Por Guilherme Ayupp e Diogo Cesar Sampaio. Fotos: Magaiver Fernandes

A Unidos do Porto da Pedra abriu a temporada 2020 de finais de samba na madrugada deste domingo em sua quadra em São Gonçalo. Depois de uma intensa disputa, com cinco parcerias disputando o título, o time formado pelos compositores Bira, Claudinho Guimarães, Márcio Rangel, Alexandre Villela, Adelyr, Bruno Soares, Rafael Raçudo, Eric Costa, Cláudio Mattos, Gustavo Soares, Marco Moreno, Oscar Bessa, Fernando Macaco, Jarrão, Pablo Russo, Carlinhos Viradouro, Ricardo Neves, Raphael Richaid, Bebeto Maneiro, Renan Gêmeo, Rodrigo Gêmeo, Ludson Areia e Carlos Soares foi agraciado com a honra de representar o hino oficial da escola na avenida. A quantidade de compositores campeões explica-se pelo fato de a escola ter optado pela junção de duas das obras finalistas. Em 2020 o Tigre de São Gonçalo será a quarta a desfilar na sexta-feira de carnaval da Série A com o enredo ‘O que é que a baiana tem? Do Bonfim à Sapucaí’. A carnavalesca Annik Salmon faz sua estreia na vermelha e branca.

“É uma vitória perseguida há muito tempo. Independente de ser uma junção, de ser dividido, para mim é uma vitória. Isso aqui, como eu disse da última vez em 2012, é melhor do que um gozo. É maravilhoso! Eu sou Porto da Pedra, eu adoro essa escola, e tem um pedaço do meu samba no hino que vai para avenida”, comentou o compositor Fernando Macaco.

Uma das parcerias foi formada por gigantes na história recente das composições na Porto da Pedra. Bira vence seu oitavo samba, todos de 2010 para cá. Na década só perdeu em 2012, 2015 e 2016. Além de Bira, Márcio Rangel, Alexandre Villela e Oscar Bessa são pentacampeões. Adelyr, Bruno Soares, Rafael Raçudo e Eric Costa conquistaram a quarta vitória. Cláudio Mattos e Gustavo Soares são os únicos a vencerem na Porto da Pedra pela primeira vez.

“Minha sensação é de felicidade. A quadra está feliz, comemorando. A escola, como disse o Fábio Montebello (presidente da Porto da Pedra), sempre faz decisões acertadas, em prol da comunidade. Em vez da rivalidade, estão todos felizes, o que é melhor ainda. A disputa no Porto da Pedra é diferente. Não é a desunião, muito pelo contrário, é a união. Faz muito sentido. É um grêmio recreativo. Aqui todos fazem recreação. É muito bonito o que está acontecendo aqui, todo mundo saindo comemorando”, afirmou o compositor Bira.

O presidente da ala de compositores da Porto da Pedra, Fernando Macaco, volta a vencer depois de oito anos de sua última vitória, em 2012, ano do último desfile da Porto da Pedra no Especial. Ele havia vencido também em 2006. Macaco (único a já ter vencido na escola de toda a parceria) se juntou à parceria consagrada na Viradouro. Ricardo Neves, Raphael Richaid, Bebeto Maneiro, Ludson Areia e os irmãos Renan e Rodrigo Gêmeo possuem vitórias na escola do Barreto. Jarrão, Pablo Russo e Carlos Soares são outros que venceram pela primeira vez no tigre de São Gonçalo.

Jardel Lemos volta ao Porto da Pedra

O presidente Fábio Montibelo deu o nome do futuro coreógrafo da comissão de frente da escola em em entrevista ao site CARNAVALESCO. O dirigente tem conversas adiantadas com Jardel Lemos, que teve uma passagem pela Porto da Pedra em 2018.

“Estou conversando com Jardel Lemos, ele deve ser nosso coreógrafo. Ele teve uma excelente passagem aqui. Estou perto de fechar com ele. Demos oportunidade a ele em 2018 e alcançamos os 40 pontos”, disse.

O presidente falou também sobre a chegada da carnavalesca Annik, que faz sua estreia solo em uma escola no ano que vem na Porto da Pedra. Segundo Montibelo, a carnavalesca tem tudo para ser uma das revelações do desfile do ano que vem na avenida.

“O grupo de acesso dá oportunidade a todos. As escolas da Série A tem essa característica. Annik é muito inteligente e sem dúvida será uma grande revelação do carnaval, pode apostar”.

