Nas últimas semanas as redes sociais viralizaram os vídeos de uma família fazendo ‘reedições’ de comissões de frente, como Tijuca 2010 e Grande Rio 2020. O responsável é Junior Bill, de 34 anos, que grava com os filhos Luiz Felipe, de 9 anos, Lucas Gabriel, de 2 anos, com a sobrinha Júlia, de 6 anos, e sua esposa Crislaine Barbosa, 30.

Emocionando e levando alegria para os sambistas nesse momento de isolamento social, Junior Bill será premiado no Estrela do Carnaval, numa categoria especial por estar produzindo conteúdo neste momento delicado. O sambista e ritmista explicou como começou a gravar os vídeos com sua família.

“Devido toda essa situação que vem acontecendo no mundo acabei tendo que ficar em casa e as criança sem poderem irem pra escola. Um amigo me desafiou no Facebook tocando tamborim aí chamei meus filhos e minha sobrinha para brincarmos de mágica e como eu respiro samba acabei cantando o samba da Unidos da Tijuca 2010. Peguei um pano da minha irmã que trabalha com festas e fizemos a coreografia da comissão de frente daquele ano”, explicou.

Além de Unidos da Tijuca 2010, a família já fez a ‘reedição’ de outras comissões como Grande Rio 2020, Ilha 2017, Vila Isabel 2019, Salgueiro 2020, Tuiuti 2018, Viradouro 2020, Estácio 1995, Difícil é o nome 2019.

“Eu acho que além de estar distraindo a mim e meus filhos, acabei também distraindo muitos amigos e até mesmo quem eu não conhecia. Fiquei bem feliz por estar ajudando a galera de alguma forma nesse momento tão delicado causado pelo Covid-19”, ressaltou.

Filho de Tia Glorinha do Salgueiro, Junior explicou que sua relação com o carnaval vem desde sempre por influência dela e essa mesma paixão ele transmite para seus filhos. Luiz Felipe e a sobrinha Júlia já desfilam pelo Aprendizes do Salgueiro, ele na bateria e ela como musa.

“Eu acabei passando praticamente minha vida toda no carnaval, minha mãe sempre desfilou no Salgueiro antes mesmo de eu nascer. Eu tinha que ir com ela, acabei gostando e estou até hoje. Carnaval para mim é cultura, nele aprendi e aprendo muito coisa. É o que passo para os meus filhos, tudo que minha mãe fez, me levando para o samba, estou fazendo por eles. Creio que esteja no sangue”, disse Junior.

Falando sobre ter uma escola do coração, o sambista falou que em sua casa é uma mistura, apesar de ser criado no Salgueiro ele enfatizou o amor e carinho por outras agremiações como Mangueira e Viradouro.

“Em casa tem uma mistura boa, é quase uma casa do samba. Eu sou criado no Salgueiro, desfilei na barriga da minha mãe, Maria Da Glória, conhecida como Tia Glorinha. Eu amo a Mangueira e tenho um carinho enorme pelo Estácio, Viradouro e União da Ilha. Sou ritmista, meu naipe de preferência é o surdo de primeira mas também desfilo tocando caixa de guerra. Desfilo na Viradouro, Salgueiro, Estácio, Tradição, Difícil é o nome, União da Ilha, Alegria da Zona Sul, Vigário Geral e Império Serrano”, explica Bill.

Aos 34 anos, ele disse ter ouvido que não passaria dos 15 anos de idade por ser sambista, falou da importância de sua mãe para sua formação e da ajuda do mestre Thiago Diogo num período difícil que enfrentou.

“Eu sempre ouvia que eu não passaria dos 15 anos por ser do samba e só daria para ser vagabundo. Mas graças a Deus eu tenho uma rainha em casa que soube educar muito bem eu e minha irmã, sozinha pois meu pai saiu de casa quando eu tinha 9 anos de idade. Passamos por diversas dificuldades, inclusive, o mestre Thiago Diogo nos ajudou muito quando não tínhamos aonde morar depois de um temporal que derrubou nossa casa. Ele nos levou para morar na casa dele e da tia Tânia. Serei grato eternamente, jamais esquecerei o que fizeram pela minha família. Essas coisas foram dando força para seguir caminhando, eu olhava para um lado via minha mãe batalhando, olhava para o outro tinha minha irmã, também, batalhando para tentarem comprar comida para gente comer pois muitas das vezes não tínhamos nem água gelada porque a geladeira tinha queimado”.

Junior falou dos seus ídolos e referências no samba.

“Beth e Hélio Bejani, Douglas Lima, Rodrigo Baiano são meus ídolos, sou muito fã deles e do meu amigo Patrick Carvalho, que tem um potencial imenso é uma humildade fora do normal”, enfatizou.

O ritmista falou da importância de um grupo no Whatsapp no seu dia a dia. Lá, Junior disse que desde as cinco da manhã até o final do dia o assunto é samba e logo cedo começa a cantoria. O grupo é um meio de troca entre ritmistas do Rio e São Paulo.

“Faço parte de um grupo no WhatsApp de carnaval desde 2017, falamos o ano inteiro. O melhor grupo que tenho. São amigos de São Paulo e do Rio de Janeiro, todos são de bateria de escola de samba. Tenho maior carinho e respeito por cada um deles, lá o samba não para é o ano inteiro. Eu agradeço meus amigos Leandro Medeiros, Victor Telles, Dudu, Bruno Caleffo, Carol Branco, Ronaldo Queixada, Mestre Bira, Rene Balbino, mestre Zumbi, Matheus, Binho, Diego, Roger, Luan Imperador, João Pedro, Rodrigo e Walber que fazem parte dessa paixão que é o carnaval”, encerrou Junior.

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