Por Diogo Sampaio. Fotos: Allan Duffes e Nelson Malfacini

Em uma noite de grande desempenho do intérprete Igor Vianna, o samba-enredo foi o principal destaque da apresentação da Unidos de Bangu, que enfrentou problemas em quase todos os quesitos. A vermelha e branca foi a terceira escola a desfilar e apresentou o enredo “Memórias de um Griô: a diáspora africana numa idade nada moderna e muito menos contemporânea” em 52 minutos.

Comissão de Frente

Intitulada de “Meu sangue é a retinta majestade e em meus braços não pesam mais correntes”, a comissão de frente assinada pelo coreógrafo Vinicius Rodrigues trazia um griô como personagem principal e retratava o processo de colonização europeia no continente africano. Bastante teatralizada, a apresentação tinha seu momento principal quando o colonizador branco europeu, representando pela figura de um capaz, “sugava a alma” do negro escravizado, que voltava a vida através do griô, amparado pela força de três orixás. No entanto, apesar do ápice, a reação do público variou entre tímida a nenhuma. Além da falta de impacto junto ao público, a comissão de frente deve perder alguns décimos na segunda e terceira cabine de jurados.

Durante a apresentação no módulo dois, o chapéu de um dos integrantes caiu logo no início, permanecendo no chão até o fim. Ainda na mesma cabine, antes de encerrar, outro componente também perdeu a cabeça da fantasia. Já na terceira cabine de julgamento, como forma de contornar o problema, todos os integrantes da comissão se apresentaram sem o chapéu.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Em seu segundo ano no posto de primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos de Bangu, a dupla Anderson Abreu e Elisa Xavier veio simbolizando a exuberância da savana, com uma indumentária de materiais simples e baratos, como a palha. Durante a apresentação para o módulo dois, a parte de cima da fantasia de Elisa começou a soltar da saia, o que evidenciou os problemas de acabamento da roupa.

Com uma dança de passos lentos e bastante coreografada, o casal também teve problemas de sincronia. Na primeira cabine de jurados, em um dado momento da apresentação, Elisa estendeu a mão para Anderson que só respondeu segundos depois.

Harmonia

Apesar dos diversos problemas de evolução, a harmonia da Unidos de Bangu foi uma constante positiva durante a passagem da escola. Mesmo correndo, os componentes não deixaram de cantar o samba e demonstrar empolgação com a obra.

Enredo

Com a proposta de narrar a história do continente africano, sob o ponto de vista de seu primeiro habitante, um griô, a escola quis retratar com seu enredo as consequências da colonização do branco europeu, que originou males que perduram até os dias de hoje, como a desigualdade e o preconceito. Entretanto, o conjunto visual da agremiação não conseguiu passar com clareza a mensagem. No caso do terceiro setor da agremiação, nem mesmo com o roteiro de desfiles em mãos era possível ter uma completa leitura do que estava sendo representado pelo desfile.

Além disso, o tripé “Realeza Conga”, que constava no roteiro de desfiles, não passou pela Avenida e deve acarretar no desconto de alguns décimos no quesito.

Evolução

O quesito foi um dos mais problemáticos da vermelha e branca. Com um ritmo muito lento no início, a comissão de frente só chegou ao terceiro módulo de jurados aos 30 minutos de desfile. Em seguida, com receio de ultrapassar o limite máximo de 55 minutos, a escola acelerou o passo do meio para o fim da apresentação. Devido a correria, diversos clarões surgiram entre uma ala e outra, além de grandes espaçamentos dentro delas.

Samba-Enredo

A obra assinada por Dudu Senna, Diego Nicolau, Richard Valença e companhia teve bom desempenho na Avenida, graças a excelente performance de Igor Vianna em sua estreia no microfone principal da agremiação. O cantor foi o grande ponto alto do desfile, mantendo o rendimento do samba durante toda a apresentação.

Fantasias

Em sua estreia na Marquês de Sapucaí, o carnavalesco Bruno Rocha trouxe um conjunto de fantasias criativo, com o uso de muitos materiais alternativos. Um dos principais destaques fica para ala 01, intitulada “Reino do Congo”, que apostou em um costeiro feito de macarrão de piscina, uma solução barata que funcionou visualmente e deu volumetria ao figurino.

Alegorias e Adereços

As alegorias da Unidos de Bangu, diferentemente das fantasias, foi um dos destaques negativos da apresentação. Os carros, de materiais pobres e de difícil leitura, tiveram diversos problemas de acabamento nas esculturas.

Outros Destaques

A passagem de Darlin Ferrattry, mãe da cantora Lexa, despertou a atenção do público e roubou a cena na passagem da agremiação. Em sua estreia como rainha de bateria, Darlin demonstrou simpatia, além de entrosamento com os ritmistas.

Comentários