Por Victor Amancio. Fotos: Allan Duffes e Magaiver Fernandes

Em seu retorno para Unidos da Tijuca, escola que consagrou campeã três vezes, Paulo Barros fez um desfile diferente dos habituais. Fantasias de fácil leitura, mas com materiais simples e com problemas de acabamento que afetar a avaliação da escola. Alegorias no estilo do carnavalesco, mas que não empolgaram, salvo o primeiro carro, também tinham falhas de acabamento. Ponto alto do desfile foi o cantor Wantuir e mestre Casagrande favorecendo o canto da escola.

Comissão de frente

Sem dizer a que veio a comissão da Tijuca apresentou problemas técnicos e não atingiu o pretendido. A apresentação foi confusa e trouxe Leonardo da Vinci e Suzy Brasil, representando uma arquiteta. Outros bailarinos estavam vestidos de lápis. Pouco dançada a comissão encerrava com os bailarinos formando uma fonte. Logo no segundo módulo a comissão teve problemas com os leds da fantasia, ficando com dois apagados e no último módulo a ‘inovação’ só funcionou na última parte da coreografia.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Alex Marcelino e Raphaela Caboclo vestiu a fantasia intitulada ‘um casal sob medida’. Dançaram bem mesclando força e leveza. Fazendo uma coreografia encantadora, Raphaela colocou garra em seus giros sendo cortejada por Alex, que por sua vez, rabiscou a pista sem tirar os olhos da parceira. No último módulo o pavilhão quase enrolou no fim da coreografia, mas rapidamente Caboclo resolveu o problema.

Harmonia

Como de costume a Unidos da Tijuca cantou a plenos pulmões o samba que tem como uns dos compositores Dudu Nobre e Jorge Aragão. Destaque para Wantuir que se agigantou no comando da escola e cantou monstruosamente bem. O intérprete deve ser exaltado por sua apresentação. Casagrande contribuiu com uma bateria cadenciada e com bossas incríveis fazendo o público sambar junto.

Enredo

O carnavalesco Paulo Barros apresentou um desfile sobre a arquitetura e urbanismo passeando pelas grandes construções ao longo da história e chegando na importância do tema para a construção de cidades sustentáveis e a necessidade de reverter a degradação do planeta por conta de construções que agridem a natureza. Tocando em outro ponto importante, o carnavalesco passou pela desigualdade que atinge as comunidades, onde muitas pessoas vivem de forma arriscada. O enredo foi bem desenvolvido em fantasias e alegorias que explicavam o enredo de forma clara.

Evolução

Pode ter sido um problema no desfile, por conta das surpresas que aconteciam em suas alegorias, a escola começou o desfile de forma mais lenta e no fim o desfile acelerou mais o andamento. Desta forma tendo uma evolução irregular. Em algumas alas pôde-se ver pessoas que ao invés de evoluir, andavam apenas cantando.

Samba-Enredo

O samba tem uma riqueza poética e foi um ponto forte da escola. Retratando bem o enredo a obra foi muito bem interpretada pelo carro de som e a comunidade embalou. Ponto positivo do desfile da Tijuca.

Fantasias

Paulo Barros conseguiu passar a ideia do enredo nas fantasias, nos primeiros setores da escola o carnavalesco colocou no meio de algumas alas um elemento representando a construção representada na fantasia. Se por um lado houve funcionalidade na parte plástica as fantasias deixaram a desejar e podem atrapalhar na avaliação da escola.

Alegorias

Apesar de terem funcionado para a explicação do enredo, a Tijuca apresentou alegorias com falhas de acabamento e com uma estética aquém do que é costume. Funcionalidade teve mas plástica a escola ficou devendo. No estilo Paulo Barros e acontecendo na avenida com as transformações e movimentos os carros não impactaram a avenida, salvo o abre-alas que tinha um Cristo Redentor que subia e saudava o público, girando para os dois lados da avenida.

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