samba para eles, para mim é incrível, mas sinto que é também para os outros”, disse.

O show de Sandra abriu a madrugada com muita personalidade em sua performance, animando o público ao som de grandes sucessos como ‘Vale Tudo’, ‘Olhos Coloridos’, ‘Retratos e Canções’, ‘Bye Bye Tristeza’ e outras, foram em torno de 19 músicas no repertório da cantora, com o apoio de sua banda e duas backing vocals. Ao final de seu show solo, Elza subiu ao palco para emocionar o público com alguns de seus sucessos.

Ainda impossibilitada de andar devido a problemas de saúde, foi levada em uma cadeira e de lá encantou com canções como ‘Malandro’, ‘A carne’, ‘Se acaso você chegasse’ e ‘Volta por cima’ cantada junto com Sandra e coro do público presente.

Wander Pires que se apresentou no ensaio show junto da bateria e segmentos da escola, rememorou alguns sambas da Mocidade e também os mais recentes, encerrou sua apresentação representando o samba de 2020 e com um discurso em que disse estar feliz com o momento que a escola e os componentes estão vivendo, agradeceu ainda aos seus dirigentes pelo trabalho que está sendo realizado.

“Estou muito feliz porque esse ano a escola inteira está com uma uma energia muito diferente, um clima incrível. A Mocidade está fazendo um trabalho maravilhoso com esse enredo tão esperado por todos nós. Queria deixar meu agradecimento a todos os setores, nosso patrono Rogério de Andrade, presidente Flávio Santos, vice-presidente Luiz Cláudio, diretor de harmonia Wallace Capoeira e a pessoa que faz grande parte desse carnaval acontecer que é o nosso diretor de carnaval Marino. Confio no nosso trabalho e será lindo”, garantiu o cantor.

Uma das pessoas mais emocionadas ao longo de toda a noite foi Babi Cruz, histórica ex porta-bandeira da escola e torcedora assídua da Mocidade que diz aos prantos e com muita emoção estar realizada com esse enredo e o encontro de Elza e Sandra nesta noite.

“Eu poderia ficar aqui horas falando porque não há resumo para isso, o silêncio valeria mais que mil palavras, é muita coisa. Há cinco anos eu venho conversando com a Elza para ser enredo e ela dizia que não, que eu estava a ‘agourando’. Mas eu a disse, que ela teria duas opções, ser enredo viva e linda do jeito que está ou morta. Que se for para morrer que seja na Avenida. E graças a Deus ela aceitou estar aqui e é uma conquista. Sandra junto com Elza formam uma dupla que representa superação, negritude e que me orgulha muito. Eu gostaria de ser Elza, mas sou uma amante de Elza. Sou mulher, guerreira, negra, sambista, sou Mocidade e Vila Vintém igual ela. Assim como Sandra que admiro e me orgulha tanto”.

‘O samba é do meu filho, o Arlindinho é um dos parceiros do samba e eu não posso esconder essa emoção’, disse Babi Cruz

Babi revela ainda que seu filho e músico Arlindinho participou da composição do samba e que a família Cruz foi quem convidou Sandra para a parceria.

“Outra conquista que até me disseram para não falar mas eu vou. O samba é do meu filho, o Arlindinho é um dos parceiros do samba e eu não posso esconder essa emoção, essa realidade. Com muito carinho e orgulho eu tenho em dizer que família Cruz foi quem convidou a Sandra para integrar esse samba enredo e é muita felicidade para nós ver tudo isso acontecendo aqui hoje”, revelou.

Professor Laranjo, um dos compositores do samba da escola em 2020, fala do peso que o enredo teve nos processos de composição e da reunião das duas cantoras na quadra da escola.

“É muito importante quando a gente tem um enredo que conhecemos e sabemos quem foi, era um enredo que toda a comunidade de Padre Miguel já cobrava e pedia muito. E quando pegamos para fazer o samba, já fomos muito animados porque a Elza é a cara da Mocidade e ainda ter junto conosco a Sandra que é muito amiga dela, foi incrível. Fomos vencendo etapas prazerosas, fomos trabalhando em cima da vida da Elza, reunindo histórias e chegamos em um samba que foi aceito pela comunidade desde o início e isso é o mais importante para nós. E essa reunião de Elza e Sandra acontece muito lá fora e por que não acontecer aqui dentro na quadra da Mocidade? E está acontecendo, com todo mundo animado, alegre e curtindo como tem que ser no samba”, declarou.

Com a quadra cheia, muitos foram os independentes que se emocionaram com a apresentação e consolidação do enredo tão aguardado por toda a comunidade da escola, como contam alguns componentes, que expressam suas emoções e expectativas para o carnaval de 2020 da verde e branca e da apresentação da noite.

Eduardo Salviano, 44 anos, auxiliar de almoxarife é ritmista da escola e está há sete anos na escola, diz estar animado com o enredo e que esse show de hoje simboliza a importância de Elza para a cultura brasileira.

“Posso falar, sem dúvida, que esse hoje é o melhor enredo da Mocidade nos últimos anos, gostei muito mesmo, é maravilhoso. A Elza é um ícone, tem uma história muito rica dentro da Mocidade e da cultura musical brasileira”.

Flávia, cabeleireira e componente da escola a 15 anos, e diz estar orgulhosa da Mocidade levando para a Avenida esse enredo, se diz ainda animada com a apresentação.

“Sou Mocidade de coração e é uma honra ver a Elza Soares que é uma pessoa incrível, um ícone da nossa história aqui, eu a admiro muito e eu acho que a Mocidade fazendo um enredo em homenagem a uma pessoa em vida é a melhor coisa do mundo. Esse show está sendo incrível, maravilhoso”.

Lurdes Silva, de 53 anos, professora, desfila na verde e branco há 32 anos e conta estar emocionada com a volta de Elza para a escola e com o enredo que foi tão aguardado por toda a comunidade.

“Ver Mocidade e Elza juntos novamente aqui é uma emoção gigantesca, é lindo. Tudo o que a comunidade pedia e isso se tornando realidade, é um momento de celebração para nós aqui hoje, com Elza, Sandra e toda a escola unida”.

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