Em 2020, a Acadêmicos da Rocinha levou para Avenida o enredo “A guerreira negra que dominou dois mundos” e contou a forte trajetória de Maria Conga, mulher negra que é símbolo de luta contra a escravidão e que foi consagrada pelas religiões de matrizes africanas. A primeira alegoria da escola representou uma festa na tribo congolesa de Maria, convocada por seu pai, o Rei, para celebrar seu nascimento.

O Abre-alas da agremiação trouxe em dois carros acoplados referências da estética africana, com acabamento nas cores marrom, preto e dourado. Na parte da frente, o nome da escola estava escrito em letras prateadas. Logo acima o rosto do Rei, ladeado por dois caldeirões, recebendo a todos aqueles que vieram prestigiar a chegada de sua filha. Palha, búzios e dentes de elefante decoravam toda a alegoria, assim como pinturas tribais.

Os componentes, fantasiados com trajes amarelos e distribuídos por toda a alegoria, representavam os convidados da celebração.

“Estamos representando Maria Conga. Ela foi escravizada aos sete anos e depois de muitas lutas fundou um quilombo em Magé. O carro está lindo e representa bem o momento em que ela nasceu”, afirmou a integrante Marcela Batista. Outro componente, Jhonson Rofferman, acredita que a composição do Abre-Alas está maravilhosa, pois segue exatamente o que foi descrito no samba-enredo.

Nos fundos da alegoria esculturas de negros escravizados fizeram alusão ao que Maria Conga representou na luta antiescravagista da época, pois sua chegada e história de sofrimento significou a libertação de muitos de seus irmãos e irmãs. O carro da Azul, Verde e Branca de São Conrado, que foi a segunda a pisar na Marquês de Sapucaí na primeira noite de desfiles, também recebeu a ilustre presença da velha guarda, vestida com roupas brancas e estampadas com borboletas, símbolo da escola.

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui