A Grande Rio divulgou na tarde desta quinta-feira, em suas redes sociais, que voltará sua disputa de samba-enredo para o Carnaval de 2022. A atual vice-campeã do carnaval carioca, terá o enredo “Fala, Majeté! Sete chaves de Exu” e levará para a Marquês de Sapucaí histórias e manifestações culturais ligadas à simbologia dessa entidade tão múltipla e tão presente no universo das escolas de samba. Trata-se do segundo enredo autoral proposto pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora para a tricolor de Duque de Caxias. Pelo terceiro ano consecutivo, os carnavalescos dividem a pesquisa do enredo com o historiador e antropólogo Vinícius Natal.

“Chegou o momento tão esperado! Retomando nossos trabalhos para o Carnaval 2022, serão anunciados no dia 2 de agosto os 10 sambas classificados em nossa disputa para as eliminatórias. As próximas datas serão divulgadas em breve”, informa a tricolor de Caxias.

Para Haddad, o enredo é a continuidade de um projeto artístico:

“Exu apareceu de maneira pontual nos últimos três enredos que eu e Leonardo levamos para a Marquês de Sapucaí, então é algo que está no nosso imaginário artístico. Eu sempre tive o desejo de desenvolver um enredo dedicado a Exu, até mesmo pela ligação com o meu avô materno, que tinha um terreiro. Ao longo do processo de feitura do carnaval do ano passado, começamos a esboçar as ideias que nos levaram a essa nova narrativa, que segue por caminhos muito diferentes, tanto na forma de contar o enredo quanto no visual que já estamos colorindo. Existem, sim, os diálogos internos, o que é parte fundamental do nosso processo criativo. A crítica de arte e curadora Daniela Name definiu esse nosso processo como um bordado, um fluxo contínuo, algo que muito diz do que entendemos por energia de Exu. Nós gostamos da experimentação, dos contrastes, de transformar algo que estava parado, os tecidos mais velhos do almoxarifado, na decoração do carro abre-alas. Eu acho que essa visão inquieta diz muito do dinamismo de Exu, que gosta de jogos, brincadeiras, desafios, não se prende a receitas prontas do que dizem que é bom ou belo. Gosta é de provocar e de gerar debate”, explicou Haddad.

Bora, que também entende que o enredo sintetiza a forma de pensar e fazer carnaval da dupla, complementa:

“Quando lançamos o “Igbá Cubango”, dissemos que ele havia sido gestado pelo Bispo do Rosário: uma coisa estava dentro da outra. De certa forma, o “Fala, Majeté!” estava dentro do “Tata Londirá”: lemos, debatemos e aprendemos tanto a respeito de Exu, durante o processo de confecção do último desfile, que não foi uma surpresa quando percebemos que um novo enredo já estava em formação. Reunimos muito material e muitas, muitas histórias. Havia o interesse e a curiosidade, faltava um sinal, um início. A escritora Conceição Evaristo nos visitou, na primeira semana de janeiro, e passamos um bom tempo debatendo a simbologia da capa de Exu produzida pelo Bispo do Rosário. Os apontamentos dela nos mostraram um caminho maior, extremamente rico, e decidimos nos aventurar por ele. O resultado é um enredo que trata de coisas muito próximas da gente, a rua, a feira, o carnaval, o lixo, um enredo que não apresenta uma visão fechada, quadrada. O nosso Exu se desdobra em sete chaves de interpretação, chaves essas que abrem infinitas outras portas. Para nós, carnavalescos, isso é ótimo: a possibilidade de assinar mais um enredo autoral e dar continuidade a uma caminhada artística que extravasa os limites da avenida e se transforma em outras ações. Quem imagina que será uma repetição de Tata Londirá está enganado”, afirmou Bora.

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