O presidente estava bastante feliz na quadra, e recebeu em seu camarote personalidades do carnaval. Entretanto, não se esqueceu da preocupação com os barracões da Série A, já que agora ele é vice-presidente da Lierj. Segundo Montibelo o governador Wilson Witzel deve receber em breve ele e o presidente Wallace Palhares.

“Usei o antigo barracão da Viradouro para fazer três carros e fiz um no barracão antigo nosso, que pegou fogo, para o desfile desse ano. Mas já temos uma ordem de despejo de lá. A prefeitura entregou toda aquela região à iniciativa privada. Eu e o Wallace Palhares teremos uma reunião com o governador, que tem se mostrado bastante interessado em ajudar. Vamos ver se conseguimos tirar essa Cidade do Samba 2 do papel”, finaliza.

Antes da definição do samba campeão ele brincava dizendo que ganhou alguns cabelos brancos na disputa, devido ao equilíbrio entre as obras. Ele jurou que o samba escolhido de fato foi definido na final. Apesar de já ter realizado sua estreia, o grande momento foi do intérprete Pitty Menezes. Em uma demonstração de grandeza e respeito convidou Wantuir Oliveira, intérprete da Porto da Pedra entre 1995 e 1998, para cantar ao seu lado os antológicos sambas de 1996 e 1997, os grandes carnavais da Porto da Pedra no Grupo Especial. A quadra viajou no tempo.

Número de componentes dependerá de regulamento, afirma diretor de carnaval

A definição com relação ao número de componentes da Porto da Pedra para o Carnaval 2020 aguarda a aprovação do regulamento do desfile do ano que vem. Segundo o diretor de carnaval, Júnior Cabeça há a chance de uma redução no tamanho dos desfiles.

“Trabalhamos com o número de 1.800 componentes, mas isso ainda pode mudar pois há uma hipótese de redução no tamanho do desfile devido à crise. Temos de nos adequar a essa nova realidade. A Lierj tem feito de tudo para minimizar as dificuldades e o governador deve receber o Wallace e o Fábio para uma reunião”, disse.

Cabeça também comentou a chegada de Annik e revelou que a carnavalesca foi uma indicação de Fernando Horta, presidente da Unidos da Tijuca.

“Acompanho há muitos anos o trabalho da Annik, ela é mais uma mulher que vem se destacando no carnaval. Ela foi indicada pelo presidente Fernando Horta da Unidos da Tijuca. Eu apresentei o nome para o Fábio e ele aceitou na hora. Vendo o projeto dela é possível perceber todo o seu talento”.

Annik Salmon fala da nova sinopse após a divulgada na internet

Em conversa com o site CARNAVALESCO, Annik Salmon falou sobre a estreia solo no comando de um desfile.

“Está sendo maravilhoso fazer meu primeiro desfile solo no Porto da Pedra. Porque, além de ser uma escola com peso, que tem essa comunidade incrível, uma comunidade que compete fielmente com o Grupo Especial; é a escola onde eu comecei a trabalhar com carnaval. Em 2002, quando eu pisei pela primeira vez dentro de um barracão, foi no do Porto da Pedra. É uma escola que eu tenho um carinho enorme! E hoje estar aqui, assumindo esse carnaval sozinha, com todas as minhas ideias transbordando, podendo dar o máximo de mim, é muito bom. Estou muito feliz, não podia estar mais feliz”.

A carnavalesca falou sobre o enredo para 2020 e o trabalho na produção do desfile.

“Quando eu cheguei já tinha esse enredo, que eu gostei de cara, falar sobre baianas. Eu refiz a sinopse, está uma outra escrita, com a mesma temática, mas de uma outra maneira. O que vai para os jurados, não é o que foi divulgado na internet há um tempo. Eu tive de fazer tudo de uma outra maneira, dividir os setores de outra forma, criei outros nomes, porque, com as ideias que eu estava pensando, daquela maneira não cabia. Mas a proposta, a ideia em si, era muito boa: falar sobre as baianas… Isso eu gostei muito, acho que tem a minha cara. Tem haver com mulher, com o meu momento agora. Ainda não começamos barracão. Já estou com todos os desenhos de ala desenhados, provavelmente essa semana a gente já deve começar a ver material para começar os protótipos das fantasias. Alegoria, eu estou montando o desenho ainda, mas já tenho na cabeça tudo que vai ser feito. A gente já está começando também no processo de alegoria. Barracão também já estamos desmontando os carros antigos, mas não começamos os novos.

