Paulinho Mocidade e Wander Pires. As vozes de Padre Miguel que choram a saudade de mestre Jorjão

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A despedida de mestre Jorjão na quadra histórica da Mocidade, apesar de carregada de tristeza, foi uma reunião de importantes representantes da história da Mocidade Independente de Padre Miguel. Não há um torcedor ou admirador da escola que não pare para ouvir histórias que venham das bocas de Paulinho Mocidade e Wander Pires, dois dos mais emblemáticos cantores da Estrela Guia.

Paulinho Mocidade foi a voz de Padre Miguel entre 1990 e 1993 e depois retornou em 2003 e 2004. O banguense se despediu do amigo e contou ao site CARNAVALESCO uma passagem polêmica que teve com o experiente mestre, que tinha a personalidade muito forte.

“Foi na disputa de samba para o Carnaval 1989, ano em que a Mocidade homenageou Elis Regina. Meu samba se apresentava na quadra e notei que a bateria baixou muito o andamento e terminamos nossa apresentação quase como um pagode. Não gostei e reclamei ao microfone. Jorjão se enfureceu e disse que não admitia tal acusação à sua bateria. Ficamos um período sem nos falar mas depois eu formei com ela a dupla do bicampeonato. Essa quadra fervia, foi um tempo áureo da Mocidade. Sentirei muitas saudades do Jorjão”, conta Paulinho com os olhos marejados.

Quem substituiu Paulinho na Mocidade após o Carnaval 1993 foi o então jovem integrante do carro de som da escola, Wander Pires. O atual intérprete da verde e branca cantou entre 1994 e 1999, 2002, 2006, 2009 e desde 2017 comanda os desfiles na avenida. Foi no último ano de Jorjão à frente da Não Existe Mais Quente (na primeira passagem) que Wander estreou como intérprete, com um apelido bastante peculiar.

“Na minha juventude na escola eu tinha um cabelo bem enroladinho e a rapaziada me chamava de cabelo frito. Eu não gostava muito, mas a pilha chegou na bateria. E quem é de bateria sabe como é né? Encarna mesmo. Jorjão sempre me chamou de cabelo frito. Eu tive apenas uma experiência trabalhando com ele, que foi no meu ano de estreia, para o desfile de 1994, quando a escola falaria sobre a Avenida Brasil”, lembrou Wander, um dos últimos que se despediu do amigo, e que voltou a trabalhar com Jorjão em 1999.

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