Os desafios que são apresentados quando uma escola vence a Série A e no ano seguinte desfila no Grupo Especial são inúmeros. Um dos principais é conseguir elevar o padrão de desfile, já que a elite do carnaval apresenta uma exibição extremamente competitiva e forte. É por isso que a harmonia da Viradouro antecipou ao máximo sua preparação para fazer com que a escola volte a desfilar no padrão que a colocou no Especial quase 20 anos ininterruptos, sendo destes oito vezes seguidas no Sábado das Campeãs.

A harmonia da vermelha e branca de Niterói está sob o comando da dupla Mauro Amorim e Washington Jorge. Eles conversaram com a reportagem do CARNAVALESCO sobre o principal desafio do trabalho, que é a mudança de padrão da Série A para o Especial.

“Muda quase tudo, a Série A é um aprendizado muito importante, mas o carnaval do Grupo Especial é gigantesco, temos o dobro de componentes, saímos de 22 alas para 30, a forma de julgamento será diferente esse ano, temos que nos adaptar durante os ensaios e chegarmos no desfile muito preparados. Escolhemos o samba no dia 29 de setembro de 2018 e começamos os ensaios de canto uma semana depois. Iniciamos bem antes essa preparação da comunidade para o nosso carnaval”, opina Mauro Amorim. (foto: Leandro Lucas)

“Sempre que uma escola ascende ao Grupo Especial, onde a competição é sem dúvida maior, a ideia de preparação tem que ser maior visando o não retorno à Série A. Toda uma produção acontece, por exemplo, a contratação de novos profissionais, a escolha do melhor enredo, e etc. Principalmente os enormes orçamentos que são necessários. Sem dúvida, sem eles, nada acontece”, complementa Washington.

Mauro Amorim enaltece os ensaios de rua da Viradouro na Amaral Peixoto, no Centro de Niterói, reproduzindo ao máximo o que acontece no Sambódromo.

“Na Amaral Peixoto conseguimos reproduzir, o mais próximo possível, o que fazemos na Sapucaí. A escola nos da toda estrutura para desenvolver o melhor durante os ensaios e temos nossa torcida lotando toda semana as ruas do Centro de Niterói desde quando começamos os ensaios de rua. Esse carinho da comunidade e da torcida são muito importantes nessa fase de construção do trabalho. Os ensaios na Sapucaí se fazem muito importantes também, tendo em vista que é sempre é valido fazer um ensaio geral no palco do espetáculo, sempre tem algum ‘detalhe’ a acertar ou a melhorar. O carnaval se renova a cada ano, temos muitos novos componentes que nunca passaram ali, todo ano é uma emoção diferente entrar na Sapucaí e sentir aquela energia que só o Sambódromo tem”, avalia.

Apontada por todos como uma das escolas a brigar pelas campeãs esse ano, contrariando o que vem sempre acontecendo com as agremiações que vem da Série A. O diretor Washington Jorge reconhece a pressão pelo bom resultado, mas afirma que o grupo de trabalho possui muita experiência.

“Sempre existe uma pressão, mas estamos tranquilos e com os pés no chão. Temos no nosso grupo pessoas experientes já acostumadas a tudo isso, com passagem por algumas escolas, alguns como direção geral no curriculum. Temos uma direção de carnaval igualmente experiente, ou seja, uma harmonia forte, eu e Mauro sabemos do potencial do grupo que graças a Deus está muito coeso, estamos tranquilos”, adiantou.

Segunda escola a desfilar no domingo de carnaval, a Viradouro não teme a posição de desfile, segundo Mauro Amorim.

“Estamos tão felizes nesse retorno da Viradouro ao Grupo Especial, o ‘brilho no olhar voltou’ e vamos ‘viajar ouvindo histórias’ na Sapucaí. Estamos tão focados que não da para atribuir ao horário uma ajuda ou um problema pra desfilar. Eu particularmente gostei do horário. Para o componente será menos cansativo desfilar nesse horário e possibilitará o retorno deles mais cedo aos seus lares. Temos toda uma logística antes do desfile montada, o componente terá todo suporte para chegar bem na avenida completamente focado no nosso desfile podendo cantar bem alto que o brilho no olhar voltou”, finaliza.

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