A quadra da Imperatriz Leopoldinense, em Ramos, recebeu o velório da porta-bandeira, Maria Helena, que faleceu no domingo. Diversos integrantes das escolas de samba estiveram no local e conversaram com o site CARNAVALESCO. Veja abaixo.

O professor e formador de diversos casais de mestre-sala e porta-bandeira, Manoel Dionísio, falou sobre a importância de Maria Helena para os casais. “Não se pode falar dela sem o Chiquinho e dele sem ela. É o legado que fica para o mundo do samba. Maria Helena é garra, dignidade, dança, agressividade dançando, tinha uma brutalidade de dança, a primeira e única que tinha chegada na passarela. Quando ela passava, se sabia que a Imperatriz estava entrando, a rodada dela é inconfundível”.

Rafaela Theodoro, porta-bandeira da Imperatriz
“É muito difícil. Quando entrei na Imperatriz, ainda era uma menina, ela sempre me abraçou. Era uma mulher que você ama ou odeia. Deixou um legado para o mundo do samba. Eu sempre rendi homenagem e tive muito carinho, era recíproco. Ela amava a Imperatriz. Teve a reverência em vida. No início, confesso que fiquei com medo, porque ela tinha história de vida e carnaval. Era uma forma única de porta-bandeira. Diferencida pelo estilo de dança e o amor ao pavilhão. Ela se entregava. É muito difícil tentar seguir esse legado, é o que venho buscando dentro da escola. O símbolo maior é o pavilhão. Cada um tem sua identidade e história de vida. Busco sempre honrar o pavilhão da Imperatriz. É um peso muito grande, uma escola tão tradicional, familiar, e que teve um dos maiores casais do carnaval. Sempre pisei na avenida para fazer o melhor. Ela sempre me passou conselhos sobre a roupa, o pisar na quadra e agora procuro fazer isso com nossa oficina de casais de mestre-sala e porta-bandeira”.

A porta-bandeira, Jack Pessanha, da São Clemente, também falou da convivência com Maria Helena. “É uma referência muito forte. Me viu pequena, me ensinou muita coisa. É de uma tristeza muito grande perder esse ícone. Ela está viva em nossos corações”.

Mestre-sala do Salgueiro, Sidclei, conversou com o site CARNAVALESCO sobre a perda de Maria Helena. “Tia Maria Helena era chamada assim carinhosamente. Ela pegava na mão de quem estava chegando. Ela e o Chiquinho marcaram época. São referências. Fico triste, mas a família vai perpetuar o legado. Ela amava a Imperatriz e o carnaval. Com perseverança, ela atravessou todos os momentos. Ela merece todas honras dos casais e do samba”.

O casal da Viradouro, Julinho e Rute, esteve no velório e falou com o CARNAVALESCO sobre o legado de Maria Helena. “Estou perdendo a pessoa que sempre foi minha referência. Tive a honra de ter o amor e benção dela. Fui escolhida por ela. Sempre inspirou minha dança. Desde que eu comecei era ela que eu amava. A garra e gana que ela entrava na Avenida. Maria Helena me ensinou o que é conduzir um pavilhão. Minha escola é Maria Helena e que ela continue cuidando de mim”, disse Rute.

“É difícil falar de Maria Helena. Uma diva do carnaval. Símbolo de guerreira. Deixa um legado enorme. Fui nascido e criado em Ramos, ela era muita amiga do meu pai e sempre teve um carinho por mim, me chamava de sobrinho. Sempre tive admiração por ela e por Chiquinho”, completou o mestre-sala da Viradouro.

Uma das maiores referências do carnaval, a porta-bandeira Selminha Sorriso falou sobre Maria Helena. “Ela abençou minha primeira apresentação com o Claudinho há 30 anos na quadra da Estácio de Sá. Nossa classe chorava. Essa mulher tinha história de vida, uma mulher guerreira, uma rainha. Não tinha quem não se emocionasse vendo a Maria Helena com o pavilhão da Imperatriz”.

O intérprete Neguinho da Beija-Flor comentou a perda da Maria Helena. “O mundo do samba perde uma personalidade que vai fazer muita falta. Uma defensora do samba. Perdemos uma das principais representantes do carnaval”.

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