Pode-se dizer que o Paraíso do Tuiuti teve um bom tempo para se preparar para a gravação da faixa para o CD das escolas de samba do Grupo Especial. A obra foi apresentada ao mundo do samba oficialmente em agosto desse ano, mas já havia sido divulgada em julho com exclusividade pelo CARNAVALESCO. O samba foi produzido pelos compositores Moacyr Luz, Cláudio Russo, Aníbal, Pier, Júlio Alves e Tricolor.

O músico Alceu Maia foi o responsável pelos arranjos da faixa da Paraíso do Tuiuti, e falou à reportagem do CARNAVALESCO um pouco de seu trabalho e do direcionamento que deu a obra da Azul e Amarela de São Cristóvão.

“Em cada escola a gente vai vendo o que se encaixa mais, onde pode ter um solo de cavaquinho, por exemplo, porque o samba já vem escolhido para você. E a gente tem que ficar atento a essência de cada enredo. O Paraíso do Tuiuti traz São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro como parte do enredo, por isso, a gente pensou em uma coisa bem carioca, e vocês vão sentir isso quando ouvirem a faixa”.

O intérprete Celsinho Mody elogiou a obra e o trabalho dos compositores e também revelou o que pensa sobre a encomenda de samba.

“O Tuiuti vem com um samba maravilhoso para a Avenida. O samba está lindo né. Um samba que tem muito sentimento, uma letra primorosa. Gravamos sobre os olhares do Moacyr Luz que venho ajudar na gravação. Este ano, vamos em busca de grandes sonhos. Sobre a encomenda de samba, eu acredito que tem que ter muita sensibilidade, tem hora que a escola quer se integrar mais e vale uma disputa de samba e tem hora que precisa centralizar mais e aí pede uma encomenda de samba. Eu não tenho nada contra, só tenho a favor. Acho que cada escola montando o seu sistema fica todo mundo feliz”.

O diretor de carnaval, Júnior Schall, revelou que a dianteira na produção do samba ajudou no trabalho da escola para 2020.

“Ter o samba hoje, realmente facilita, não só para a gravação da faixa. A gente, por exemplo, já tá com o nosso time de canto e com a comunidade um passo a frente em matéria de aptidão para o melhor canto dos componentes. Está mais na massa, no sangue, dentro do DNA do time de ritmistas e também dos nossos intérpretes. Acho que auxilia porque você consegue cantar com mais força e com mais alma, o samba-enredo pertence mais ao Tuiuti”.

Em 2020, a escola vai levar para Avenida o enredo “O santo e o rei: encantarias de Sebastião” e optou por encomendar o samba. Mestre Ricardinho, comandante da bateria Super Som, analisou os prós e os contras na iniciativa em relação ao trabalho dos ritmistas.

“Da mais calma para gente trabalhar. Mas ao mesmo tempo, a disputa faz com que a gente vá conhecendo o samba ao longo de um mês, dois meses. Na tua mente as ideias já vão vindo nesses dois meses e quando escolhe o samba você já tem as ideias mais sedimentadas na cabeça. Quando você tem um samba que chega pra você ‘toma’, as ideias as vezes não vem em um primeiro momento. Então a gente fez um trabalho prévio para poder lançar o samba em agosto, mas ao longo destes dois meses a gente preparou bossas e agora ele está ficando mais com a nossa cara para apresentá-lo na Avenida”.

Mestre Ricardinho também revelou o que trouxe para a produção do CD uma das bossas que levará à Sapucaí.

“O andamento aqui é 144 BPM (batidas por minuto) para gravar e no desfile mesmo a gente deve vir com o nosso andamento normal que é a pegada 146 ou 147. A bossa é no refrão de baixo, antes de virar para partir para a segunda do samba, e as marcações de primeira e segunda param e fazem uma conversa, enquanto isso a caixa fica boiando e depois tem um retorno simples no repique com o objetivo de dar um impacto e é uma das bossas que a gente vai levar para a Avenida também, está guardada na manga”.

O cantor Nino do Milênio, que está de volta para o Carnaval 2020, e falou sobre o entrosamento com Celsinho Mody e a comunidade do Tuiuti.

“Por nosso samba ter sido apresentado primeiro, eu acho que quando a gente vai gravar o samba está mais entrosado, mais encaixado. E com a encomenda a gente pode ter mais tempo para trabalhar o samba. Da uma vantagem no trabalho em si, justamente por esse entrosamento que a gente já tem com a bateria, com os componentes da escola. Estou muito feliz por ter voltado, pois o Tuiuti é a escola que me abraçou”.

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