O Roteiro dos Desfiles em consonância com as questões da sociedade integrou mulheres negras periféricas e membros LGBTQIA+ à equipe de distribuição. Em geral, o sucesso de um projeto é o resultado do somatório de todas as pessoas envolvidas no processo. Todas sem exceção, dos que ocupam as mais simples funções, até os que estão na outra ponta do organograma.

Há 13 anos, o Roteiro dos Desfiles é reconhecidamente o mais completo guia para acompanhar os desfiles das escolas de samba que performam na Marquês de Sapucaí. É um trabalho gigantesco empreendido por profissionais comprometidos em entregar o melhor resultado, a fim de garantir ao público um maior entendimento sobre esta, que é considerada a maior festa popular a céu aberto do mundo. E depois de dois anos de suspensão dada às restrições impostas pela pandemia, havia um desejo de fazer o que era bom ficasse ainda melhor.

Uma das maneiras encontradas para atingir esse objetivo, foi apostar na diversidade. Se prestarmos atenção aos enredos da maioria das escolas de samba deste ano, tanto as da Série Ouro quanto as do Grupo Especial, essa temática esteve presente, sobretudo, se tratando do recorte racial. Devemos nos lembrar que o Carnaval leva para avenida pautas e questões que estão sendo discutidas no Brasil e no mundo. O Roteiro também está antenado ao seu tempo e trouxe para a avenida uma equipe de distribuição composta somente por mulheres negras.

Conforme afirma Luciana Lima, produtora executiva da Cia. Multiplicar e responsável pela produção e distribuição dos guias na Sapucaí:

“O Roteiro dos Desfiles desde a sua criação tem como marca a valorização social, focando no grande público e nos sambistas. Para a edição 2022 trouxe o conteúdo dos meus projetos ligados às mulheres periféricas, já que estas são asseguradamente o grupo que mais sofreu com a redução dos postos de trabalho durante a pandemia. Incluir essas mulheres na linha de frente é, sobretudo, valorizar as mulheres do Carnaval”, contribui Luciana.

Um estudo inédito realizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação (SMDEIS) do Rio, no ano passado, revelou que houve uma redução na taxa de participação delas no mercado de trabalho: entre o primeiro trimestre de 2020 (56%) e o mesmo período de 2021 (47%). Isso mostra que apesar de representarem 22,5% da população em idade ativa (maiores de 14 anos), ocupavam apenas 18% dos postos de trabalho com carteira assinada no primeiro trimestre de 2021.

Já Mariana Pinho é conclusiva ao afirmar que o Roteiro dos Desfiles está em consonância com as questões presentes na sociedade e tem dado sua parcela de contribuição para melhorar esse cenário.

“O RD é realmente de todos. Não só compomos uma equipe de mulheres negras e membros LGBTQIA +, mas abrimos um espaço de troca à responsabilidade social assumindo um papel fundamental e de referência ao Carnaval do Rio, e além de sermos um veículo de comunicação para exposição de diversas marcas com esse conceito socioeducativo”, conclui Mariana.

Em consonância com as questões presentes na sociedade, o Roteiro dos Desfiles é um produto de muita qualidade que vem cumprindo o seu papel direitinho. Dez, nota dez!

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