Parceria de Samir Trindade ‘alimenta o povo guerreiro’ para triunfar na final da Unidos de Bangu

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Por Guilherme Ayupp. Fotos: Allan Duffes

A Unidos de Bangu escolheu na madrugada desta sexta-feira a obra oficial que vai embalar o seu desfile do ano que vem. O samba vencedor foi o da parceria dos compositores Samir Trindade, André Kaballa, Marcio de Deus, Wellington Amaro, Paulinho Ferreira, Henrique Costa, Fabio Fonseca, Fabio Martins, Neizinho do Cavaco, Julio Assis, Marlon P. e Vinícios Sombra. A vermelha e branca da Zona Oeste vai desfilar pela Série A no ano que vem com o enredo ‘Do ventre da terra, raízes para o mundo’, sob desenvolvimento do carnavalesco Alex de Oliveira. A Bangu será a primeira a desfilar no sábado de carnaval e ficou em 12º colocada no desfile deste ano.

A parceria campeã é formada por compositores consagrados em outras escolas, casos de Samir Trindade e Neyzinho do Cavaco, tricampeões da Portela, além de André Kaballa e Marcio de Deus, dupla que esteve no time campeão de 2018. Os demais poetas venceram pela primeira vez na vermelha e branca da Zona Oeste. Único bicampeão do time de compositores vencedores, André Kaballa estava no grupo que venceu em 2018 e repete o sucesso na composição para o ano que vem. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ele celebrou a vitória e dividiu os louros com os companheiros.

“É uma parceria com muitos caras experientes e acostumados a fazer samba vencedor. O Samir e o Neyzinho são campeões três anos seguidos na Portela. Isso é uma façanha. Acho que nosso samba possui uma melodia adequada à necessidade da escola, que abre a segunda noite de desfiles. Buscamos imprimir uma mensagem de paz na obra e acredito que obtivemos sucesso”, destaca o campeão.

Embora campeã não foi uma passagem arrebatadora. O sistema de som do palco prejudicou um pouco a apresentação pela dificuldade de se ouvir as cordas. A apresentação da parceria teve um início destacado na disputa final. A bateria fez algumas convenções em cima da melodia da obra. A composição foi defendida na quadra pela dupla Leozinho Nunes, da São Clemente, e Tiganá, da Unidos da Ponte.

Alex de Oliveira fez pedidos especial aos compositores

O carnavalesco Alex de Oliveira preferiu conduzir o processo de construção das obras da safra da escola, segundo informou à reportagem do CARNAVALESCO. Para o artista desta forma os sambas se adequaram melhor à proposta estética que a agremiação pretende levar para a avenida.

“Pedimos algumas palavras-chave que precisavam estar na obra. Uma correlação da vida na plantação com o sofrimento do povo. Para que as pessoas possam ter um entendimento da nossa plástica. Se deixar muito solto a obra pode ficar incoerente com o projeto apresentado. Por isso fizemos muitas reuniões para tiras dúvidas”, contou.

De acordo com Alex, o enredo que terá a batata como fio condutor irá comparar a versatilidade do alimento com a do próprio povo brasileiro.

“Iremos retratar a nossa própria história, fazendo referência à batata, como símbolo de harmonia, comunhão, união e esperança. Afinal, versátil como alimento, útil como medicamento e mais 1001 utilidades. Na verdade, somos nós, o próprio povo brasileiro”, destacou.

Preocupado com a questão que envolve os barracões da Série A, Alex afirma que a escola já está quase definindo a sua situação.

“Ainda não entramos no barracão, que está em fase de construção. Vamos ao lado de onde era o Império da Tijuca. Temos os protótipos já em fase de produção, com as baianas já prontas. Estamos dentro do cronograma. A escola está se reafirmando. Já conseguimos nos manter nesse ano e agora buscar melhorar”, explica.

Bangu constrói barracão na região do INTO

A Unidos de Bangu foi uma das escolas afetadas com a exigência dos proprietários dos terrenos na Zona Portuária, que despejaram agremiações de seus locais de produção dos seus carnavais. Por isso, a própria Bangu decidiu por conta própria construir um galpão na região do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) na Avenida Brasil.

“O objetivo é ficar nas primeiras colocações. Viemos de um carnaval difícil, devido à falta de barracão. Estamos construindo um na raça, se depender do poder público não desfilamos. Vamos produzir um espetáculo digno. Estamos já com o trabalho intenso”, revela o diretor de carnaval, Jeferson Carlos.

Experiente e com passagens por Mangueira, Salgueiro, Grande Rio, Curicica e Caprichosos de Pilares, Jeferson acha positiva a posição de desfile da Unidos de Bangu em 2019.

“Na minha opinião, eu prefiro abrir a segunda noite. Já teremos sete apresentações. Dá para manter o planejamento sem se preocupar. É possível fazer a logística mais tranquilamente. Quando se desfila no meio é mais difícil a concentração”, opina.

O dirigente enalteceu o enredo e adiantou o que as pessoas vão ver na avenida no desfile da vermelha e branca em 2019.

