Por Victor Amâncio

Com o objetivo de promover espaços para discussões teóricas do carnaval com estudantes de graduação e pós-graduação, o Observatório de Carnaval da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, entregou para carnavalescos e dirigentes das escolas as análises das sinopses. O evento que ocorreu na sexta-feira, na quadra do Paraíso do Tuiuti, as análises das 27 agremiações, do Grupo Especial e do Grupo de Acesso, foram feitas por alunos da
universidade.

Buscando uma aproximação maior entre os dois espaços, que já dividiram nomes como Fernando Pamplona e Rosa Magalhães, o OBCAR promove palestras e debates para que esse casamento possa ser positivo para ambas partes. As análises entregues foram publicadas no site CARNAVALESCO, o que para a equipe é de grande valor pois desta forma o grande público também tem acesso a essas obras e pode entender a perspectiva da academia para a festa.

Cleiton Almeida, um dos coordenadores gerais do OBCAR, ressaltou a contribuição do carnaval para os estudos acadêmicos e reiterou que as narrativas artísticas, sociais e culturais que a festa produz são o que alimentam a academia, pois sem essas produções, a universidade, não teria o que analisar. Para ele, essa aproximação com o carnaval não é para levar conhecimento e sim para trazer o conhecimento produzido, na manifestação
artística popular, para o debate dentro da faculdade.

“Esse estudo é uma maneira de documentar tudo o que acontece hoje no carnaval para daqui a 50 anos, por exemplo, as pessoas possam olhar esses documentos e analises que estão sendo produzidas hoje e entender o contexto social e histórico que o carnaval vive. Hoje só conseguimos estudar os carnavais do passado graças a estudos que fizeram na época. Estamos a serviço do que o carnaval produz”.

O carnavalesco Jorge Silveira, um dos homenageados pelo OBCAR, em 2018 realizou na São Clemente um enredo que falava sobre o processo da academia abraçar o samba, e vice-versa. Ele acredita que o Observatório resgata essa iniciativa que tinha sido perdida nas gerações passadas e retorna agora com um olhar diferente, voltado sobre o conceito da festa, para pensar, discutir e criar um espaço para que profissionais conversem entre si.

“A academia foi responsável por transformar a manifestação do Rio de Janeiro no maior espetáculo visual do planeta com o seu conhecimento. Foi fundamental para fazer a festa crescer e hoje acho que é muito importante para ajudar na renovação dos profissionais”.

Os enredos das escolas de samba tem como ponto fundamental a pesquisa, e nesse ponto se aproxima da academia. O carnavalesco da União da Ilha e da Santa Cruz, Cahê Rodrigues, acredita que essa iniciativa é essencial para o momento que o carnaval vive e para chegada de novos talentos no carnaval.

“Tem uma galera que não sabe como iniciar no carnaval, e a academia começa a abrir portas para essa juventude. É oportunidade e registro para história do carnaval, essa parceria é importante para continuidade da festa”.

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