A Viradouro pisou com a intenção de elevar o nível do carnaval carioca e consolidar o peso de seu pavilhão em composição de alegorias, fantasias e adereços. A agremiação foi a segunda a desfilar e trouxe grandiosidade e detalhamento em todo seu conjunto alegórico. As alas 1 e 2, respectivamente “Mãe Lavadeira” e “Pai Pescador”, traziam a marca da linha artística dos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon. A escola mesclou o moderno com o clássico. Moderno por possuir texturas cintilantes em seu abre-alas. Com sobreposição de tecidos, brilhos e tons complementares de dourados. E clássico por seguir a tradição de alegorias grandiosas.

O primeiro tripé da escola foi o “Quem lava a alma dessa gente veste ouro”, pedindo benção a Oxum, padroeira das Ganhadeiras de Itapuã. A escola elevou sua representação com imensa delicadeza, profissionalismo e respeito. Ao pedir passagem, Oxum apresentou a Viradouro à Sapucaí em uma representação singular. A estrutura era gigantesca. Mas o que ressaltou foi a dramaticidade da figura completamente branca construída de braços para o alto e minuciosidade no acabamento. As linhas feitas de pedras brilhosas brancas recaindo na face da orixá e em suas costas era de um detalhamento impecável. Assim como uma grande concha dourada na parte traseira do tripé com pedras ao redor. O símbolo da escola no meio se apresentava para a Sapucaí. O primeiro setor inteiro impressionou pela estética e pelo luxo que era pretendido pela agremiação.

Rui Mendes, 30 anos, pisou na Avenida pela sexta vez com a escola de Niterói. Com uma fantasia em rica de detalhes, mesclando tons de dourado e branco e o rosto completamente pintado com uma tinta brilhosa dourada, Rui destacou a grandiosidade da composição e elogiou sua fantasia da ala número 2.

“A gente chegou a fazer ensaios no barracão e acompanhamos a evolução do carro e será um dos carros em maior extensão que já pisou na Avenida. Eu estou muito feliz em saber que a Viradouro briga de frente para a conquista do título e tenho certeza que não só esse carro mas as outras alegorias estão lindas e surpreendentes. Gostei da fantasia, chegamos aqui para a maquiagem e realizar todos os preparos, as fantasias, alegorias, a escola inteira em si está um luxo”, destacou o integrante.

O abre-alas “Prelúdio das Águas” impactou já no setor um devido seu tamanho. Acoplado, o carro era imponente e de acabamento minucioso. A alegoria é a representação das lendas marinhas, das histórias à beira-mar em que as ganhadeiras viviam em seus trabalhos junto de pescadores. A Iemanjá, Rainha do Mar, é a reflexão do ouro das manhãs na praia de Itapuã. Com luxo e alto nível de qualidade técnica de acabamento, estrutura, pintura e detalhamento a alegoria que representou fielmente o proposto. A parte da frente representava um animal marinho, coberto de “ouro”, com escamas, pedras, sobreposição de panos e mescla na tonalidade. As representações de figuras míticas foi de um detalhamento e acabamento extremamente profissionais. As conchas e os destaques elevaram a qualidade do carro, envolto por ondas em suas laterais e caldas gigantes de sereias em sua traseira.

Maria Luiza Feijó desfilou na área lateral do abre-alas. Completando meio século de avenida, a torcedora da Viradouro contou ao CARNAVALESCO a importância do carro e comentou sobre sua fantasia.

“Estamos todos muito emocionados com esse abre-alas, também por conta de Oxum, que é a base da proposta desta alegoria. É uma honra estar participando deste trabalho na Viradouro. Sou da comunidade, da quadra assim como grande parte dos que estão aqui. A escola deu oportunidade para o componente que é fielmente torcedor. É um grande privilégio abrirmos o desfile da Viradouro. A fantasia está muito tranquila para evoluir, não tivemos problema nenhum”, explicou.

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