O Cubango definiu o samba-enredo da parceria de Cláudio Russo, Jr Fionda, Robson Ramos, Sardinha, Anderson Lemos, Rafael Duda, Alessandro Falcão e Rildo Seixas como o campeão para o Carnaval de 2022. A verde e branco de Niterói levará para Avenida o enredo “O amor preto cura: Chica Xavier, a mãe baiana do Brasil”, de autoria do carnavalesco João Vitor Araújo. * OUÇA AQUI O SAMBA-ENREDO

“É uma honra imensa estar escrever um samba para uma pessoa que foi um ícone das artes. Uma lutadora, resistiu com sua fé, ideais e profissão. Chica Xavier tem que ser lembrada e homenageada. Ela sempre fez a diferença. Sinto o arrepio na parte do samba que fala ‘Na pedra fria, no pé do morro/Dizem que mora um velho lá’. Isso toca muito o coração de cada um de nós da parceria”, afirmou o compositor Cláudio Russo.

Fotos de Magaiver Fernandes

A presidente Patricia Cunha explicou todo o sentimento envolvido em assumir o comando da escola e a importância do enredo para 2022.

“Quando você é dirigente de uma escola que é sua vida, seu coração, sua família, é tudo diferente. Sou do berço do Cubango. Muita felicidade de estar aqui. É minha história. Daqui tiro força, garra e sei da minha responsabilidade. Comecei como passista mirim, fui para porta-bandeira e hoje sou presidente. Dona Chica me representa muito como mulher, ser negra, ter garra, coragem para não desistir e enfrentar tudo. A Chica Xavier representa todo o Cubango”, disse.

Perguntada sobre o orçamento para o desfile de 2022, Patricia disse que ainda não sabe o que terá de valor da prefeitura do Rio e Niterói.

“Ainda não temos nada definido. Não está sendo fácil. Alguns parceiros nos ajudam, somam de alguma forma. O dinheiro é o principal, mas estamos lutando, com o apoio da comunidade, tenho certeza que estamos no caminho certo”.

Estreando no Cubango, o intérprete Pixulé falou sobre cantar em uma escola tão representativa para comunidade negra do carnaval. “Estou com o pé na senzala Cubango. O casamento com a bateria é perfeito. Falo no olho com o mestre Demétrius. Quando isso acontece tudo se combina. A comunidade pode esperar muita força, quando cheguei aqui foi praticamente feriado”, brincou o cantor.

Responsável pelo desfile do Cubango na parte plástica, o carnavalesco João Vitor Araújo confessou estar feliz e empolgado com o enredo da verde e branco para o ano que vem.

“A religiosidade e o amor que ela tinha pela vida, pelo próximo, pela religião e dramaturgia. É uma responsabilidade muito grande desenvolver esse enredo. Ele vem tão lá de dentro do meu carnaval. Parece que estou homenageando uma pessoa da minha família. Acredito que todos nós temos esse elo de vidas passadas e minha ligação com a Dona Chica é algo que transcende. A presidente Patricia está correndo atrás para gente realizar um carnaval de alto nível, já estamos fazendo protótipos e temos um espaço próximo da Cidade do Samba e lá que estou fazendo tudo. Estou feliz aqui”, afirmou o artista.

Premiado com o Estrela do Carnaval de 2020, como melhor bateria da antiga Série A, mestre Demétrius disse que desfilará com 220 ritmistas em 2022.

“Temos um samba à altura do nosso enredo. Ainda não sei como será a fantasia da bateria. É surpresa do carnavalesco João Vitor. Com o samba escolhido pretendemos desfilar com três convenções no samba”, disse.

Para o desfile do ano que vem, a escola manteve o mestre-sala Diego Falcão e trouxe de volta a porta-bandeira Aline Flores. A dupla contou como está ensaiando neste período de pandemia.

“A Aline é cria do Cubango. Depois de 14 anos, ela está voltando com todo pique, gás e tomando seu lugar de fala. Ela sempre dançou aqui. Estamos ensaiando de forma isolada, sem a bateria ou os componentes. Fazemos um intercâmbio Rio e Niterói com a nossa coreógrafa Viviane Martins. Nosso enredo é super pertinente. A Chica Xavier pretava o amor e era defensora da educação. O amor preto cura. A Cubango se dá muito bem com enredo afros e vamos seguir essa linhagem. Somos uma escola preto. Por relatos, aqui antigamente era um quilombo. Isso é muito forte”, disse o mestre-sala.

“Essa volta nem eu esperava mais. Por um tempo sonhei com o retorno, mas não consegui espaço. A Patricia iniciou comigo e lembrou de mim. Fiquei muito feliz. Cada momento que passa tomo posse do meu lugar de fala. Estou bem feliz. Na época, a dança era baseada na tradição, hoje tem passos marcados para jurado, casamento com o samba e acredito que não vou encontrar tanta dificuldade. Já estamos trabalhando com nossa coreógrafa e ela veio para aprimorar o trabalho”, explicou a porta-bandeira.

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