O Império da Tijuca se inspirou em sua ancestralidade negra para levar à Marquês de Sapucaí o enredo intitulado “Samba Quilombo – A resistência”. A verde e branco homenageou o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, fundada pelos compositores Candeia, Neizinho, Wilson Moreira e Mestre Darcy do Jongo em 8 de dezembro de 1975.

O G.R.A.N.E.S. Quilombo surgiu como uma importante manifestação cultural contra as dinâmicas mercadológicas , políticas e de afastamento do protagonismo negro nas agremiações carnavalescas. A ideia era contribuir para a valorização da história e dos preceitos da luta, tanto do Quilombo dos Palmares, quanto das bases tradicionais do samba brasileiro.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do Império da Tijuca representou na avenida do samba a resistência e a proteção espiritual do Quilombo. Juntos, Renan Oliveira e Laís Ramos simbolizaram os fundamentos e conceitos essenciais da criação do G.R.A.N.E.S. Quilombo.

Laís vestia uma luxuosa fantasia repleta de brilho e espelhos, inspirada em Oxum. “É de uma responsabilidade gigantesca, porque a gente está representando um dos maiores pilares da época do quilombo”, revelou a primeira porta-bandeira da escola.

As penas da saia de Laís eram da cor laranja, assim como a capa e as penas da cabeça de Renan, que representava a resistência dos guerreiros. “A gente está feliz demais pelo carnavalesco ter nos dado esse presente, um dos pontos altos do desfile, ter deixado sob nossa responsabilidade”, disse o primeiro mestre-sala do Império da Tijuca.

“A responsabilidade se carrega de muito trabalho, e a gente fez jus a isso, trabalhou bem pra estar vestindo esse figurino, representando tanto o Quilombo, quanto Oxum, da melhor maneira possível. A gente trabalha pra fazer a melhor apresentação possível. A nota, claro, é o que a gente almeja. Mas agradar também o público, quem paga pra assistir esse espetáculo, é um dos nossos principais objetivos”, ressaltou Renan Oliveira, momentos antes de adentrar à avenida.

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