Compositores: Paulo Cesar Feital, Rafael Faustino, Allan Corrêa, Raphael Gravino, Rodrigo Guerra, Madalena Simões e Pirique Neto
Intérpretes: Dowglas Diniz e Rafael Faustino

De Mahin nasceu o meu matriarcado
O axé da minha ancestralidade
E o grito que ecoou do ventre renegado
Ressoa em todo canto como um canto de igualdade
Meu nome é Luís Gama, eis aqui o teu legado:
Okolofé, Kehindé! Oh, mãe da liberdade!
Enfrentaste o desatino, negaste o peso da cruz
Se essênio, devia ser preta a pele de Jesus

Odoyá, Iyá Luiza!
À África voltaste pra tentar me encontrar
Mas eu vivo em ti, você em mim, mamãe Luiza
Meu corpo é teu corpo, e o nosso verbo é o verbo amar!

Kehinde! Brilha tua luz na Encantaria
És menina jeje do clã de Daomé
Vale mais que ouro a nossa alforria
Santa heroína de cada mulher!
Que orgulho, mãe, da tua voz entre os malês!
Para o preto? Ainda a justiça não se fez!
Um negro jurista quanto hoje valeria?
A arroba em réis? Tanto faz, padeceria…
Sou herança de Taiwó, Durojaiwé
Peço as bênçãos de Xangô a essa mátria não-gentil
Eu assino aqui, Luis Gama, Omotundé!
Com todo meu amor, à Rainha do Brasil!

Odara, ê! A Portela é meu ylê, onde finda a saudade
Yabá emoriô, meu ifá alafiou, negra majestade
Por mais que tentem nos sucumbir
Ser teu filho e ser mãe preta são atos de resistir

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