Por Diogo Sampaio

Uma apresentação onde a criatividade dos materiais e a fácil leitura plástica, principalmente das fantasias, triunfou. A Acadêmicos da Rocinha teve a difícil missão de encarar a pista molhada e iniciar seu desfile mesmo embaixo de uma chuva intensa. Com o enredo “Bananas para o Preconceito”, a tricolor de São Conrado foi a terceira escola da noite e realizou a sua apresentação em 55 minutos, o tempo máximo.

Comissão de Frente

Coreografada por Leonardo Calvo, a comissão de frente da Rocinha veio representando a “Essência primata” e criticou em sua apresentação o racismo por trás da comparação de humanos com macacos. Ao todo, eram 15 integrantes. Um deles representava o pai da teoria da evolução, Charles Darwin, enquanto os outros vinham com metade do corpo representando um macaco e outra um diferente estereótipo. Entre os perfis tinha uma madame, um militar, uma drag queen, uma mãe de santo, uma freira, entre outros.

A coreografia trazia em alguns momentos da apresentação movimentos que remetia a movimentos de primatas, como os macacos. Um dos destaques era o momento que os integrantes formavam a escala da evolução de Darwin na coreografia. O ápice da apresentação ocorria quando, ao final, todos os componentes davam as mãos, e do livro de Darwin era estendida uma faixa com a mensagem: “Somos resistência”. Um final que arrancou aplausos do público em todas as cabines de jurado.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius de Jesus e Viviane Oliveira, desfilaram com a fantasia “Yes, nos damos banana”, vindo ele simbolizando um macaco e ela a banana descascada. Um figurino ousado, pois o mestre-sala desfilou com uma máscara no rosto. Uma curiosidade ficou a cargo de quem veio apresentando o casal, o mestre-sala do Império Serrano Diogo Jesus, irmão de Vinícius.

O casal enfrentou dificuldade durante as suas apresentações para os jurados. Devido a pista molhada, Viviane economizou nos giros e Vinicius não arriscou muito no bailado. Porém, apesar da dança contida, o casal não cometeu erros graves, e mesmo com a chuva forte na primeira cabine, a porta-bandeira conseguiu manter o pavilhão estendido.

Harmonia

A harmonia da Rocinha foi um tanto irregular. Algumas alas cantavam o samba a plenos pulmões, enquanto outras passavam completamente caladas e apenas sorrindo, esse último caso ocorreu principalmente nas alas do último setor.

Evolução

Apesar da pista molhada, a Acadêmicos da Rocinha apresentou uma evolução bastante satisfatória. As alas vieram com componentes soltos e brincando carnaval, além de não ter corrido e nem ter ficado parada muito tempo, somente durante as apresentações nas cabines.

Uma das poucas falhas, que podem ser citadas no quesito, foi o clarão aberto pela bateria na entrada do segundo recuo. No entanto, o espaço foi rapidamente preenchido antes de se configurar em um buraco propriamente dito.

Samba-Enredo

A obra não figurou entre os sambas mais badalados e aclamados no pré-carnaval, e no desfile teve um desempenho apenas mediano. Funcionou no início do desfile, mas do meio para final perdeu fôlego, o que refletiu na ausência de canto dos componentes das últimas alas.

Em sua estreia na agremiação, Ciganerey apresentou uma performance satisfatória. Defendeu bem o samba, mesmo não sendo capaz de impedir a queda no desempenho da obra assinada por Cláudio Russo, Diego Nicolau e companhia, na metade final.

Enredo

Criado e desenvolvido pelo carnavalesco Júnior Pernambucano, o enredo “Bananas para o preconceito” buscou focar não em casos de racismo, mas sim enaltecer figuras e personalidades negras que superaram barreiras e venceram o preconceito.

Com fantasias e carros alegóricos de fácil leitura, a escola conseguiu se comunicar bem com o público da Sapucaí e passou a sua mensagem com clareza.

Alegorias e Adereços

Após enfrentar problemas no pré-carnaval para a construção das alegorias, a Rocinha surpreendeu com um conjunto alegórico bastante criativo e bem acabado. No entanto, a escola teve problemas com a iluminação. Pelo menos um refletor veio apagado em cada alegoria. O terceiro carro estava com a lateral direita apagada, e o último por completo.

Apenas um carro apresentou falha grave de acabamento, e foi um ponto fora da curva dentro do conjunto. Foi o caso da segunda alegoria, aonde a águia da frente veio com as duas asas danificadas. A ponta da asa direita veio com ferro aparecendo. O encaixe da asa direita com o corpo também veio com o ferro exposto.

Fantasias

Com fantasias criativas e de fácil leitura, os figurinos da Rocinha foi um dos pontos fortes da apresentação. Usando materiais alternativos, a fantasia da ala das baianas foi um dos destaques. Representando “Mães Maria Lata D’Água”, a roupa trazia pregador de roupa e colheres de pau.

Uma possível perda de pontos pode acontecer na ala 11 “Pelé, Negro Rei dos Verdes”, onde a maioria dos componentes vieram sem as bolas de futebol na cabeça, que haviam caído com a chuva. Alguns chegaram a desfilar segurando elas nas mãos.

Bateria

A bateria ritmo avassalador da Rocinha, sobre o comando do Mestre Júnior, teve um bom desempenho durante todo o desfile. Vestidos de malandros, nas cores da escola, os ritmistas fizeram várias bossas e convenções. Destaque para a realizada no refrão do meio.

Outros Destaques

A rainha de bateria Mônika Nascimento, que está em seu quinto carnaval a frente da ritmo avassalador, esbanjou carisma durante o desfile. Com um figurino em pedras e um costeiro com penas nas cores do arco-íris, ela chamou atenção e interagiu com o público e os ritmistas.

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