Salgueiro apresenta protótipos com referências de Arlindo Rodrigues, crítica social e bom humor

3537

O Salgueiro apresentou na noite desta quinta-feira em sua quadra os protótipos das fantasias para o enredo ‘Xangô’ que será apresentado no Carnaval 2019. Com maciça presença de segmentos, o evento foi restrito a convidados e a imprensa. Antes da apresentação dos figurinos a presidente Regina Celi e o presidente de honra Rafael Alves fizeram discursos fortes e contundentes sobre o imbróglio político em que se encontra mergulhada a líder do ranking da Liesa. * LEIA MAIS AQUI

A apresentação dos figurinos mostrou um Salgueiro com influências de Arlindo Rodrigues, carnavalesco consagrado e campeão pela Academia em 1963, 1965, 1969 e 1971. O carnavalesco Alex de Souza homenageia o genial artista com um setor inteiro de seu desfile, em referência ao campeonato de 1969, quando o Salgueiro falou da Bahia.

Alex conseguiu imprimir o momento político do país em seus figurinos, mesmo abordando um orixá em seu desfile. No encerramento da apresentação salgueirense no Carnaval 2019, ele fará um link entre Xangô, o orixá da justiça e alguns desmandos do sistema judiciário brasileiro, tão em evidência nos momentos atuais.

Abertura rústica, encerramento crítico

O Salgueiro terá uma única ala em sua abertura, após a cabeça da escola e o abre-alas. O primeiro setor, intitulado ‘O rei de Oió’ abusa de materiais rústicos, marcas de enredos de matriz africana. Palhas se misturam com uma coloração preto e branca nas alas que compõem o setor.

Ala 02: Oranian, fundador de Oió
Ala 03: O rei de Ifé
Ala 04: Dadá Ajaká, filho de Oraniã
Ala 05: Oxé, o machado duplo
Ala 06: O Obá de Oió

Trabalhado em cores quentes, como vermelho e marrom, o segundo setor do desfile salgueirense sobre Xangô recebeu o nome de ‘O orixá do novo mundo’. É nesta parte do desfile que se apresentará a Furiosa bateria salgueirense. O figurino não foi apresentado e é mantido sob sigilo.

Ala 07: O cágado
Ala 08: A oferenda
Ala 09: Bateria
Ala 10: Os raios (passistas)
Ala 11: Vestimenta de Xangô
Ala 12: Maracatu nação, o Xangô de Pernambuco

Para despistar a perseguição religiosa os negros tiveram de associar seus orixás a santos católicos. Nasceu o sincretismo que será evidenciado no terceiro setor do desfile, ‘O sincretismo entre Xangô e os santos católicos’. Neste momento o desfile é caracterizado pelo dourado referente aos relicários das igrejas e o esplendor barroco.

Ala 13: Sabedoria de São Jerônimo
Ala 14: A fogueira de São João
Ala 15: São Judas Tadeu
Ala 16: São Miguel Arcanjo
Ala 17: São Pedro

‘Xangô, o orixá do Salgueiro’ é o quarto momento desfile de 2019. Para cultuar a própria escola Alex de Souza bebe na fonte daquele que é um dos maiores artistas da história do carnaval, Arlindo Rodrigues. O setor é todo dedicado ao histórico desfile campeão de 1969, ‘Bahia de todos os desuses’. É neste momento que vão vir as baianas, em uma representação da Iemenjá, alegoria toda espelhada que chocou o público naquele desfile ao refletir a luz do sol quando o Salgueiro cruzou a avenida, já pela manhã há quase 50 anos. É um setor muito branco com toques de vermelho.

Ala 19: Muito antes do Império
Ala 20: Teu nome é tradição
Ala 21: Bahia do velho mercado
Ala 22: Terra abençoada pelos Deuses
Ala 23: Baianas (Iemanjá)
Ala 24: Todo dia ela está na Igreja do Bonfim

Para encerrar o seu desfile de 2019 o quinto setor do Salgueiro abordará a relação de Xangô com a justiça, como é conhecido o orixá. Alex de Souza vai abordar o sarcasmo político, encerrando o desfile de maneira descontraída e ao mesmo tempo politizada. O humor e a crítica social à justiça brasileira estarão marcados no fim da apresentação do Salgueiro.

Ala 25: A lavagem de dinheiro
Ala 26: Quem rouba pouco é ladrão, quem rouba muito é barão
Ala 27: Ordem do tribunal: está aberta a sessão
Ala 28: Data venia (compositores)
Ala 29: Supremos ministros de Xangô

Comentários