O Salgueiro trouxe para 2020 um enredo homenageando Benjamin de Oliveira. A escola comemorou os 150 anos de nascimento do artista de forma irreverente e alegre. A alegoria “O Picadeiro”, que fechou o segundo setor, reproduziu de forma literal um picadeiro com todas suas atrações. Personagens circenses encantavam o pequeno Benjamim. Entre eles malabaristas, contorcionistas e as curiosidades do circo de horrores, visto muito no final do século XIX.

Números aéreos executados no carro lembraram que o palhaço negro foi um aprendiz da arte do trapézio e da acrobacia. A letra do samba-enredo da escola, aliás, destacava que o artista saltou num voo para a felicidade. Os saltos do Rei do Picadeiro ganharam forma nas esculturas da alegoria e na decoração com figuras celestes como o sol, a lua e as estrelas. Outro destaque do palco da Ilusão montado pelo Salgueiro foram os três grandes balões de ar quente que embelezaram o fundo da alegoria.

O trapezista Tom Freitas, de 25 anos, que é integrante da Escola Nacional de Circo, falou da emoção de homenagear um artista que brilhava executando o mesmo ofício que o seu.

“Eu fiz performances circenses em outros carnavais, mas um desfile sobre Benjamin de Oliveira traz uma emoção muito especial para toda a nossa classe, que precisa ser fortalecida. Os artistas circenses são muito marginalizados, por isso é tão importante ocupar esse grande espaço de resistência que é a Sapucaí”, revelou o trapezista.

Carina Kuniyochi, 33 anos, foi convidada para executar uma performance que simulava o mastro chinês, em que os circenses exibem habilidade, força e concentração. Carina estreou no sambódromo no desfile do Salgueiro com técnicas de portagem, quando um artista sustenta o peso do corpo do outro. “A Sapucaí é um palco muito diferente porque no picadeiro a plateia está no escuro. Aqui a gente pode ver cada rosto e sentir o encanto no olhar do público”, finalizou.

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