Talento e experiência no comando da bateria, mestre Pablo falou ao site CARNAVALESCO sobre o trabalho para 2020 e o samba escolhido.

“Quero manter o mesmo andamento e a mesma alegria. Vamos trabalhar bastante atrás dos 40 pontos. Vamos corrigir os erros que foram colocados na justificativa porque, no ano que vem, se Deus quiser, iremos ganhar os 40 pontos. Tem gente que faz bossa antes, depois vai adaptando no samba… Eu não, prefiro fazer com o samba já definido. Eu acho que o samba é que pede a bossa. Sempre deixo para depois. A escola precisava de um samba valente, de um samba fácil, que caia na boca do povo, com uma melodia e um andamento bacana”, explicou o comandante que levará 250 ritmistas para Avenida.

Novidade no comando do carro de som

Com a responsabilidade de assumir sozinho o comando do microfone principal da Porto da Pedra, o intérprete Pitty Di Menezes diz estar realizando um sonho.

“A sensação é maravilhosa. A Porto da Pedra, embora esteja no Acesso, tem uma bandeira e uma comunidade muito fortes. Todo intérprete sonha em cantar em uma escola do peso que a Porto da Pedra é. A recepção foi maravilhosa. A comunidade me abraçou muito, me trataram com carinho… E vou dar meu máximo por eles, por essa galera incrível de São Gonçalo”, citou.

O cantor ainda falou da obra escolhida para o Carnaval 2020.

“Tem melodia boa e fazer a comunidade vibrar. O samba para ser o campeão aqui tem que ter tudo isso. Não pode faltar garra ao samba”.

Casal quer esquecer 2019 para focar nos 40 pontos em 2020

Para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Rodrigo França e Cintya Santos, o foco está total em buscar os 40 pontos no ano que vem.

“A gente vai focar, trabalhar em cima do que eles tiraram ponto, que foi a fantasia. A gente vai cobrar mais, vai procurar acompanhar o andamento da confecção da fantasia, para evitar os descontos nos décimos novamente. Nunca paramos de ensaiar”, disse o mestre-sala.

“Estamos esperando a nossa carnavalesca mostrar os figurinos, para sentar com ela e conversar para ver o que a gente pode mudar, que não vá atrapalhar o enredo da escola e não vá nos prejudicar, seja na dança ou na visão do jurado. Em 2019, a minha fantasia não me atrapalhou, mas na visão do júri sim. A gente vir de uma nota 40 e não tirar nenhum 10, tiramos de experiência. Elogiaram coreografia, ritmo e tiraram da fantasia. A gente vai trabalhar nisso e continuar com a mesma pegada”, afirmou a porta-bandeira.

Como foram as apresentações dos sambas finalistas

Porkinho – A parceria não levou uma torcida muito numerosa e durante sua apresentação não houve uma grande comunicação com a quadra com a participação de integrantes de fora da torcida. Os refrões da obra tiveram bom rendimento cantados pelo intérprete da Viradouro, Zé Paulo Sierra. A apresentação terminou sem brilho.

Guga Martins – O time de cantores foi comandado pelos competentes Emerson Dias e Wantuir. No início da apresentação os cantores jogaram o canto em trechos do samba para sentir o termômetro da quadra. O resultado foi insatisfatório com poucos cantando. A obra teve um desempenho irregular, com o destaque ficando a cargo do refrão principal.

Bira – Com a mais numerosa torcida da final, com direito a coreografias e encenações, apostou na dupla de cantores Grazzi Brasil e Evandro Malandro. A parceria se apresentou bem no início, entretanto é importante pontuar que apenas a torcida da obra se destacou, o restante da quadra foi mero espectador. O restante da apresentação explicitou queda no rendimento incluindo a torcida, deixando uma sensação de que a obra teve desempenho irregular.

Jedir Brisa – O intérprete Niu Souza defendeu o samba na quadra. Embora fosse uma das obras com a melodia mais valente da final, se mostrou a apresentação mais abaixo da noite, deixando a sensação de que sua presença na grande decisão causou um desnível do samba em relação às demais apresentações.

Fernando Macaco – Último samba da madrugada a se apresentar, a parceria pegou uma quadra já bem vazia, pois começou a cantar às 05h17. Compensou esta perda com uma numerosa torcida e a força do palco, comandado por Tem-Tem Jr e Marquinho Art’Samba. A obra entretanto contagiou pouco em seu início, a não ser pelos fortes refrões.

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