A manhã deste sábado pode ser considerada histórica para os apaixonados por carnaval em São Paulo. O site CARNAVALESCO, em parceria com a rede Espaço Itaú de Cinema e da Arteplex Filmes, realizou uma sessão para convidados do filme “Mangueira em 2 tempos”, da diretora Ana Maria Magalhães.

Fotos: Matheus Mattos

Entre as estrelas da folia paulistana estiveram presentes a presidente do Mocidade Alegre, Solange Cruz, o carnavalesco da Mancha Verde, Jorge Freitas, o ator, presidente da escola de samba Lavapés e comentarista da TV Globo, Aílton Graça, Eduardo Santos e Erivelto, presidentes do Tatuapé, Dione Leite e Fernando Dias, carnavalesco da Tucuruvi, além dos mestres de bateria da Vila Maria e da Colorado do Brás, Moleza e Allan Meira, respectivamente.

O filme “Mangueira em 2 tempos” revisita amigos de infância retratados no vídeo “Mangueira do amanhã”, sobre a escola de samba mirim. Suas histórias revelam as circunstâncias brutais da vida dos moradores das favelas do Rio de Janeiro, mas também de seus surpreendentes destinos. Mestre Wesley, comandante da bateria da Mangueira, se inspira na musicalidade local para realizar a carreira de percussionista.

Ao site CARNAVALESCO, mestre Moleza citou a importância do carnaval estar nas telas dos cinemas pelo Brasil e pela sessão ser feita em um grande shopping da cidade de São Paulo.

“A democratização do samba é muito importante. Para gente é muito importante ter esse espaço dentro de um cinema e shopping muito conhecido pela população paulista. É uma inspiração muito grande ver o filme, passou o filme na cabeça de quando comecei a tocar e mexe demais com a gente. A história do mestre Wesley que teve um sonho, começou, trilhou seu caminho e depois tirou todas notas 10 e viu sua escola ser campeã. É o ápice para quem chega no posto de mestre de bateria”, disse o comandante da bateria.

Foto: Rennan Laurente

Entusiasta do samba, uma das maiores gestoras e personalidades do carnaval brasileiro, Solange Cruz, do Mocidade Alegre, ressaltou a história de mestre Wesley, seu amigo pessoal.

“Achei sensacional a ideia e parabéns para todos os envolvidos. Muito legal resgate. Estou saindo daqui e vou mandar mensagem para o Wesley. Adoro ele e essa história dele mexe muito com o emocional e o dia a dia. A Mangueira é escola do povo e traz muito aprendizado. Sou casada com um mestre de bateria, meu filho está se tornando um grande músico e foi maravilhoso ver o filme”.

Presidente do Tatuapé, Eduardo Santos, afirmou que a sessão do filme em São Paulo veio em um momento importante e difícil para todos os sambistas, que estão afastados de suas quadras.

“Muito legal ver, uma experiência muito bacana. Neste momento, em que não podemos abrir nossas quadras, de encontrarmos as nossas pessoas, está todo mundo morrendo de saudade. Vimos a comunidade no filme com muita força e presença. É emocionante. Já estamos sensíveis por tudo que está acontecendo e somos brindados com um filme fascinante, com histórias comoventes. Mangueira 2019, campeã, com um dos sambas mais bonitos da história do carnaval, que felicidade e privilégio de estar aqui com amigos e pessoas tão importantes para o samba”.

Comandante da bateria do Colorado do Brás, mestre Allan Meira, frisa que a história de mestre Wesley é inspiradora.

“É muito inspirador e gratificante participar deste momento. É único para história do samba. Tira um pouco da marginalização que o samba é julgado. Mostra como é realmente o samba e a comunidade. Me inspirei muito na história do Wesley. Cresci na Colorado do Brás tocando em escolinha mirim, batendo lata e sempre tive o sonho de estar na bateria e consegui. Vale para todo mundo que for assistir ver que o carnaval é muito além de bateria, como o mestre Moleza gosta de falar. É muito bom participar disso, o carnaval tem pessoas, comunidade e família. Para sociedade ver o carnaval com outros olhos a partir de hoje”.

Um dos maiores profissionais do carnaval brasileiro, referência de trabalho em Paulo, o carnavalesco Jorge Freitas, garantiu que se sentiu representado com a história contada no filme.

“Acima de tudo é mostrar a cultura. Mostrar para sociedade que o samba é cultura. Esse filme mostra o respeito com a tradição, trazer o novo e fazer com que ele seja respeitado. Me encontrei muito dentro deste filme. Vejo que dentro da escola de samba a gente pode ter inúmeros artistas e profissionais que tenha como base a escola de samba. Fazer um filme desse, como uma escola tão tradicional, como a Mangueira, é muito importante”.

Mangueirense de coração, Aílton Graça exaltou a força social das escolas de samba.

“Me sinto um privilegiado de estar neste time seleto de notáveis fazedores de cultura do carnaval de São Paulo para essa sessão. Desfilo na Mangueira há muitos anos e sou apaixonado por ela. Ver que toda história passa pela célula Mangueira do Amanhã é muito importante. Toda trajetória dessa turma e o que se tornaram também passa por um lugar da nossa brasilidade e desses celeiros e polos culturais que são nossas escolas de samba. É um presente para sociedade quando cada agremiação recebe e acolhe o folião de diferentes vertentes, origens sociais e econômicas, e trasforma em um gande cidadão, artista e fazer de cultura é um presente para o Brasil”.

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