Sambistas se despedem de mestre Jorjão em velório na Mocidade

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A antiga quadra da Mocidade Independente de Padre Miguel, na Vila Vintém, recebeu nesta segunda-feira o velório de mestre Jorjão, que faleceu no sábado, aos 66 anos de idade. Torcedor da escola de Padre Miguel, Jorjão também era apaixonado pela Viradouro.

Muitos sambistas e integrantes da Mocidade participaram do velório de Jorjão. Um dos mais emocionados era o intérprete Paulinho Mocidade.

“Não há controle sobre os desígnios de Deus. O momento da partida é sempre muito difícil para quem fica, mas o Jorjão cumpriu bem o seu papel como sambista. É um dos grandes nomes da história do carnaval. Orgulho ter podido fazer uma dobradinha com ele na avenida no melhor momento da história da escola”, disse o cantor.

Também diretor de bateria e irmão de Jorjão, mestre Jonas elogiou e ressaltou sua elegância na Avenida.

“Meu irmão revolucionou a forma de apresentar uma bateria, era um cara muito elegante. Uma referência na minha vida. Estou triste pela sua partida, mas muito feliz por essa homenagem da Mocidade para ele. O lugar que ele gostaria de estar certamente era aqui nessa quadra”.

Mestre Dudu, comandante da bateria da Mocidade, falou sobre Jorjão.

“Jorjão foi uma das maiores referências da Mocidade, que é uma escola muito associada à bateria, por conta do legado do mestre André. Estou até um pouco abalado ainda, pois acho que a ficha ainda não caiu. Nós vamos sempre lembrar do Jorjão pela postura à frente da bateria”.

O compositor Tiãozinho Mocidade preferiu falar da amizade que tinha com mestre Jorjão.

“Perdi um grande amigo e um dos mais representativos baluartes da nossa Mocidade. Mestre André certamente o está aguardando para comandar uma batucada lá em cima. Daqui a pouco a gente vai estar junto de novo”.

Diretor de carnaval da Mocidade, Marquinho Marino falou da contribuição de Jorjão para o carnaval.

“É um momento de muita tristeza pois eu cresci dentro da Mocidade com o Jorjão na bateria. Desfilei com ele nos anos 90 na bateria. Saí tocando tamborim quando o Jonas era o mestre. Que ele nos ilumine na avenida e possamos dedicar a ele o título”.

O amigo Zé Bolinho, da velha-guarda da bateria, contou uma história curiosa com Jorjão.

“Eu tenho duas histórias maravilhosas com meu amigo Jorjão. Uma delas foi quando ele estava indo para São Paulo e a dentadura voou pela janela. Ele fez o ônibus parar para pegar. Jorjão era uma pessoa muito respeitada. Estava um pouco deprimido no fim da vida. Ele era um irmão. Ele tinha um coração grande demais”.

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