“Os nossos carnavalescos sugeriram e a escola apoiou. O problema do país não é apenas o caos financeiro, mas a miséria. A batata como fio condutor é um apelo importante. No final do desfile temos a importância desse alimento, que chegou até em Marte”, revela.

Bateria muda a batida de caixa para 2019

Mestre Léo Capoeira, caminhando para o seu segundo carnaval à frente da bateria da Unidos de Bangu, se diz satisfeito com o desempenho de seus ritmistas em 2018. Mesmo assim fez uma modificação importante visando o desfile do ano que vem.

“O desafio foi positivo em 2018, atingimos o nosso objetivo com os 30 pontos. Mantemos o foco mas decidimos realizar algumas mudanças em relação a toque. Adequamos a batida de caixa. Vamos fazer a batida de cima. Essa é nossa principal mudança. É uma batida que eu gosto muito”, adianta.

Léo se disse satisfeito com a opção feita pela escola na escolha do samba e revelou que sua bateria desfilará com 240 ritmistas, 20 a mais que em 2018.

“Eu acho que dentro do enredo que a escola traz e a nossa posição de desfile, o samba tinha que ser aguerrido, pra cima com uma boa melodia. E acredito que o samba escolhido cumpre isso. Vamos vir com 240 ritmistas. Já vi a fantasia, está bem leve e boa para tocar”, destaca.

Casal ‘de verdade’ estreia no Sambódromo

A dupla Anderson Abreu e Eliza Xavier é um casal de verdade que a Unidos de Bangu escolheu para conduzir o seu pavilhão. Isso porque eles são casados e sempre dançaram juntos. Eliza revela que possui longa carreira na dança, não disfarça a ansiedade pela estreia e adianta que serão os dois que irão conduzir a coreografia, sem um coreógrafo contratado.

“Sou dançarina profissional. Danço desde os meus 14 anos. Entrei no carnaval como passista em 2009. Fiz o curso na escola Manoel Dionísio. Passei por algumas escolas e sempre dancei com o Anderson, que é meu marido. Esse ano desfilamos no Arranco e atingimos os 40 pontos. Tivemos essa felicidade de sermos convidados pela Bangu. A responsabilidade é imensa. Desde o momento que terminamos o desfile deste ano, seguimos ensaiando. Quem trabalha com arte geralmente é muito dedicado. O nervosismo é normal, mas a felicidade e o trabalho são muito maiores. A gente já tem uma prévia do figurino, mas nada concreto ainda. Estamos ensaiando com um trabalho físico de força e resistência. Vamos colocar coreografia a partir de agora que escolhemos o samba. Não teremos por enquanto com coreógrafo. Mas como já trabalhamos com dança podemos nós mesmos criarmos nossa coreografia”, disse a porta-bandeira.

O companheiro de Eliza concorda com a mulher e complementa dizendo que possui registro profissional de dançarino há muitos anos. Segundo ele, a dupla está dissecando as justificativas dos jurados para atingir a técnica perfeita na avenida.

“Será uma emoção indescritível para nós que viemos da escolinha do professor Manoel Dionísio. E ainda mais pela Unidos de Bangu, que é o lugar de onde crescemos. Acho que representar o nosso bairro é ainda mais emocionante. Se fosse de outra forma não seria tão emocionante. O protótipo de nossa fantasia é belíssimo, estamos muito felizes. O que posso dizer que nossa roupa terá um tom dourado. Por sermos profissionais da dança, usamos bastante a técnica em nosso trabalho. Nosso desenho coreográfico é totalmente tático e técnico”, explicou.

Apresentações dos finalistas

Parceria de Thiago Martins: O samba abriu a noite com uma bonita festa na quadra, que contou até com sinalizadores. A obra foi defendida pelo intérprete da Inocentes de Belford Roxo, Nino do Milênio. Com uma melodia aguerrida a obra fez o povo cantar, entretanto, apenas a torcida foi contagiada. O canto, porém, foi apenas burocrático.

Parceria de Diego Nicolau: O time de peso formado pelos mais vitoriosos compositores da história recente do carnaval incendiou a quadra desde o início da apresentação. Foi o samba de melodia com o melhor encaixe com a bateria Caldeirão da Zona Oeste. Tanto que a velha-guarda cantou o samba de seu camarote e outros integrantes da escola engrossaram o coro além da animada torcida.

Parceria de Eli Penteado: A parceria apostou em um dos intérpretes mais vitoriosos em disputas de samba para defender a obra, Wander Pires. Ao contrário das demais composições que se apresentaram na grande final, esta tinha uma melodia mais dolente e não se adaptou bem na quadra.

Parceria de Jorge Barbosa: O grande destaque da apresentação sem dúvida foi a participação de Quinzinho na parceria. O lendário intérprete, que cantou o último título do Império Serrano no Grupo Especial em 1982, defendeu a obra no palco junto do time de cantores. A obra, no entanto, teve um desempenho abaixo das favoritas.

Parceria de Edinho Fortis: A aposta da parceria foi em um refrão explosivo para fazer a comunidade cantar o samba. Se apresentar depois das 04h prejudicou o rendimento da obra, pois pegou a quadra já esvaziada e com as pessoas cansadas. O intérprete Thiago Britto, da Cubango, defendeu o samba na quadra.

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