No final de abril de 2003, a situação política da Portela entrava em ebulição. Antes que o presidente Carlinhos Maracanã prorrogasse o seu mandato por mais quatro anos, um grupo dissidente tomou a quadra da Escola, em Madureira, e assumiu o controle do antigo barracão, na Zona Portuária.

O objetivo era promover uma reforma no Conselho Deliberativo da Escola, para que este conduzisse a realização de eleições diretas à presidência. Os portões da quadra foram fechados, até que a Justiça determinasse de que forma a Escola deveria organizar o processo sucessório.

A notícia se espalhou por Madureira e Oswaldo Cruz, mexendo com os nervos da família portelense. Muitos foram até a sede da Rua Clara Nunes, mas a ordem era a mesma para todos:

– Ninguém pode entrar.

No meio do tumulto formado na calçada, um automóvel prata, de vidros fumê, foi encostando lentamente, rente ao meio-fio. E mais suavemente, o vidro do motorista desceu, diante da curiosidade geral. O ocupante tinha barba grisalha, usava chapéu de caubói e óculos escuros. Abaixou as lentes e esticou os olhos, curiosíssimos, para ver o que estava acontecendo no interior do Portelão.

Não demorou para ser reconhecido: era Marquinhos dos Anéis, presidente do vizinho Império Serrano. Um dos rebeldes não perdeu a oportunidade:

– Fofoqueiro!

Reconhecido, o presidente levantou o vidro, imediatamente, e arrancou, cantando pneus pela pacata Madureira.

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