Por Gabriella Souza

“Toda mulher brasileira em sua essência é ganhadeira”. A Viradouro dará sua voz, alma, batuque e fé para representar as ganhadeiras de Itapuã no carnaval de 2020. O peso das tradições africanas é carregado no axé das lavadeiras, cantadeiras e ganhadeiras. Seus cantos dão ritmo ao trabalho, sustento de suas vidas. Essa geração de mulheres batalhadoras marcam a história de luta e resistência do povo negro e baiano e da cultura afro-brasileira. A essência dessas tantas ‘Marias’ será representada sob as vozes e gingados da comunidade vermelha e branca de Niterói.

O enredo “Viradouro de alma lavada” conta com a assinatura dos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon. A escola aposta nessa nova geração de carnavalescos que irá estrear no Grupo Especial com a agremiação. Ambos já obtiveram títulos em escolas do acesso. Já a obra que irá representar a Viradouro na Avenida é dos compositores Cláudio Russo, Paulo César Feital, Diego Nicolau, Júlio Alves, Dadinho, Rildo Seixas, Manolo, Anderson Lemos e Junior Fionda.

O site CARNAVALESCO dando continuidade à série de reportagens intitulada “Samba Didático” entrevistou os compositores Diego Nicolau e Junior Fionda e o diretor de carnaval Dudu Falcão para saber mais sobre os significados e as representações presentes no samba da vermelha e branca niteroiense.

‘GAMELA’

“É o recipiente de madeira onde as ganhadeiras depositam o pescado fresco e partem para a venda”, explicam os compositores Diego Nicolau e Junior Fionda.

‘XARÉU’

“Peixe de carne saborosa e bastante encontrado no litoral nordestino”, esclareceu Diego Nicolau.

‘BALAIO’

“Cesto usado para transportar o ganho. Nesse trecho vemos a relação do acordar cedo com a chance maior no tempo de trabalho para conquistar o ganho, e consequentemente, a alforria”, elucidou Junior Fionda.

‘CAMARÁ’

“Camará eram os negros alforriados, que ganham a cidade sem mais amarras. Pode ser associado com as ganhadeiras como a figura masculina em cada grupo familiar”.

‘FREGUESIA’

“Eram os fregueses que compravam o ganho”.

‘FALANGE’

“Um grupo de pessoas, uma tropa. Em nosso caso são as ganhadeiras, que usam seu agrupamento em prol de relembrar a ancestralidade através da música. E nesse momento a Viradouro tomará esse canto pra si como forma de homenagem a estas grandes mulheres”.

‘QUARAR’

“O ato da lavadeira de colocar a roupa exposta ao sol para deixar o tecido mais claro”.

‘CHEIRO DE ANGELIM’

“Angelim é a árvore que dava sombra a essas mulheres durante o ganho. O cheiro desta árvore surge poeticamente como memória afetiva daquele momento”.

‘BICA DE ITAPUÃ’

“Era o local onde todo o ganho era preparado para ser vendido”.

‘BAIXA DO DENDÊ’

“Onde as ganhadeiras se reuniam para confraternizar, cantar e celebrar o ganho”.

‘BATUQUEJÊ’

“Eram os batuques, as danças, os cantos, a festa das ganhadeiras”.

‘ORA YÊ YÊ Ô OXUM’

“Saudação ao orixá Oxum, dona das águas doces”.

‘QUILOMBO DO ABAETÉ’

“Quilombo é o refúgio de escravos. Realizamos uma alusão poética em que Oxum faz um quilombo no Abaeté, lagoa onde as ganhadeiras lavavam e cantavam, lugar de magia ancestral de suma importância para entender todo nosso enredo”.

‘XANGÔ’

“Orixá padroeiro da agremiação que abençoa essa homenagem”.

‘KAÔ’

“Saudação ao orixá XANGÔ”.

‘ERÊ’

“São as crianças que graças ao ganho nasceram alforriadas e herdaram a liberdade”.

‘CRIOULAS DO BALANGANDÃ’

“São as negras ganhadeiras que nos fuás, os sambas, as algazarras, se valiam da música e das danças para celebrar sua eminente liberdade balançando suas jóias negras, seus balangandãs”.

Viradouro 2020

Conquistando o vice-campeonato no carnaval de 2019, a Viradouro irá buscar em 2020 seu segundo título no Grupo Especial do carnaval da cidade do Rio, com o enredo “Viradouro de alma lavada” dos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon. A vermelha e branca niteroiense será a segunda escola a desfilar pela Marquês de Sapucaí no domingo, dia 23 de fevereiro.

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