Uma das principais novidades apresentadas pela Liesa na plenária que definiu mudanças no regulamento não entrará em vigor em 2020, mas para 2021 pode promover uma reconfiguração no Grupo Especial. As cotas de TV serão distribuídas de acordo com a classificação das escolas no ano anterior, em uma escala de proporcionalidade como já é feita a distribuição da renda de ingressos.

Para o carnavalesco da São Clemente, Jorge Silveira, a medida institucionaliza a injustiça e pode aumentar ainda mais a diferença entre escolas de menor aporte financeiro e aquelas que possuem maiores receitas para seus respectivos desfiles.

“Eu acho que esse tipo de manobra regulamenta e oficializa a injustiça. Quem tem um maior poder de fogo sai beneficiada, recebendo uma premiação melhor. Abre inclusive um precedente perigoso. Todas as escolas se empenham, apresentam um espetáculo e por isso todas precisam receber de forma igual. Considero preconceito com quem tem menor poder de fogo, aumenta as diferenças”, diz.

Carnvalesco campeão pela Mangueira em 2019, Leandro Vieira argumenta de uma forma mais ampla acerca de todas as mudanças propostas pela Liesa em seu regulamento. Leandro considera que qualquer modificação na estrutura da festa sem ouvir os artistas envolvidos se torna paliativa.

“Eu acho que qualquer decisão da Liesa que não reúna os artistas que pensam a festa é um paliativo. Todos precisamos pensar juntos, uma reunião onde os artistas (e não é só o carnavalesco) opinem. Os envolvidos precisam contribuir. Determinar quantas cabines, carros, e se isso não for melhor para quem de fato faz a festa? Quem sabe o que é melhor são os artistas. Dirigente vai para lá contar dinheiro e tomam decisões baseadas a partir disso. E não estou dizendo que ser mais barato vai piorar. Quando eu proponho esse pensamento penso em diversidade artística, de propostas. Não é só economia. As mudanças são superficiais”, define Leandro.

Outro importante integrante da festa que faz ponderações é o diretor de carnaval do Tuiuti, Junior Schall. Ele apoia a medida de se valorizar quem trabalha melhor, mas faz um adendo de que para isso é preciso tornar iguais as condições financeiras das escolas de samba.

“Eu acho que é um fato interessante enquanto provocar as escolas a realizarem um carnaval competitivo. No entanto não vejo que há uma consistência nivelada para que essa divisão seja justa. Hoje há um desequilíbrio. É um passo interessante mas vejo um alicerce inconsistente para projeção de um carnaval mais equilibrado. A partir daí poderíamos dar esse salto”, destaca.

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